NADA MUDOU!

4 11 2009
Enviado ao blog Minhoca na Cabeça pelo Roberto Schulze

Atribui-se ao médico Ronald Gibson (foto) essa citação, que teria sido feita no início de conferência. Independente da veracidade dessa informação, vale a pena refletir sobre o seu suposto dito.

Falando sobre conflitos de gerações, o médico inglês Ronald Gibson começou uma conferência citando quatro frases:

1) “Nossa juventude adora o luxo, é mal-educada, caçoa da  autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem a seus pais e são simplesmente maus.”
2) “Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje tomar o poder amanhã, porque essa juventude é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível.”
3) “Nosso mundo atingiu seu ponto crítico. Os filhos não ouvem mais seus pais. O fim do mundo não pode estar muito longe.”
4) “Essa juventude está estragada até o fundo do coração. Os jovens são malfeitores e preguiçosos. Eles jamais serão como a juventude de antigamente. A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura.”

Após ter lido as quatro citações, ficou muito satisfeito com a aprovação que os espectadores davam às frases. Revelou, então, a origem delas:

– A primeira é de Sócrates (470-399 a.C.).
– A segunda é de Hesíodo (720 a.C.).
– A terceira é de um sacerdote do ano 2.000 a.C.
– E a quarta estava escrita em um vaso de argila descoberto nas ruínas da Babilônia (Atual Bagdá) e tem mais de 4.000 anos de existência.

Donde conclui-se, portanto… Que NADA MUDOU!

Comentários

4/11/2009
13:29

Cristian Caê Seemann Stassun

Lindo texto. É o preço lógico da “generalização apressada”. Porém, acho muito mais, frases de vivências pessoais dessas pessoas e quem sabe jargões para provocar mudança… “a camada de ozônio, a poluição isso e aquilo…”
Porém nada mudou? Acredito que tudo mudou, foi culpa da tirania e rebeldia dos jovens que deram adeus a muitos paradigmas, falsas crenças, ideologias, tecnologias, obrigações, desprazeres e principalmente medos…
Reclamamos da falta de limites dos jovens, mas foi por causa dela que conhecemos e vivemos o mundo que temos hoje, com a mesma dor e o com menos amor, mas com conforto (confronto) e liberdade (nada dos preceitos da rev. franc.). hehehe Liberdade, Fraternidade e Diferença. E não haveria Napoleão.





Alice no País das Maravilhas – Em outros Tempos

30 09 2009

Agora, que chegaste à idade avançada de quinze anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas.

Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.
Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.
A realidade, Maria, é louca.
Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: “Fala a verdade, Dinah, já comeste um morcego?”
Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. “Quem sou eu no mundo?” Essa indagação perplexa é o lugar – comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.
A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: “Estou tão cansada de estar aqui sozinha!” O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada, e vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.
Somos todos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo, e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.
Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria têm de ser grave.
A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia: “Oh, I beg your pardon!” Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para tua sabedoria de bolso: se gosta de gatos, experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: “Gostarias de gatos se fosses eu?”
Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política, nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados, todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos, que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: “A corrida terminou! mas quem ganhou ?” É bobice Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre aonde quiseres, ganhaste.
Disse o ratinho: “Minha história é longa e triste!” Ouvirás isso milhares de vezes. Como ouvirás a terrível variante: “Minha vida daria um romance”. Ora, como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam romances, pois o romance é só o jeito de contar uma vida, foge, polida mas energicamente, dos homens e das mulheres que suspiram e dizem: “Minha vida daria um romance!” Sobretudo dos homens. Uns chatos irremediáveis, Maria.
Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: “Devo estar diminuindo de novo”. Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.
E escuta esta parábola perfeita: Alice tinha diminuído tanto de tamanho que tomou um camundongo por um hipopótamo. Isso acontece muito, Mariazinha. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte. É isso mesmo. A alma da gente é uma máquina complicada que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e de rinicerontes que parecem camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nossos domínios disfarçado de camundongo. E como tomar o pequeno por grande e o grande por pequeno é sempre meio cômico, nunca devemos perder o bom humor.
Toda pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para o humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para o humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para as grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado, Maria, com as grandes ocasiões.
Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: “Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas”.
Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida: É feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor, Maria da Graça.

