O que realmente faz você pular da cama de manhã?

11 11 2009

Por Robert Wong: and HSM Online

Sempre fiquei intrigado sobre quais os verdadeiros fatores motivacionais que levam um profissional a atingir, e até mesmo a ultrapassar, os objetivos da empresa.

Comece perguntando por que você levanta todas as manhãs para trabalhar e, talvez, possa chegar às seguintes respostas:

- porque você quer que a empresa tenha orgulho de você;
- para ajudar a empresa a crescer e prosperar no mercado;
- para fazer parte de uma equipe líder e vencedora;
- para colaborar com o crescimento do meu chefe etc..

Podem ser respostas válidas, mas descobri que no fundo há um motivo mais premente e significativo que norteia nossas ações. E qual seria este motivo?

Certa vez, em minha carreira de executivo, uma das minhas responsabilidades era supervisionar os funcionários em relação ao cumprimento das metas no faturamento mensal da empresa. Trabalhava diretamente com eles, fazia visitas e conversava com cada um, individualmente. Então perguntei a cada membro da equipe o que os motivava a pular da cama e ir trabalhar todos os dias.

Esperava ouvir respostas do tipo das citadas acima, me enganei. Escutei a maioria dizer que trabalhava para atingir um sonho pessoal:

- para ser promovido
- para casar
- para comprar uma casa nova
- trocar de carro
- e muitos outros variados motivos.

A partir daí sugeri um desafio ou “brincadeira”. Pedi, então, que cada um desses membros da equipe que eu dirigia, me levasse uma foto ou figura que representasse o seu objetivo ou meta – a foto do carro, da casa nova, da futura esposa(o) etc.. Prometi que a empresa pagaria a moldura e solicitei que cada um colocasse seu sonho sobre a mesa ou pendurado na parede à sua frente.

Cada vez que cobrava os objetivos, estes não eram mais os da empresa, mas seus próprios. De maneira descontraída, mostrava-lhes que com os resultados atuais, seus sonhos e objetivos ainda estavam um tanto distantes. E quem criou essas metas foram os próprios consultores, individualmente, e não eram mais objetivos definidos pela empresa – para alguns talvez inatingíveis e vindo de cima para baixo. Como bom guerreiro e com seu brio desafiado, cada consultor se desdobrava para provar que poderia fazer melhor.

Impressionante! Com um investimento em 20 molduras, o faturamento disparou, pois nas minhas cobranças não mais falava sobre as metas da empresa, mas sim das metas individuais de cada um. Aí residia a diferença! Essa iniciativa fez com que os objetivos da empresa e os do individuo ficassem “alinhados”, resultando num ambiente de trabalho mais harmonioso e numa equipe mais produtiva.

Sugiro que, além de correr atrás de objetivos corporativos, estabeleça metas pessoais, definidas por você mesmo (e colocadas fisicamente à sua frente num quadro), pois estas certamente o ajudarão a fazer com que você caminhe na direção almejada.

A conclusão é que no fundo, no fundo, o motivo que nos leva a pular da cama e trabalhar com todo o afinco é para atingir nossos objetivos e sonhos pessoais.

Coloque a sua imagem do “ótimo emprego” (ou qualquer objeto do seu desejo) á sua frente. Tente… E veja o que vai acontecer!

Por Robert Wong (autor dos livros “O Sucesso Está no Equilíbrio” e “Super Dicas para Conquistar um Ótimo Emprego” e um dos palestrantes mais inspiradores e requisitados do mercado)





Achados por aí – Mulher prefere homem acompanhado!

11 11 2009

Mostre dois cavalos para uma égua, e deixe ela ir na direção do que acha mais interessante. Agora, coloque uma outra égua junto do cavalo que ela dispensou. Ela vai voltar atrás e escolher o macho desprezado. Peixes, aves, mamíferos… em vários animais estudados, as fêmeas preferem os machos acompanhados.

E em humanos? Homens não têm preferência por comprometidas, mulheres mostradas junto de outros homens ou apresentadas como casadas não foram consideradas mais atraentes do que quando mostradas sozinhas ou como solteiras.

elas preferiram homens casados. Exatamente! O mesmo homem quando apresentado como casado chegou a ser preferido por 90% das entrevistadas, contra 60% quando tido como solteiro.[8]

Portanto, se você quer companhia, pode começar a usar aliança.





Ter filho para quê?

26 10 2009

JERRY STEINBERG

Fonte: Revista Época

Professor canadense diz que os casais procriam por inércia e uniões sem filhos são mais felizes e fazem bem ao planeta

Paula Mageste

Divulgação

PERFIL

Dados pessoais
Nasceu em Vancouver, no Canadá, há 57 anos e é casado. Aos 20 desistiu de ter filhos e mais tarde fundou o clube No Kidding para reunir casais e solteiros sem filhos e promover atividades entre eles

Atividade atual
Dá aulas de inglês para estrangeiros e prepara um livro com depoimentos de casais sem filhos

O canadense Jerry Steinberg, de 57 anos, vai logo avisando que gosta de crianças. Mas não em tempo integral. Gastou sua cota de “paternidade” ajudando a criar os dois irmãos, sendo monitor de acampamento e seguindo a carreira de professor – dá aulas de inglês para estrangeiros. A gota d’água foi namorar três mulheres que tinham filhos. Desistiu de formar a própria prole ao ver que o cotidiano que inclui pequenos é cheio de limitações. “Não se pode ter uma conversa séria às 3 da tarde ou fazer amor às 10 da manhã”, diz.

