Ecos da Vida

30 09 2009

Um pequeno garoto e seu Pai caminhavam pelas montanhas.

De repente o garoto cai, se machuca e grita :

- Aai !!!

Para sua surpresa escuta a voz se repetir, em algum lugar da montanha :

- Aai !!!

Curioso, pergunta : – Quem é você ?

Recebe como resposta : – Quem é você ?

Contrariado, grita : – Seu covarde !!!

Escuta como resposta : – Seu covarde !!!

Olha para o pai e pergunta aflito : – O que é isso ?

O Pai sorri e fala : – Meu filho, preste atenção !!!

Então o pai grita em direção a montanha : – Eu admiro você !

A voz responde : – Eu admiro você !

De novo o homem grita : – Você é um campeão !

A voz responde : – Você é um campeão !

O garoto fica espantado sem entender nada.

Então o pai explica :

As pessoas chamam isso de ECO, mas na verdade isso é a VIDA.

Ela lhe dá de volta tudo o que você diz ou faz.

Nossa vida é simplesmente o reflexo das nossas ações.

Se você quer mais amor no mundo, crie mais amor no seu coração.

Se você quer mais responsabilidade da sua equipe, desenvolva a sua
responsabilidade.

Se você quer mais tolerância das pessoas, seja mais tolerante.

Se você quer mais alegria no mundo, seja mais alegre.

Tanto no plano pessoal quanto no profissional, a vida vai lhe dar de
volta o que você deu a ela.

SUA VIDA NÃO É UMA COINCIDÊNCIA;

SUA VIDA É A CONSEQÜÊNCIA DE VOCÊ MESMO !!!





Cópias da amiga Carol

3 06 2009

Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

“[...] Ah, o deus das fadas fica tão triste se a gente deixa
De ver o pôr do sol!
A linha vermelha, puxa uma carruagem cheia de estrelas,
Onde está a deusas dos sonhos e seu pó mágico,
Que faz a gente sonhar coisas lindas…
Quando vocês estiverem tristes, pensem em coisas lindas:
Balas, travessuras, carinho, carrinho, beijo de mãe,
Brincadeira de queimado, árvore de natal,
Árvore de jabuticaba, céu amarelo, bolas azuis,
Risadas, colo de pai, história de avó…
Quando vocês forem grandes e acharem que a vida não é linda
Pensem em coisas lindas.
Mas pensem com força, com muita força,
Porque aí o céu vai ficar cheio de vacas gordas amarelas,
Cachorro bonzinho, bruxa simpática,
Sorvete de chocolate, caramelos e amigos! [...]“

Domingo, 12 de Abril de 2009

Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.

Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.

Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo – esperança!
- Vê que nem sequer sonho – amor!

Cecília Meireles

Terça-feira, 7 de Abril de 2009

Que a mulher que eu amo
seja pra sempre amada
mesmo que distanteporque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade

(Oswaldo Montenegro)

Domingo, 29 de Março de 2009

“Nada é permanente, exceto as mudanças.”

Heráclito





Pense sobre religião… dispense certas armas…

27 04 2009

Eu tenho uma religião, a minha religião, e mesmo até mais do que todos eles, com as suas mesmices e charlatanices.
Eu creio em Deus! Creio no Ente Supremo, em um Criador, qualquer que seja, pouco importa, que nos pôs neste mundo para desempenharmos os nossos deveres de cidadãos e de pais de família; mas o que não preciso é ir a uma igreja beijar as salvas de prata, engordar com a minha algibeira uma súcia de farsantes que vivem muito melhor do que nós!
Porque o podemos venerar de qualquer maneira, em um bosque, em um campo, ou mesmo contemplando a abóbada celeste, como faziam os antigos.
O meu Deus, é o Deus de Sócrates, de Franklin, de Voltaire e de Béranger!
Eu sou pela “profissão de fé do vigário saboiano” e pelos princípios imortais de 1789!
Por isso não admito um Deus que passeie no seu jardim de bengala na mão, que aloje amigos no ventre das baleias, morra soltando um grito e ressuscite ao fim de três dias: coisas absurdas por si mesmas e completamente opostas, além disso, a todas as leis da física; o que nos demonstra, de resto, que os padres têm sempre permanecido em uma ignorância torpe, na qual se esforçam por mergulhar as populações.”

Trecho do Livro ” Madame Bovary de Gustave Flaubert – 1857)

Enviado por: Lou Jezebel (shn1319@hotmail.com)





Somos o que repetidamente fazemos por Luiz Carlos F. Navarro

20 04 2009

“Somos o que repetidamente fazemos. A excelência, portanto, não é um feito, mas um hábito”.
ARISTÓTELES

Hoje em minha caminhada matinal observei um fato comum em nossos dias conturbados de trânsito, um motorista distraído ultrapassando outro motorista de maneira abrupta e sem aviso prévio através da lanterna pisca-pisca. O resultado você já imaginou, o motorista que se sentiu prejudicado e violentado, mais do que depressa e de maneira abrupta e sem aviso prévio, através da lanterna pisca-pisca, ultrapassou aquele que o havia fechado, e quando fazia a ultrapassagem olhou para o lado esquerdo com um semblante de ódio mortal… Sem perceber que segundos atrás fazia o mesmo, quando furioso, ultrapassava quase causando um acidente com os veículos que trafegavam à sua direita.

Comentando com um amigo, que é viajante, ele disse: “- Não agüento mais as estradas e os trânsitos das cidades, vou mudar de profissão.”

Conversando com um cliente, que possui uma industria de processamento de sub-produtos de couro, ele reclamava da falta de comprometimento dos funcionários da produção: “- Todo dia falta um funcionário, hoje para piorar faltaram dois, estou precisando reformar a minha linha de processo para automatizar ao máximo, e depender menos de mão-de-obra.”

Quantas pessoas conhecemos e até nós mesmos, mudamos constantemente de cidade, de casa ou estamos sempre reformando algo. É como se estivéssemos procurando nos livrar de algo que nos incomoda, que nos perturba, e em muitos casos adoecemos por causa dessa coisa, que muitas vezes nem sabemos o que é. O nosso erro é acreditarmos que esta “coisa desconhecida” está do nosso lado de fora e não do nosso lado de dentro.