(Paulo Mendes Campos, Para Maria da Graça, in Para gostar de ler; São Paulo, Ática, 1979.)





Pense sobre religião… dispense certas armas…

27 04 2009

Eu tenho uma religião, a minha religião, e mesmo até mais do que todos eles, com as suas mesmices e charlatanices.
Eu creio em Deus! Creio no Ente Supremo, em um Criador, qualquer que seja, pouco importa, que nos pôs neste mundo para desempenharmos os nossos deveres de cidadãos e de pais de família; mas o que não preciso é ir a uma igreja beijar as salvas de prata, engordar com a minha algibeira uma súcia de farsantes que vivem muito melhor do que nós!
Porque o podemos venerar de qualquer maneira, em um bosque, em um campo, ou mesmo contemplando a abóbada celeste, como faziam os antigos.
O meu Deus, é o Deus de Sócrates, de Franklin, de Voltaire e de Béranger!
Eu sou pela “profissão de fé do vigário saboiano” e pelos princípios imortais de 1789!
Por isso não admito um Deus que passeie no seu jardim de bengala na mão, que aloje amigos no ventre das baleias, morra soltando um grito e ressuscite ao fim de três dias: coisas absurdas por si mesmas e completamente opostas, além disso, a todas as leis da física; o que nos demonstra, de resto, que os padres têm sempre permanecido em uma ignorância torpe, na qual se esforçam por mergulhar as populações.”

Trecho do Livro ” Madame Bovary de Gustave Flaubert – 1857)

Enviado por: Lou Jezebel (shn1319@hotmail.com)





Brincando de Contente em Poliana

18 02 2009

Se você nunca leu Poliana, livro esrito por Eleanor H. Porter, você deve estar se perguntando primeiro

que livro é este e depois que ‘raio’ de brincadeira é essa.

Poliana é um livro que trata da história de uma menina chamada Poliana,
que após a morte de todos os seus parentes próximos é mandada para a casa de uma tia rica, que por sinal
só a recebe por ter o dever, lá ela é obrigada a ficar em um quartinho feio e ‘nu’ em comparação a todos os
outros maravilhosos quartos da casa de sua tia . Nos primeiros dias de sua estadia, ela já descobre o quão
má pode ser a sua tia, mas isso não a chateia, afinal ela é uma ávida jogadora do Jogo do Contente.
Vou colocar aqui, a passagem de um livro onde ela diz como o pai a ensinou este jogo:
“- Você é um bocado estranha, menina. Está sempre alegre com tudo e com todos – observou a empregada, lembrando-se do
que acontecera no quartinho do sótão.
- Faz Parte do jogo, entende? – e a menina sorriu.
- Que jogo?
- O ‘jogo do contente’
- Quem meteu isso na sua cabeça, meu bem?
- Foi meu pai. É um jogo lindo. Desde que eu era criança brincava disso.
Depois ensinei às senhoras da ‘Auxiliadora’ e elas também gostaram.
- Como é que se joga? – quis saber Nancy.- Não entendo muito de jogos.
Poliana sorriu e depois de um suspiro, disse:
- Tudo começou por causa de umas muletas que vieram na caxa de donativos para o missionário.
- Muletas? – admirou-se Nancy.
- Isso mesmo. Eu tinha pedido uma boneca a papai e, quando a caixa chegou,
só havia um par de muletas para criança. Foi assim que começou.
- E onde é que está o jogo?
- Bem, o jogo se resume em encontrar alegria, sejá lá no que for – conluiu Poliana, séria. – Começamos com as muletinhas.
- E onde está a alegria – estranhou Nancy. – Encontrar muletas em lugar de bonecas…
- É isso aí – e a menina bateu palmas de contente. – No começo também não entendi.
Depois, com calma, papai me explicou tudo.
- Então, explique-me também.
- Fiquei alegre justamente porque não precisava de muletas – esclareceu Poliana. – Viu como é fácil?
- Ora, isso é bobagem! -exclamou Nancy
- Nada de bobagem. O jogo é lindo. Desde aquele dia, quando acontece alguma coisa ruim,
mais engraçada fica o jogo. Difícil foi quando papai morreu e eu fiquei sozinha com as senhoras da ‘Auxiliadora’…
- E quando viu aquele quartinho feio, sem tapetes, sem quadros, sem graça? Como foi? – perguntou Nancy.
- Foi duro. Eu me senti tão só! Naquela hora não tive vontade de ‘jogar’. Só me lembrava do que
eu tanto havia desejado. Depois, lembrei-me do espelho e das minhas sardas e fiquei alegre.
E o ‘quadro’ da janela me deixou mais contente ainda. Com um pouco de esforço,
conseguimos gostar do que encontramos e esquecer o que queríamos achar”