Quando mudamos de cidade, de casa, de emprego ou de amigos, estamos apenas alterando locais e pessoas, mas a “coisa desconhecida”, continua lá dentro. Quando reformamos, nossa casa apenas as paredes, o telhado ou o jardim ficam novos, mas o alicerce e a estrutura da casa continuam os mesmos. É o que acontece conosco, podemos mudar tudo ao nosso redor, mas o nosso interior, as nossas crenças, os nossos paradigmas, os nossos limites, os nossos medos, os nossos conceitos, os quais formam a nossa visão de mundo, são eles que ditarão os nossos bons e maus pensamentos, as nossas boas ou más conversas, os nossos bons ou maus atos, enfim eles moldarão os nossos hábitos e de toda a humanidade.

Temos alguns exemplos na história, de personalidades que transformaram o rumo da humanidade através da própria Trans-forma-ação interior:
- Sidarta Gauthama, mudou-se da cidade dos reis para o campo. Reformou-se no convívio dos eremitas. Mas só Transformou-se em Buda, com a iluminação interior.
- Jesus mudou-se de Nazaré na Galiléia, para Jerusalém na Judéia. Reformou-se em 40 dias e 40 noites no deserto. Porém, a Transformação para Cristo, ocorreu no Gólgota.
- Gandhi mudou-se de Londres para a África do Sul. Reformou-se interiormente através dos jejuns. Mas só transformou-se em Mahatma, após a prática da antiviolência.

Diz o ditado, “Plante uma idéia, colha um feito; plante um feito, colha um hábito; plante um hábito, colha um caráter; plante um caráter, colha um destino”.

Luiz Carlos F. Navarro é empresário, palestrante, consultor corporativo e eticista.
Visite o site: www.oficinapersona.com.br





Outra pessoa – Martha Medeiros

27 01 2009

Sou fã da Gloria Kalil, uma mulher elegante em sua despretensiosa simplicidade e que consegue ser feminina e categórica ao mesmo tempo – combinação rara. Pois é ela que dá graça e leveza ao quadro Etiqueta Urbana, que apresenta junto com Renata Ceribelli no Fantástico, aos domingos. No último programa (22/07), o assunto era etiqueta nas relações amorosas: o que a intimidade permite e o que não permite. Todos deveriam nascer sabendo, mas há quem se atrapalhe, normal. O que é difícil de acreditar é que ainda exista, como o programa mostrou, mulheres que atendam o celular do parceiro para checar quem está ligando pra ele. Uma moça explicou que faz isso porque se sente no direito de saber quem está atrás do seu marido, e justificou: “se fosse outra pessoa, eu não faria”. No que Gloria Kalil, abismada, alertou: “mas ele é outra pessoa”.

Extra, extra! Notícia quente para quem está chegando agora da lua: nossos namorados, maridos e esposas são outras pessoas. Eles dizem que nos amam, e tudo indica que é verdade, mas isso não significa que o amor possua o dom de fundir o casal. Este ser com quem você divide o teto e as contas continua tendo amigos próprios, clientes próprios, vida própria. Você não vai acreditar: até pensamentos próprios! Pois é, criatura. Seu grande amor nasceu de uma família que não tem nada a ver com a sua, teve uma infância muito diferente da que você teve e viveu muito bem sem sonhar que você iria atravessar o destino dele – claro que, se ele for romântico, vai negar esta última parte e dizer que simplesmente não existiu antes de você aparecer. Como é que você tem coragem de xeretar a privacidade de um sujeito tão sedutor?

Celulares tocam numa tarde de domingo e isso não quer dizer que do outro lado da linha esteja um ricardão ou uma manteúda. Mas pode ser que esteja também, quem aqui tem bola de cristal? Só que não é esta a questão. O assunto em pauta é civilidade, lembra? Tem que ter! Educação segue sendo necessário até pra quem está casado há 82 anos, sem contar os sete de namoro. Se não houver gentileza e respeito, vira barraco. Baixaria. Fiasco. Portanto, pare de achar que está sendo traído e de ficar procurando evidências. Siga o conselho do sábio psiquiatra suíço Adolph Meyer: não coce onde não está coçando.

As relações amorosas seriam muito menos traumatizantes se os envolvidos tivessem a consciência de que estão vivenciando um excitante encontro entre adultos, e não um projeto de mútua adoção. Ninguém é criança, ninguém agüenta monitoramento constante. Morando em casas separadas ou na mesma casa, ele é uma pessoa, você é outra, e é aconselhável que cada um respire com o próprio nariz, pra não acabar em asfixia.

Martha Medeiros





Uma poeta…

27 11 2008

“…às vezes vem uma vontade de ser só….
desejos da carne se misturam com desejos da alma…”

Um dia um amigo me disse: Não sei como alguém consegue viver ao seu lado.

Dei a ele vários exemplos de pessoas que estiveram comigo e não queriam se separar de mim….precisava provar a ele que eu não era tão difícil assim.

Ele disse: O problema é que vc tem “encantamento”, vc encanta as pessoas e elas não percebem que na verdade não se trata de amor….é só “encantamento”.

Não sei se ele tem razão, mas se for verdade, gostaria muito de saber usar esse “encantamento” comigo mesma.

Colaboradora: Sheila nicoliche





“Primeiro os deveres, depois os direitos”

21 11 2008

Fonte: Caro Jean Senem me ofertou de suas leituras.

O Presidente francês Nicolas Sarlizy, pronunciou um importante discurso de posso, que revela muita coragem e lucidez na defesa da honestidade, da verdade e da lealdade contra os falsos valores de uma filosofia materialista que campeia nas universidades e na imprensa de modo geral. Há muito não tinha lido um discurso tão importante, por isso o reproduzo aqui a seguir.

O discurso do Presidente serve muito bem para muitos de nossos intelectuais brasileiros, dominados pelo marxismo cultural, ateu e laicista, promotor da agitação e da desordem, que fomenta ações fora da lei e a destruição da moral. São aqueles, por exemplo, que moram em belos apartamentos nos melhores bairros das grandes cidades, recebem um belo salário, bebem uísque importado, e dizem que amam Cuba e decantam as maravilhas do comunismo cubano de Fidel Castro, mas depois vão passar suas férias em Paris. Usam a cátedra pública para envenenar as cabeças dos seus alunos, recebendo belos salários do Estado.
…………………………
O discurso do Presidente da França

“Primeiro os deveres, depois os direitos” “Derrotamos a frivolidade e a hipocrisia dos intelectuais progressistas. O pensamento único é daquele que sabe tudo e que condena a política enquanto a mesma é praticada. Não vamos permitir a mercantilização do mundo onde não há lugar para a cultura: desde 1968 não se podia falar da moral. Haviam-nos imposto o relativismo.