Trecho Livro “O Pequeno Príncipe”

15 02 2009

é mais ou menos assim
- Por favor não sofra. Eu parecerei morto mas não será de verdade. É apenas mto longe para carregar este corpo junto.Vc compreende, náo é? Esta parte de mim será como uma velha casca abandonada. E uma casca velha não é triste, é? Minha estrela é tão pequena, eu não posso mostrar onde ela fica. Vou voltar prá lá agora, mas antes de partir gostaria de te dar uma coisa…

- Eu só quero escutar o seu riso outra vez!
- Você irá me ouvir rindo mto mais do que antes por que numa daquelas estrelas estarei rindo, mas nao saberei em qual delas. Então todas estarão rindo. Todas as estrelas! Será como um montão de risos pendurados em cada estrela do céu.

Contribuição… Claudia Milena





Melhores frases de Victor Hugo

11 02 2009

Origem: Wikiquote, a coletânea de citações livre.

Victor Hugo
Victor Hugo
Veja também…
Biografia na Wikipédia
Multimídia no Wikimedia Commons
Trabalhos no Domínio Público

Victor Hugo (26 de fevereiro de 180222 de maio de 1885), foi um escritor francês, autor de “Les Miserábles” (“Os Miseráveis”).


Tabela de conteúdo

[esconder]

- Savoir au juste la quantité d’avenir qu’on peut introduire dans le présent, c’est là tout le secret d’un grand gouvernement.
- Victor Hugo; “Tas de Pierres” (1848).
  • “O maior sonho dos heróis é ser grande em todos os lugares e pequeno com o seu pai.”
- Le rêve du héros, c’est d’être grand partout et petit chez son père
- “La légende des siècles: nouvelle série”, v.2 – Página 105; de Victor Hugo – Publicado por Calmann Lévy, 1877
- La mélancolie c’est le bonheur d’être triste
- “Les travailleurs de la mer” – Página 236; de Victor Hugo – Publicado por A. Lacroix, Verboeckhoven & ce., 1869 – 275 páginas
  • “A palavra, como se sabe, é um ser vivo.”
- Car le mot, qu’on le sache, est un être vivant
- “Les contemplations”, volume 1; Por Victor Hugo; Publicado por Hachette et Cie., 1858 página 39
- On résiste à l’invasion des armées; on ne résiste pas à l’invasion des idées.
- Fonte: “Histoire d’un Crime” (1877)
  • “A verdade é como o Sol. Ela permite-nos ver tudo, mas não deixa que a olhemos.”
- La vérité est comme le soleil. Elle fait tout voir et ne se se laisse pas regarder
- “Philosophie p. 302 [1865-1866 ?], citado in “OEuvres complètes”, volume 13 – Página 695; de Victor Hugo, Jean Massin – Publicado por le Club français du livre, 1967

Atribuídas

Este artigo ou secção não cita as suas fontes ou referências. Ajude a melhorar este artigo providenciando fontes fiáveis e independentes.
- Celui qui ouvre une porte d’école, ferme une prison.
  • “Passamos metade da vida à espera daqueles que amamos, e outra a deixar os que amamos.” [carece de fontes?]
  • “A suprema felicidade da vida é a convicção de ser amado por aquilo que você é, ou melhor, apesar daquilo que você é.” [carece de fontes?]

Obras

Os Miseráveis

  • “O belo é tão útil quanto o útil. Talvez até mais”.
- Le beau est aussi utile que l’utile. – Il ajouta après un silence: Plus peut-être.
- Victor Hugo, Les Misérables
  • “A sociedade humana não lhe tinha feito senão mal: nunca lhe encarara senão o rosto carregado a que ela chama justiça, e que mostra àqueles a quem fere.”
- Fonte: “Os Miseráveis” – Tomo I, Parte Primeira, Livro Segundo, Cap. VII (O Âmago da Desesperação) sobre Jean Valjean, o condenado das galés.
  • “Depois de ter julgado a sociedade que o fizera desgraçado, julgou a Providência, que fizera a sociedade, e condenou-a também.”
- Fonte: “Os Miseráveis” – Tomo I, Parte Primeira, Livro Segundo, Cap. VII (O Âmago da Desesperação) sobre Jean Valjean, o condenado das galés.
- Fonte: “Os Miseráveis” – Tomo I, Parte Primeira, Livro Primeiro, Cap. VII (O Âmago da Desesperação)
- Fonto “Os Miseráveis” – O interior da Angústia. (uma indagação de Jean Valjean)
- Fonte: “Os Miseráveis” – Tomo I, Parte Primeira, Livro Terceiro, Cap. I (O Ano de 1817)
- Fonte: “Os Miseráveis” – Tomo I, Parte Primeira, Livro Terceiro, Cap. II (Duplo Quarteto)
  • “Há um modo de fugir que se assemelha a procurar.”
- Fonte: “Os Miseráveis” – Tomo I, Parte Primeira, Livro Terceiro, Cap. II (Duplo Quarteto)
  • “As realidades da alma, por não serem visíveis e palpáveis, nem por isso deixam de ser também realidades”
- Fonte: “Os Miseráveis” – Uma tempestade sob um crânio
  • “Ó impiedosa marcha das sociedades humanas, em que não se dá atenção aos homens e às almas que se vão perdendo!”
- Fonte: “Os Miseráveis” – Ondas e Sombras
  • “O mar é a inexorável escuridão social a que a penalidade arremessa seus condenados. O mar é a imensa miséria!”
- Fonte: “Os Miseráveis” – Ondas e Sombras
  • Chega sempre a hora em que não basta apenas protestar: após a filosofia, a acção é indispensável.”
  • “Amar ou ter amado é o bastante. Depois, não exijam mais nada. Além dessa não existe outra pérola escondida entre as dobras escuras da vida. Amar é completar-se”.
- Fonte: “Os Miseráveis” – Tomo II.
- La pensée est le labeur de l’intelligence, la rêverie en est la volupté.
- Les Miserables, Victor Hugo, ed. J. Hetzel et A. Hetzel e A. Quantin, 1882, Parte IV, chap. 1, p. 1, p. 71
- Remplacer la pensée par la rêverie, c’est confondre un poison avec une nourriture.
- Les Misérables, Victor Hugo, éd. J. Hetzel et A. Quantin, 1882, partie IV, chap. 1, p. 71

Os Trabalhadores do Mar





Eleanor Marx – trecho livro

19 01 2009

“Há vários dias não consigo dormir. Passo as noites em claro, do começo ao fim. É como se uma das feiticeiras de Macbeth tivesse dado a mim o seu castigo: ‘Eu a deixarei seca como o feno e o sono, dia e noite, manter-se-á longe de seus olhos.’
No lugar do sono, são os pensamentos que vêm sem parar, em ondas obsessivas, e eu me afogo neles, tento fugir, escapar, contar carneiros, pensar na casa de Grafton Terrace, pensar nos meus tempos felizes, mas nada adianta. Os pensamentos são por demais dominadores, são mais fortes do que minha vontade. Tomam conta de minha cabeça e não me deixam, mesmo quando eu vejo a temível claridade do sol romper a névoa e se insinuar pouco a pouco pelas cortinas. Não quero tomar drogas; anos atrás, depois da morte de minha mãe, quando passei por noites assim, tentei várias drogas mas sempre me senti pior. É esgotante não poder dormir e temo o completo colapso. Quero escapar das minhas obsessões, quero enfiá-las em um saco e jogá-las pela janela, quero destruí-las, queimá-las, matá-las, mas não sei fazer isso. Não consigo. Minha cabeça parece completamente cheia e, ao mesmo tempo, oca. Ou sou eu toda que estou vazia e oca, não sei bem.