A idéia de que tudo é igual, o verdadeiro e o falso, o belo e o feio, que o aluno vale quanto o mestre, que não se pode dar más notas para não traumatizar o mau estudante. Fizeram-nos crer que a vítima conta menos que o delinqüente. Que a autoridade estava morta, que as boas maneiras haviam terminado. Que não havia nada sagrado, nada admirável. Era o slogan de maio de 1968 nas paredes da Sorbonne: “Viver sem obrigações e gozar sem trabalhar”. Quiseram terminar com a escola de excelência e do civismo. Assassinaram os escrúpulos e a ética.

Uma esquerda hipócrita que permitia indenizações milionárias aos grandes executivos e o triunfo do predador sobre o empreendedor. Esta esquerda está na política, nos meios de comunicação, na economia. Ela tomou o gosto do poder. A crise da cultura do trabalho é uma crise moral. Vou reabilitar o trabalho. Deixaram sem poder as forças da ordem e criaram uma farsa: “abriu-se uma fossa entre a política e a juventude”. O vândalos são bons e a polícia é má. Como se a sociedade fosse sempre culpada e o delinqüente, inocente. Defendem os serviços públicos, mas jamais usam o transporte coletivo. Amam tanto a escola pública, e seus filhos estudam em colégios privados. Dizem adorar a periferia e jamais vivem nela.

Assinam petições quando se expulsa um invasor de moradia, mas não aceitam que o mesmo se instale em sua casa. Essa esquerda que desde maio de 1968 renunciou ao mérito e ao esforço, que atiça o ódio contra a família, contra a sociedade e contra a República. Isso não pode ser perpetuado num pais como a França e por isso estou aqui. Não podemos inventar impostos para estimular aquele que cobra do Estado sem trabalhar. Quero criar uma cidadania de deveres. “Primeiro os deveres, depois os direitos”.





Dez coisas que levamos anos para aprender

9 10 2008

(Luis Fernando Veríssimo)

1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom ou empregado, não pode ser uma boa pessoa.

(Esta é muito importante. Preste atenção, nunca falha)

2. As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.

(Tá cheio de gente querendo te converter!)


3. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.

(Na maioria das vezes quem tá te olhando também não sabe! Tá valendo!)


4. A força mais destrutiva do universo é a fofoca.

(Deus deu 24 horas em cada dia para cada um cuidar da sua vida e tem gente que insiste em fazer hora-extra! )

5. Não confunda sua carreira com sua vida.

(Aprenda a fazer escolhas!)

6. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite.

(Quem escreveu deve ter conhecimento de causa!)

7. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu

(e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria   ‘reuniões’.
(Onde ninguém se entende… Com exceção das reuniões que acontecem nos botecos…)

8. Há uma linha muito tênue entre ‘hobby’ e ‘doença mental’.

(Ouvir música é hobby… No volume máximo as sete da manhã pode ser doença mental!)

9. Quem traiu uma vez, pode se arrepender e não trair mais, mas quem traiu mais de uma vez, com certeza traíra tres, quatro etc….

(Nunca falhou, dito pelo próprios traidores)

10. Lembre-se: nem sempre os profissionais são os melhores. Um amador construiu a Arca.
Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic.

(É Verdade mesmo!!!)

“Guardar ressentimentos é como tomar veneno
e esperar que outra pessoa morra“. William Shakespeare





Surfando o caos

30 06 2008

Fonte: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/

Conheça a história de Timothy Leary, psicólogo e guru de John Lennon, cujos momentos finais foram acompanhados por Claudio Tognolli

“Viver é surfar o caos. Você não pode modificá-lo, mas pode aprender a lidar com ele surfando seus limites. Tem mais, meu caro: ninguém é realmente místico por mais de cinco minutos. Não está contente ainda? Te digo uma coisa que aprendi na minha vida, aprendi muito profundamente: toda a realidade que nos cerca não passa de uma opinião”.

Foi o que ouvi de Leary em seu leito de morte. Ele havia sido meu co-orientador de mestrado, um estudo sobre como os clichês de linguagem se formam na consciência. A amizade foi travada após uma reportagem, em 1989, sobre o “boom” do consumo de LSD em São Paulo, em 1989. Eu ajudei a trazê-lo para o Brasil, em 1991, para uma série de palestras. Daí, ficamos amigos.

Estive com Leary em seus últimos dias, em seu leito de morte, na casa de Sunset Boulevard, em Beverly Hills, Los Angeles. Leary morreu a 31 de maio de 1996, aos 76 anos de idade, de câncer na próstata. Necessitou de gente famosa do cinema para limpar-lhe as fraldas geriátricas, coisa que nenhuma enfermeira queria fazer. Teve obras de pop art raras e valiosas pilhadas de sua casa em quanto definhava. Jovens na flor da adolescência levavam-lhe drogas a granel, para que suportasse as dores do câncer –tantas e tamanhas, refere o livro, que em seus últimos dias, Leary sugava óxido nitroso (gás hilariante) direto do bocal do cilindro disposto ao lado de sua cama, para atenuar-lhe as pontadas.

Timothy Leary, Phd expulso de Harvard por seu evangelho irascível, hedonista e irresponsável para as padrões da clerezia acadêmica, nivelou seu destino com as figuras mais importantes do mundo cultural. Foi amigo de toda a geração beat, travou debates intransitivos com gente como Aldous Huxley, virou refrão de músicas dos Moody Blues e do The Who. Concorreu com Ronald Reagan ao governo da Califórnia, nos anos 60, e sua campanha teve um jingle composto por John Lennon – que, jamais empregado por Leary, acabou virando a faixa dos Beatles Come Together.

Queria saber de mim, entre sugadas de óxido nitroso, como andava sua ex-mulher, Bárbara, que o trocou pelo socialite paulista Kim Esteve. “Diga a Bárbara que eu a amo. Ela jamais poderia suportar uma coisa assim”, disse-me Leary, levantando sua camisola para mostrar as chagas deixadas na pele pelo tumor que o estiolava.