Trecho do livro “Eleanor Marx, filha de Karl”

E minha estimada Sheila nicoliche (shn1319@hotmail.com) continua com sua “tão suave doce loucura”…





Aquilo em que se Tem Mais Vaidade é o Corpo

6 11 2008

Aquilo em que se tem mais vaidade é o corpo. Mesmo que aleijado, há sempre um pormenor que nos envaidece. Compô-lo. Arranjá-lo. O careca puxa o cabelo desde o cachaço ou do olho do cú para tapar a degradação. O marreco faz peito. O espelho é para todos o grande dialogante. Passa-se a uma vitrina e olha-se de soslaio a ver como se vai. Uma mulher perfeita (e um homem) não inveja o intelectual, o artista. O inverso é que é. Muitas mulheres (e homens) cultivam a excepcionalidade do seu espírito ou engenho por complexo ou vingança. Quando se não tem já vaidade no corpo, está-se no fim. Mas mesmo num leito de morte nos queremos «compostos». «Não me descomponhas» — disse a marquesa de Távora ao carrasco, uns momentos antes de ser decapitada. Tomam-se providências para como se há-de ir no caixão. A degradação do corpo é a última coisa que se aceita. Hoje lavei o carro e vesti um calção para me não molhar. Dei uma vista de olhos ao espelho. Grumos, tumefacções pelas pernas. Não gostei. Não muito tempo. Lembrou-me um certo professor. Tinha a bossa da oratória. E então contava: escrevia um discurso e lia. Parecia-lhe péssimo. Lia outra vez e outra. E a certa altura, sem emendar nunca uma vírgula, já lhe não parecia tão mau. A realeza em nós é um imatismo. Como no Menon de Sócrates, o que há é que descobri-la.

Vergílio Ferreira, in ‘Conta-Corrente 1′





O Homem não Foge da Dor – Quer poder!

24 07 2008

Não é verdade que o homem procure o prazer e fuja da dor. São de tomar em conta os preconceitos contra os quais invisto. O prazer e a dor são consequências, fenómenos concomitantes. O que o homem quer, o que a menor partícula de um organismo vivo quer, é o aumento de poder: é em consequência do esforço em consegui-lo que o prazer e a dor se efectivam; é por causa dessa mesma vontade que a resistência a ela é procurada, o que indica a busca de alguma coisa que manifeste oposição.
A dor, sendo entrave à vontade de poder do homem, é portanto um acontecimento normal – a componente normal de qualquer fenómeno orgânico. E o homem não procura evitá-la, pois tem necessidade dela, já que qualquer vitória implica uma resistência vencida.
Tome-se como exemplo o mais simples dos casos, o da nutrição de um organismo primário; quando o protoplasma estende os pseudópodes para encontrar resistências, não é impulsionado pela fome, mas pela vontade de poder; acima de tudo, ele intenta vencer, apropriar-se do vencido, incorporá-lo a si. O que se designa por nutrição é pois um fenómeno consecutivo, uma aplicação da vontade original de devir mais forte.
Em tudo isto, a dor não só tem por consequência necessária a diminuição da sensação de poder, como até serve, na maioria dos casos, como excitante da mesma sensação de poder, sendo o obstáculo um stimulus dessa vontade de poder.

Friedrich Nietzsche, in ‘A Vontade de Poder’





A Inveja é uma Admiração que se Dissimula

23 07 2008

A inveja é uma admiração que se dissimula. O admirador que sente a impossibilidade de ser feliz cedendo à sua admiração, toma o partido de invejar. Usa então duma linguagem diferente, segundo a qual o que no fundo admira deixa de ter importância, não é mais do que patetice insípida, extravagância. A admiração é um abandono de nós próprios penetrado de felicidade, a inveja, uma reivindicação infeliz do eu.