Ao lado de porções, também, de Gene Rodenberry, criador da série Star Trek, pedacinhos de poeira de Timothy Francis Leary passam sobre as nossas cabeças a cada 96 minutos, desde abril de 1997. O avô da contracultura, guru de John Lennon e dos Beatles, pai da lisergia e apóstolo do evangelho da irresponsabilidade, sonhava pela remissão de seus restos mortais ao espaço. Junto com pó de ouro. Assim se fez. Daqui a alguns anos, a gravidade irá puxá-lo de volta. Seu pó se transformará em nada, consumido pela chama do impacto contra atmosfera.

Leary nasceu a 22 de outubro de 1920 na terra justamente dos Simpsons: Springfield, Massachusetts. Graduou-se em psicologia pela Universidade do Alabama, em 1943. Três anos depois, virava mestre pela Washington State University e, em 1950, ganhava o status de Ph.D. pela Universidade da Califórnia, Berkeley. Foi diretor de pesquisas psiquiátricas da Fundação Kaiser, entre 1955-58 e professor de Harvard entre 1959-1963. De Harvard foi expulso por pregar o uso de drogas psicodélicas.

No auge de sua fama, em 1967, Leary disparou sua frase mais polêmica. Para manter tradição de seu caráter irascível, a frase era contra ele mesmo: “Todas as chances são de que eu esteja errado no que faço, porque, como profeta visionário, vocês sabem, sou daquela turma em que um a cada cem está certo, e os outros 99 são absolutamente malucos. Estas são as chances neste jogo, mas a história irá dizer a verdade”.

Seu slogan, “ligue-se, sintonize-se e caia fora”, um dos mantras dos anos 60, é o código de comportamento de sua filosofia: afinal, o evangelho da irresponsabilidade prevê que cada um mergulhe dentro de si para encontrar as suas próprias respostas. É claro que, por acreditar que tais viagens interiores deveriam ser feitas com o uso de drogas psicodélicas, Leary pagou um preço alto: foi condenado a 30 anos de cadeia, passou cinco anos na prisão (inclusive ao lado de Richard Manson, assassino da mulher do  cineasta Roman Polanski, a atriz Sharon Tate) e a CIA o capturou no Afeganistão.

A idéia de que o consumo de drogas psicodélicas, ainda que sob supervisão, pudesse ajudar indivíduos adultos e responsáveis em seu “crescimento espiritual” atraiu muita gente para o entorno de Leary. Muito antes disso, nos anos 50, ele já havia se casado com Nena, mãe da atriz Uma Thurman e frequentava o creme de la creme do pensamento psiquiátrico mundial. Certamente porque era um cara brilhante e cativante.

Os problemas de Leary com a lei começaram em 20 de dezembro de 1965, quando foi preso na fronteira dos EUA com o México por posse de maconha. Recebeu 30 anos de cadeia, mas pôde apelar. A 26 de dezembro de 1968 outra prisão, também por posse de maconha. Em 1969 anunciou que iria concorrer ao cargo de governador da Califórnia, tentando bater ninguém menos que Ronald Reagan. Seu lema de campanha era “Come Together, Join the Party”. Em maio de 1969 juntou-se a Yoko Ono e John Lennon no famoso ato pela paz em Montreal, o Bed-In, e foi dali que Lennon tirou a idéia de compor Come Together para a campanha de Leary. Em janeiro de 1970 Leary recebeu sentença de dez anos de cadeia. Escapou, foi para a Argélia, esteve entre os Black Panthers. Fugiu para a Suíça. Dali para Viena, Beirute e Afeganistão, onde foi preso pela CIA. Só conseguiu sair da cadeia em abril de 1976, libertado pelo governador da Califórnia Jerry Brown, depois que o escândalo do Watergate, que chacoalhou a elite republicana e derrubou o presidente Nixon, tirou as autoridades republicanas da bota de Leary.

O movimento de Leary fechou um ciclo que começava nos filósofos pré-socráticos, como Pirro, Zenão de Eléia e Protágoras, para quem, de resto, “só o homem é a medida de todas as coisas, das que são o que são e das que são o que não são”. O mesmo pensamento pré-socrático esteve  presente, no começo  do século 20, na filosofia científica que pautava a mecânica e a física quânticas: afinal de contas, dizia o físico dinamarquês Niels Bohr, quando você vai medir a temperatura da água fervente numa chaleira, a própria temperatura do termômetro (que está frio) já altera a temperatura da água (quente) a ser analisada.

Juntando a filosofia pré-socrática, a mecânica quântica, o chamado Princípio da Incerteza defendido por Bohr, a psicanálise, o dadaísmo, o cubismo, e botando nisso pitadas e gotas de lisergia, Timothy Leary defendia que não há realidade objetiva. Não há instituições. Não há dogmas. Não há ortodoxia. Para ele, o mundo é o mundo de indivíduos dissidentes, que pensam por si próprios e questionam a autoridade a todo o momento. Viver, para Leary, é ser dissidente de tudo e de todos. Não há certezas para o indivíduo. Daí Leary ter confeccionado aquela que talvez seja a sua frase mais criativa: “Viver é surfar o caos. Você não pode modificar a realidade, mas pode surfá-la”.

Verdade? O fato é que nem nisso Leary acreditava muito. Afinal de contas, passou a sua vida tentando modificar o mundo. “Levará pelo menos mais um século para se elevar Leary a seu verdadeiro status”, disse o escritor William Burroughs, de resto um dos famosos que era amigão de Leary. “Ele foi uma das personalidades mais influentes do século 20. O que essa influência deixou como legado, no entanto, permanece a ser definido”, avalia o escritor Robert Forte.

Tim Leary morreu a uma da manhã de 31 de maio de 1996, pouco depois de ter sido visitado por sua afilhada, a atriz Winona Ryder. Sua últimas palavras foram “Por que não???”Leary, de uns tempos para cá, vem sendo apontado como o real pai da Neurolinguística. Mas nem com isso concordaria. Afinal de contas, até com a disciplina que tanto estudou, a psicanálise, ele costumava lutar. “Escreva aí que entrei para a Sociedade dos Psicanalisados Anônimos”, disse Leary a este repórter, pouco antes de morrer –numa fina ironia com as associações de alcoólatras anônimos.

A fama de Timothy Leary no mundo pop foi tamanha que John Lennon lhe compôs Come Together, para ser usada em sua campanha homônima ao governo da Califórnia, contra o ator republicano Ronald Reagan. Leary é citado num dos versos da música The Seeker, da banda inglesa The Who. O maior sucesso da banda The Moody Blues, “Legend of a mind”, traz o nome de Leary no refrão. É citado nas canções “Manchester England” e The Flesh Failures/Let The Sunshine”, do musical de maior sucesso dos anos 70: Hair. Nos anos 90, emprestou sua voz para um refrão da música Fixed, da banda Nine Inch Nails, e também para outro refrão, da canção Left Handshake, da banda Skinny Puppy. Leary foi padrinho da atriz Uma Thurman, com cuja mãe foi casado, e da atriz Wynona Ryder, cujo pai foi um dos arquivistas de Leary. Poetas famosos como Allen Ginsberg, Lawrence Ferlighetti, e escritores de primeiro time, como Aldoux Huxley e William Burroughs, eram amigos pessoais do guru da contracultura. Leary não só era muito citado em músicas como também suas palavras influenciavam o processo de criação das canções. Isso era publicamente admitido por artistas que referiam ter mudado seus estilos após tomarem LSD, o ácido-lisérgico. Como por exemplo: Bob Dylan, que admite ter largado parcialmente o folk após uma viagem, para compor Highway 61 Revisited; Brian Wilson, dos Beach Boys, diz que fez sua obra-prima, o disco Pet Sounds, após seguir os conselhos de Timthy Leary; os Beatles admitiam que jamais teriam composto Sergeant Peppers Lonely Hearts Club Band sem terem tido a influência do guru. -Bill Gates disse numa entrevista à Playboy, em dezembro de 1994, que tomou LSD e se deixou influenciar por Leary em seus anos de Harvard. Steve Jobs, co-fundador da Apple e da Pixar, revelou ao escritor John Markoff que ter seguido os conselhos de Leary foi uma das coisas mais importantes que aconteceu em sua vida.

A biografia de Timothy Leary escrita por John Higgs trás alguns dados bombásticos: como revelações de que Francis Crick, ganhador do Nobel, só percebeu a feição de dupla hélice do DNA após uma viagem lisérgica; o mesmo para Kary Mullis, que levou o Nobel de Química em 1993 por criar o sistema de detecção de DNA, em material ancestral, hoje conhecido como exame de PCR.





O doido da garrafa

14 06 2008

Adriana Falcão


Ele não era mais doido do que as outras pessoas do mundo, mas as outras pessoas do mundo insistiam em dizer que ele era doido.

Depois que se apaixonou por uma garrafa de plástico de se carregar na bicicleta e passou a andar sempre com ela pendurada na cintura, virou o Doido da Garrafa.

O Doido da Garrafa fazia passarinhos de papel como ninguém, mas era especialista mesmo em construir barquinhos com palitos. Batizava cada barco com um nome de mulher e, enquanto estava trabalhando nele, morria de amores pela dona imaginária do nome. Depois ia esquecendo uma por uma, todas elas, com exceção de Olívia, uma nau antiga que levou dezessete dias para ser construída.

Batucava muito bem e vivia inventando, de improviso, músicas especialmente compostas para toda e qualquer finalidade, nos mais variados gêneros. Uai aí aquela da mulher de blusa verde atravessando a rua apressada, e o Doido da Garrafa imediatamente compunha um samba, uma valsa, um rock, um rap, um blues, dependendo da mulher de blusa verde, do atravessando, da rua e do apressada. Geralmente ficava uma obra-prima.

Gostava muito de observar as pessoas na rua, do cheiro de café, de cantar e de ouvir música. Não gostava muito do fato de ter pernas, mas acabou se acostumando com elas. De cabelo ele gostava. Em compensação, tinha verdadeiro horror a multidão, bermudão, tubarão, ladrão, camburão, bajulação, afetação, dança de salão, falta de educação e à palavra bife.

Escrevia cartas para ninguém, umas em prosa, outras em poesia, como mero exercício de estilo.

Tinha mania de dar entrevistas para o vento e já sabia a resposta de qualquer pergunta que porventura alguém pudesse lhe fazer um dia.

Ajudava o dicionário a explicar as coisas inventando palavras necessárias, como dorinfinita.

Adorava álgebra, mas tinha particular antipatia por trigonometria, pois não encontrava nenhum motivo para se pegar pedaços de triângulos e fazer contas tão difíceis com eles.

Conhecia mitologia a fundo.

Tinha angústia matinal, uma depressão no meio da tarde que ele chamava de cinco horas, porque era a hora que ela aparecia, e uma insônia crônica a quem chamava carinhosamente de Proserpina.

Sentia uma paixão azul dentro do peito, desde criança, sempre que olhava o mar e orgulhava-se muito disso.

Acreditava no amor, mas tinha vergonha da frase.

Às vezes falava sozinho, Preferia tristeza à agonia.

Todas as noites, entre oito e dez e meia, era visto andando de um lado para o outro da rua, método que tinha inventado para acabar de vez com a preocupação de fazer a volta de repente, quando achava que já tinha andado o suficiente. (Preferia que ninguém percebesse que ele não tinha para onde ir.) Enquanto andava, repetia dentro da cabeÇa incessantemente a palavra ecumênico sem ter a menor idéia da razão pela qual fazia isso.

Durante o dia o Doido da Garrafa trabalhava numa multinacional, era sujeito bem visto, supervisor de departamento, ganhava um bom salário e gratificações que entregava para a mulher aplicar em fundos de investimento.

No fim do ano ia trocar de carro.

Era excelente chefe de família.

Não era mais doido do que as outras pessoas do mundo, mas sempre que ele passava as outras pessoas do mundo pensavam, lá vai o Doido da Garrafa, e assim se esqueciam das suas próprias garrafas um pouquinho.


Adriana Falcão nasceu no Rio de Janeiro. Seu primeiro livro, voltado para o público infantil, “Mania de Explicação”, teve duas indicações para o Prêmio Jabuti/2001 e recebeu o Prêmio Ofélia Fontes — “O Melhor para a Criança”/2001, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Em 2002, publicou “Luna Clara & Apolo Onze”, seu primeiro romance juvenil. Seu romance “A Máquina” foi levado aos palcos por João Falcão. Na televisão, Adriana colaborou em vários episódios de “A Comédia da Vida Privada”, “Brasil Legal” e “A grande família”, todos da Rede Globo. Adaptou, com Guel Arraes, “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, para a TV, posteriormente levado ao cinema.

Seu livro “O doido da garrafa”, Editora Planeta do Brasil – São Paulo, lançado em abril/2003, e de cuja pág. 71 extraímos o texto acima, contém pequenos contos publicados na revista “Veja Rio” no período de 2001 a 2003.