Soren Kierkegaard, in “O Desespero Humano”





16 07 2008

“Prefiro as pessoas que andam sobre a Terra com um véu recobrindo-lhe a essência. Um quê de mistério é fundamental. Deixar-se conhecer totalmente é um ato pornográfico! Quem não mantém um segredo é uma esfinge revelada: não tem mais nada para nos oferecer. A doce inquietude e desejo que algumas pessoas nos causam têm berço numa incógnita; vive naquela área que não tolera hospédes ou mesmo visitas. Recuso-me a ser totalmente transparente. Não quero que enxerguem através de mim. Quero que enxerguem a mim.”

(Alessandro Otávio Yokohama).Professor de aum xará aí… Fábio Macedo





Cama de Procusto (Mito grego)

7 07 2008

Quantas vezes forçamos os outros a entrarem nas nossas medidas? Quantos psicólogos querem encaixar os clientes em suas teorias? Quantos casais forçam os outros a viver suas vidas, do seu jeito?

Esse mito grego, anuncia sobre a liberdade e que a relação com o outro não muda, apenas veste outras roupagens.

Reflita…

“Procusto (ou Procusta), que significa “o estirador”, foi o apelido dado a Damastes, personagem da mitologia grega que vivia perto da estrada de Eleusis. Costumava atrair viajantes solitários para a sua pousada, oferecendo-lhe abrigo para passar a noite. Acreditava-se que ele tinha dois leitos de ferro, um menor que o outro, que ele escolhia dependendo da altura do visitante.

Depois que a vítima adormecia, Procusto a dominava e tratava de adequar o corpo às medidas exatas do leito: se ele era alto e os pés sobressaíam da borda, ele os amputava com um machado; se era baixo e tinha espaço de folga, ele esticava os membros com cordas e roldanas.

Originalmente chamado de Damastes ou Polípemon, ele adquiriu o nome de Procusto (“o Estirador”) pelo estranho castigo que dava a suas vítimas.

Teseu terminou com a obsessão homicida de Procusto, obrigando-o a deitar no seu próprio leito, atravessado, e cortou todas as partes do corpo de Procusto que sobraram fora da cama.”





Não se acostume!

7 07 2008

“Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário. Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas. Se achar que precisa voltar, volte! Se perceber que precisa seguir, siga! Se estiver tudo errado, comece novamente. Se estiver tudo certo, continue.Se sentir saudades, mate-a. Se perder um amor, não se perca! Se o achar, segure-o!”

(Fernando Pessoa)




A Crítica na política, na vida e em você!

28 06 2008

“A questão não é bater ou não bater. É saber bater.

A crítica contumaz, como o elogio contumaz, soam iguais. Enchem o saco. E delimitam um conceito lógico na cabeça do cidadão-eleitor: quem ataca sempre, perde a credibilidade. Igualzinho a quem elogia sempre.

Melhor equilibrar, nem que seja para salvar aparências. É mais inteligente.

Se quiserem um veneno melhor – é o silêncio, o desprezo, a não-notícia, a não-crítica e o não-elogio.

O certo, mesmo, é seguir o intuição do fato notório. O que é, é. O que não é, não é. E pronto.”

Fonte: http://aderbalmachado.blogspot.com/





Um Ser Revoltante e Falso

26 06 2008

Quanta felicidade dá a grata suavidade das coisas! Como a vida é cintilante e de bela aparência! São as grandes falsificações, as grandes interpretações que sempre nos têm elevado acima da satisfação animal, até chegarmos ao humano. Inversamente: que nos trouxe a chiadeira do mecanismo lógico, a ruminação do espírito que se contempla ao espelho, a dissecação dos instintos?
Suponde vós que tudo era reduzido a fórmulas e que a vossa crença era confinada à apreciação de graus de verosimilhança, e que vos era insuportável viver com tais premissas… que fazíeis vós? Ser-vos-ia possível viver com tão má consciência?
No dia em que o homem sentir como falsidade revoltante a crença na bondade, na justiça e na verdade escondida das coisas, como se ajuizará ele a si mesmo, sendo como é parte fragmentária deste mundo? Como um ser revoltante e falso?

Friedrich Nietzsche, in ‘A Vontade de Poder’