Fonte: http://www.releituras.com/adrifalcao_doido.asp





Pare de empurrar com a barriga e decida hoje

3 06 2008
Mania de deixar as tarefas para depois atrapalha vida de muita gente
“Eu procrastino, tu procrastinas, ele procrastina…” É… o verbo procrastinar não é mesmo dos mais fáceis de conjugar: tripudia com a língua. Mas a verdade é que, por detrás da palavra de som desagradável e significado pouco conhecido, mora uma expressão fácil, que todo mundo no Brasil já ouviu pelo menos uma vez na vida. Procrastinar, afinal, nada mais é do que o famoso “empurrar com a barriga”. Ou, para usar outro lugar-comum, a mania de deixar para amanhã o que tinha tudo para ser feito hoje.

A forma verbal procrastinar quase sempre é confundida com a forma verbal postergar, explica Airton Soares, professor da Universidade de Fortaleza e autor de, entre outros livros, “O Mundo Fora de Esquadro”. A semelhança, entretanto, é só aparente. “Ambas denotam o ato de preterir, mas não são sinônimas. O procrastinador está sempre deixando as tarefas para o dia seguinte, enquanto quem posterga deixa tudo para ser resolvido numa posteridade indefinida”, explica.

No trabalho intitulado “O que é Procrastinação?”, o psicólogo clínico português, Nuno Conceição, vai mais fundo. Procrastinar, define, implica em deixar que as tarefas menos importantes antecipem as mais importantes: “Por exemplo, socializar com os colegas quando temos um projeto para entregar na próxima semana, ver televisão ou jogar computador em vez de estudar, falar de coisas superficiais com a namorada em vez de aprofundar os assuntos e preocupações relacionados com a relação, ou arrumar o quarto e organizar tudo até ao mais ínfimo pormenor, mas não estudar”.

Adiar crônico é que se torna problema
Para o psicólogo comportamental dos EUA, Joseph Ferrari, autor do livro “Procrastination and Task Avoidance” (“Procrastinar e Adiar Tarefas”), “deixar uma coisa ou outra para amanhã é perfeitamente normal”.

O problema, ressalva, é quando a procrastinação vira comportamento “crônico”, estilo de vida. “O procrastinador sempre tem uma desculpa pronta de por que deixou tudo para a última hora”, explica.

O psicólogo português Nuno Conceição aborda as duras conseqüências que o problema traz para a vida dos procrastinadores de carteirinha. “Qualquer tipo de procrastinação envolve a decisão de adiar. Esta decisão pode levar a um alívio temporário imediato, mas a médio ou longo prazo pode conduzir a sentimentos de culpa, inadequação, autodepreciação, depressão, incerteza, ansiedade….”

O psicólogo lança mão do conceito de inércia para dimensionar adequadamente o fenômeno. Tendo em vista que uma massa em repouso tende a permanecer assim, observa, “são necessárias mais forças para iniciar a mudança do que para manter, o que convida ao adiamento do início das tarefas”. O adiar, por sua vez, leva a uma sensação temporária de conforto, mas só temporária porque logo torna-se ainda mais difícil agir no sentido inverso.

A boa notícia, enfatiza o psicólogo em “O que é Procrastinar?”, é que o comportamento aprendido pode ser também desaprendido.

Depois de tomar consciência de sua existência, a pessoa vai automaticamente, mas aos poucos, identificando de que são feitas e como se relacionam cada uma das engrenagens usadas para protelar. Daí para a mudança, é quase um pulo.

Fonte: http://www.bomdiabauru.com.br/index.asp?jbd=3&id=86&mat=134834





“Como tornar seus filhos, crianças ou já adolescentes, líderes de suas vidas”

31 05 2008

Há alguns dias, estive no lançamento da mais nova obra de John Maxwell, chamado Livro de Ouro da Liderança, reunindo os princípios mais importantes destilados em cerca de 40 anos de estudos. Maxwell já vendeu mais de 13 milhões de livros, e escolheu o Brasil para lançamento de seu trabalho mais recente.
Durante o talk show organizado pela Thomas Nelson Brasil, na livraria Cultura, alguém perguntou como poderia ajudar seus filhos a liderarem suas vidas.

Maxwell pensou um pouco e disse: ‘quando eu era menino, os garotos da vizinhança recebiam mesada para jogar o lixo da casa, cortar a grama ou arrumar a bagunça do quintal. Então, fui até meu pai e disse: ‘o filho do vizinho recebe uma mesada para ajudar em casa. Eu acho que mereço também’. Ele me olhou nos olhos e respondeu: ‘você faz parte da família, John, e o trabalho de casa todos nós fazemos e ninguém recebe por isso. Se você acha que tem que receber, antes vou descontar o seu custo, que inclui os nove meses que sua mãe o carregou na barriga. Você ainda vai ficar devendo’.

Nunca mais pedi mesada pelo trabalho em casa, continuou Maxwell. Mas meu pai pagava uma mesada. Só que era diferente. Ele pagava a mim e meus irmãos para nós lêssemos livros. Ele trazia um livro para cada um de nós. Então, todos os dias durante o jantar tínhamos que falar sobre as idéias do autor e qual nossa opinião sobre o capitulo que havíamos lido.

Assim, todos os dias líamos algumas páginas e falávamos sobre isso ao jantar. Quando terminávamos o livro, meu pai dava o preço de capa do livro para nós, em mesada. Assim, se um livro custava o equivalente a 30 reais, era o que ele nos pagava, depois de terminada a leitura. Isso nos ensinou a ler e entender os livros – coisa que muitos garotos americanos não conseguem fazer hoje – porque tínhamos que explicar o que estávamos lendo, para ele e minha mãe. Além disso, aprendemos a terminar os livros, o que hoje os especialistas chamam de acabativa, que é o que falta para muita gente. Até porque, para que pudéssemos receber a mesada, tínhamos que ler até a última página.

Em terceiro lugar, aprendi a não trocar dinheiro pelo tempo de trabalho, como faz a maior parte das pessoas, mas pela qualidade do meu trabalho. Trabalhamos muito tempo em muitas situações diferentes de graça, para outros, apenas para que pudéssemos aprender alguma coisa. Isso deixou meu irmão milionário. E eu e minha irmã também não podemos reclamar. Já vendi mais de 13 milhões de livros – e olha que faço isso no meu tempo livre. Até hoje somos voluntários em alguma atividade.
Por último, descobri que isso me tornou muito mais maduro, na escola e na vida. Eu não era, nem sou, mais inteligente que os outros, nem memorizava melhor as informações. Também não tirava notas mais altas que meus colegas.

Mas descobri que isso não é tão importante. Descobri que nossas escolhas é que são importantes. Quando olhava para as escolhas dos meus colegas, me perguntava como podiam fazer escolhas tão pobres. Quando os via trocando a chance de aprender mais, por alguma festa, um show, ou mais uma saída com os amigos, mais uma loucura qualquer, na universidade, comecei a ver que eu era diferente. Quando os via torrando seus últimos dólares em um carro, ou em alguma idéia mirabolante, achava incrível seus valores – ou a falta deles. Tinha me tornado diferente, porque passei anos lendo o que eles não leram, aprendendo o que eles não aprenderam e escolhendo ficar com pessoas que sabiam muito mais que eu, e não as mais populares.
Meu pai também aparecia na escola, no meio da aula, e me tirava para assistir alguma palestra ou seminário de algum palestrante famoso que estava na cidade. Se era grátis, nós estávamos lá. Se dava para pagar, também. Os professores não entendiam porque ele nos ajudava a “cabular” aulas, mas ele dizia: a aula você pega com um colega. Assistir esta palestra novamente, talvez demore anos’. Assim, em aprendia o que ninguém aprendia, porque meus irmãos e eu éramos os únicos adolescentes nestas palestras.

Fiz isso com meus filhos que, hoje, fazem com meus netos. Eu os pagava para que pudessem ler e os levava para palestras, seminários e workshops nos quais nenhum pai pensaria em levar os filhos. Porque informações nossos filhos terão na escola, na internet ou em alguma enciclopédia. Mas as escolhas que eles farão depende daquilo que existe dentro deles. E isso é marcado pelas pessoas que os cercam, pelos livros que eles tiverem lido e pelo tempo de qualidade que viveram com pessoas dispostas a ajuda-los. Isso, nenhuma escola vai ensinar.

Todos os adolescentes que se tornam felizes, equilibrados em bem sucedidos, fazem escolhas poderosas – algumas vezes, muito difíceis e impopulares”.

Escolhas. Maxwell destaca a importância das escolhas para a sua vida e a de seus filhos. Ajude os adolescentes a fazerem suas próprias escolhas, e eles saberão como fazer o resto. Em seus casamentos, em seus empreendimentos e em sua vida interior.

Fonte: www.arealocal.com.br/blog/2008/04/





MANIFESTO ANTROPOFÁGICO – OSWALD DE ANDRADE – 1928

25 05 2008

Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.

Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.
Tupi, or not tupi that is the question.
Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos.
Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.
Estamos fatigados de todos os maridos católicos suspeitosos postos em drama. Freud acabou com o enigma mulher e com outros sustos da psicologia impressa.
O que atropelava a verdade era a roupa, o impermeável entre o mundo interior e o mundo exterior. A reação contra o homem vestido. O cinema americano informará.
Filhos do sol, mãe dos viventes. Encontrados e amados ferozmente, com toda a hipocrisia da saudade, pelos imigrados, pelos traficados e pelos touristes. No país da cobra grande.
Foi porque nunca tivemos gramáticas, nem coleções de velhos vegetais. E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental. Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil.
Uma consciência participante, uma rítmica religiosa.
Contra todos os importadores de consciência enlatada. A existência palpável da vida. E a mentalidade pré-lógica para o Sr. Lévy-Bruhl estudar.
Queremos a Revolução Caraiba. Maior que a Revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem n6s a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.
A idade de ouro anunciada pela América. A idade de ouro. E todas as girls.
Filiação. O contato com o Brasil Caraíba. Ori Villegaignon print terre. Montaig-ne. O homem natural. Rousseau. Da Revolução Francesa ao Romantismo, à Revolução Bolchevista, à Revolução Surrealista e ao bárbaro tecnizado de Keyserling. Caminhamos..
Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.
Mas nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós.
Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão. O rei-analfabeto dissera-lhe : ponha isso no papel mas sem muita lábia. Fez-se o empréstimo. Gravou-se o açúcar brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia.
O espírito recusa-se a conceber o espírito sem o corpo. O antropomorfismo. Necessidade da vacina antropofágica. Para o equilíbrio contra as religiões de meridiano. E as inquisições exteriores.
Só podemos atender ao mundo orecular.
Tínhamos a justiça codificação da vingança. A ciência codificação da Magia. Antropofagia. A transformação permanente do Tabu em totem.
Contra o mundo reversível e as idéias objetivadas. Cadaverizadas. O stop do pensamento que é dinâmico. O indivíduo vitima do sistema. Fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o esquecimento das conquistas interiores.
Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros.
O instinto Caraíba.
Morte e vida das hipóteses. Da equação eu parte do Cosmos ao axioma Cosmos parte do eu. Subsistência. Conhecimento. Antropofagia.
Contra as elites vegetais. Em comunicação com o solo.
Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval. O índio vestido de senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses.
Já tínhamos o comunismo. Já tínhamos a língua surrealista. A idade de ouro.
Catiti Catiti
Imara Notiá
Notiá Imara
Ipeju*
A magia e a vida. Tínhamos a relação e a distribuição dos bens físicos, dos bens morais, dos bens dignários. E sabíamos transpor o mistério e a morte com o auxílio de algumas formas gramaticais.
Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da possibilidade. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comia.
Só não há determinismo onde há mistério. Mas que temos nós com isso?
Contra as histórias do homem que começam no Cabo Finisterra. O mundo não datado. Não rubricado. Sem Napoleão. Sem César.
A fixação do progresso por meio de catálogos e aparelhos de televisão. Só a maquinaria. E os transfusores de sangue.
Contra as sublimações antagônicas. Trazidas nas caravelas.
Contra a verdade dos povos missionários, definida pela sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cairu: – É mentira muitas vezes repetida.
Mas não foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti.
Se Deus é a consciênda do Universo Incriado, Guaraci é a mãe dos viventes. Jaci é a mãe dos vegetais.
Não tivemos especulação. Mas tínhamos adivinhação. Tínhamos Política que é a ciência da distribuição. E um sistema social-planetário.
As migrações. A fuga dos estados tediosos. Contra as escleroses urbanas. Contra os Conservatórios e o tédio especulativo.
De William James e Voronoff. A transfiguração do Tabu em totem. Antropofagia.
O pater famílias e a criação da Moral da Cegonha: Ignorância real das coisas+ fala de imaginação + sentimento de autoridade ante a prole curiosa.
É preciso partir de um profundo ateísmo para se chegar à idéia de Deus. Mas a caraíba não precisava. Porque tinha Guaraci.
O objetivo criado reage com os Anjos da Queda. Depois Moisés divaga. Que temos nós com isso?
Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.
Contra o índio de tocheiro. O índio filho de Maria, afilhado de Catarina de Médicis e genro de D. Antônio de Mariz.
A alegria é a prova dos nove.
No matriarcado de Pindorama.
Contra a Memória fonte do costume. A experiência pessoal renovada.
Somos concretistas. As idéias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas. Suprimarnos as idéias e as outras paralisias. Pelos roteiros. Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas.
Contra Goethe, a mãe dos Gracos, e a Corte de D. João VI.
A alegria é a prova dos nove.
A luta entre o que se chamaria Incriado e a Criatura – ilustrada pela contradição permanente do homem e o seu Tabu. O amor cotidiano e o modusvivendi capitalista. Antropofagia. Absorção do inimigo sacro. Para transformá-lo em totem. A humana aventura. A terrena finalidade. Porém, só as puras elites conseguiram realizar a antropofagia carnal, que traz em si o mais alto sentido da vida e evita todos os males identificados por Freud, males catequistas. O que se dá não é uma sublimação do instinto sexual. É a escala termométrica do instinto antropofágico. De carnal, ele se torna eletivo e cria a amizade. Afetivo, o amor. Especulativo, a ciência. Desvia-se e transfere-se. Chegamos ao aviltamento. A baixa antropofagia aglomerada nos pecados de catecismo – a inveja, a usura, a calúnia, o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e cristianizados, é contra ela que estamos agindo. Antropófagos.
Contra Anchieta cantando as onze mil virgens do céu, na terra de Iracema, – o patriarca João Ramalho fundador de São Paulo.
A nossa independência ainda não foi proclamada. Frape típica de D. João VI: – Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte.
Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud – a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem penitenciárias do matriarcado de Pindorama.

OSWALD DE ANDRADE Em Piratininga Ano 374 da Deglutição do Bispo Sardinha.” (Revista de Antropofagia, Ano 1, No. 1, maio de 1928.)

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O Manifesto Antropófago (ou Manifesto Antropofágico) foi escrito por Oswald de Andrade. Foi lido em 1928 para seus amigos na casa de Mário de Andrade. Foi publicado na Revista de Antropofagia, que ajudou a fundar com os amigos Raul Bopp e Antônio de Alcântara Machado.

A antropofagia foi tematizada por Oswald nesse Manifesto, mas também reapareceu outras vezes em sua obra. Em Marco Zero I (1943), romance de Oswald escrito sob influência do marxismo e da arte realista mexicana, surgiu o personagem Jack de São Cristóvão, relembrando a antropofagia e celebrando-a como uma saída para o problema de identidade brasileiro e mesmo como antídoto contra o imperialismo. Na maturidade, Oswald buscou fundamentação filosófica para a antropofagia, ligando-a a Nietzsche, Engels, Bachofen, Briffault e outros autores, tendo escrito a respeito até teses, como a Decadência da Filosofia Messiânica, incluído em A Utopia Antropofágica e outras utopias, lançado, como toda sua obra, pela editora Globo a partir dos anos 80.





DEUS E A LÓGICA

12 05 2008

A verdade é a visão de Deus, participar da verdade é ver Deus e vice-versa, logo a verdade é inatingível através dos sentidos e da razão porque não se pode ver a própria essência, só se percebe o que se está exterior e só se age contra algo, a unha não se coça e o dente não se morde.

Deus é a unidade, o princípio e o fim.
Deus é o máximo e o mínimo (o mínimo é a maior pequenez que existe). Nada a Ele se opõe. O que significa que o Nada não é algo, nem idealmente, isto é, o Nada não é como o cinco ou o amor por exemplo. Se Deus se opõe e ele e nenhuma coisa pode se opor a algo absoluto, o Nada é nenhuma coisa. O Nada não é algo.
Em Deus os opostos se encontram e se fundem já no diabo não faço a mínima idéia…

Posted by César Miranda





“Viveu oitenta anos”

8 05 2008

Diariamente criticamos o destino: “Porque foi este homem arrebatado a meio da carreira? E aquele, porque não morre, em vez de prolongar uma velhice tão penosa para ele como para os outros?” Diz-me cá, por favor: o que achas tu mais justo, seres tu a obedecer à natureza ou a natureza a ti? Que diferença faz sair mais ou menos depressa de um sítio de onde temos mesmo de sair? Não nos devemos preocupar em viver muito, mas sim em viver plenamente; viver muito depende do destino, viver plenamente, da nossa própria alma. Uma vida plena é longa quanto basta; e será plena se a alma se apropria do bem que lhe é próprio e se apenas a si reconhece poder sobre si mesma. Que interessa os oitenta anos daquele homem passados na inacção? Ele não viveu, demorou-se nesta vida; não morreu tarde, levou foi muito tempo a morrer! “Viveu oitenta anos!”. O que importa é ver a partir de que data ele começou a morrer. “Mas aquele outro morreu na força da vida”. É certo, mas cumpriu os deveres de um bom cidadão, de um bom amigo, de um bom filho, sem descurar o mínimo pormenor; embora o seu tempo de vida ficasse incompleto, a sua vida atingiu a plenitude.

“Viveu oitenta anos”. Não, existiu durante oitenta anos, a menos que digas que ele viveu no mesmo sentido em que falas na vida das árvores. Peço-te insistentemente, Lucílio: façamos com que a nossa vida, à semelhança dos materiais preciosos, valha pouco pelo espaço que ocupa, e muito pelo peso que tem. Avaliemo-la pelos nossos actos, não pelo tempo que dura. Queres saber qual a diferença entre um homem enérgico, que despreza a fortuna, cumpre todos os deveres inerentes à vida humana e assim se alça ao seu supremo bem, e um outro por quem simplesmente passam numerosos anos? O primeiro continua a existir depois da morte, o outro já estava morto antes de morrer! Louvemos, portanto, e incluamos entre os afortunados o homem que soube usar com proveito o tempo, mesmo exíguo, que viveu. Contemplou a verdadeira luz; não foi um como tantos outros; não só viveu, como o fez com vigor.

Séneca, in ‘Cartas a Lucílio’