Steinberg sentiu-se isolado em sua decisão e percebeu que estava perdendo os amigos. Eles começavam a ter filhos, mudavam o rumo na vida e faziam novas amizades em função das crianças. Foi então, há 19 anos, que surgiu a idéia de fundar um clube de “pessoas sem filhos”, o No Kidding. Hoje, são 77 filiais em quatro países, totalizando 8 mil associados. “Vi que não apenas não estou sozinho, como estou em ótima companhia.”

ÉPOCA - Não ter filhos não é impedir o ciclo natural da vida?
Jerry Steinberg - E por acaso nós levamos uma vida “natural”? Não estamos mais numa sociedade agrária, em que a criança era mão-de-obra barata na fazenda. Mais de 80% da população mundial vive em grandes cidades. As crianças não são mais um ativo, mas um rombo em seu tempo, em sua energia e em suas finanças. Ter filhos, hoje, na maioria dos casos, é conseqüência natural de sexo sem proteção. Com a contracepção moderna, pessoas responsáveis terão filhos apenas se quiserem. Nossos avós não tinham escolha, e às vezes acabavam com uma penca de crianças sem ao menos poder mantê-las. Nós temos controle sobre nossa fertilidade e devemos exercê-lo.

ÉPOCA - Não é muito egoísta a decisão de não ter filhos?
Steinberg - É. Mas as pessoas têm filhos por razões bastante egoístas: por prazer, para cuidar delas na velhice, para ter alguém para amar e amá-las de volta, para viver coisas que não puderam viver quando eram crianças, para exercer poder sobre alguém, dar continuidade ao nome da família. O que é mais egoísta que fazer um minieu? É vaidade.

ÉPOCA - Qual porcentagem da população tem filhos por motivos que o senhor considera corretos?
Steinberg - A maioria das pessoas tem filhos sem motivo, sem pensar. A resposta que sempre ouço é que aconteceu sem planejamento. Acho irresponsável, tolo e egoísta. Crianças são muito preciosas para vir ao mundo por acidente.

ÉPOCA - O senhor acha que as pessoas que optam por ter filhos devem ser questionadas, assim como ocorre com aquelas que escolhem não procriar?
Steinberg - É claro! A situação hoje é muito unilateral. Os casais que optam por não ter filhos precisam se justificar o tempo todo, para a família, para os amigos e até para estranhos. Enquanto isso, lemos nos jornais todos os dias sobre pessoas que nunca deveriam ter procriado. Vemos crianças abandonadas, negligenciadas, que sofrem abuso, pais que largam a família e não pagam pensão nem querem ver o filho.

ÉPOCA - Por outro lado, a maternidade e a paternidade não são dons naturais, intrínsecos ao ser humano?
Steinberg - De modo algum. Ser boa mãe ou bom pai requer muito conhecimento, dom, habilidade, paciência, energia e tempo. Se você não tem isso, quais são suas chances reais de sucesso? Parece-me que as pessoas gastam mais tempo pensando que sapato comprar que em se querem ou não ter filhos. É uma vergonha.

ÉPOCA - Ter filhos não pode ser uma forma de dividir as coisas boas que um casal construiu?
Steinberg - Pode, mas em muitos casos é uma desculpa para o fracasso pessoal. Muita gente abandona as aspirações de carreira ou de hobby porque tem de sustentar os filhos. Depois, cobra isso da criança, busca realização por meio dela. É muito cruel exigir que o filho tome conta dos negócios da família. Talvez ele não tenha nem interesse nem competência. No fim, é uma pena para todos.

ÉPOCA - Qual é o impacto de filhos na vida de um casal?
Steinberg - Uma tremenda perda de liberdade. Não se pode mais fazer o que se quer, quando se quer. A espontaneidade morre. Perdem-se tempo, energia, dinheiro. Custa cerca de US$ 200 mil criar alguém do nascimento aos 18 anos. Sem faculdade. Muitas vezes um casal rompe por problemas financeiros. Portanto, se você não tem uma situação confortável e resolve ter filhos, está procurando encrenca. Sem falar no fato de os pais discordarem sobre como cuidar dos filhos. Não tê-los dá ao casal menos motivos para conflitos.

ÉPOCA - Mas então não seria melhor rever a forma como se educam os filhos em vez de resolver não tê-los?
Steinberg - Há um problema no modelo adotado pela classe média. Antes os pais ditavam as regras, mas a mesa virou e agora são as crianças que mandam nos pais. Elas fazem o que querem em locais públicos e os pais se omitem, numa situação desagradável para os outros.

ÉPOCA - Filho ajuda o casamento?
Steinberg - Os padres dizem que filhos são uma ponte entre marido e mulher. Na verdade, eles são um abismo. O marido passa para segundo plano, sente-se preterido e acaba buscando outra mulher. Tive acesso a vários estudos que mostram que relacionamentos sem filhos são mais sólidos e duram mais. O romance morre quando as crianças nascem.

ÉPOCA - O senhor também defende aquela tese aparentemente fajuta de que não ter filhos é uma decisão ecologicamente correta?
Steinberg - Não tem nada de fajuto nessa teoria. A quantidade de terra arável, de água potável e de espaço habitável está limitada no planeta. As pessoas estão sendo forçadas a viver confinadas ou em locais inundáveis ou secos. Não há pasto. A maioria da população está em centros urbanos, e isso cria vários problemas. Não se produz nada na cidade, tudo tem de vir de fora. Aí há trânsito. Além disso, existe uma questão psicológica: quanto mais gente viver em áreas superpopulosas, maior serão a agressividade e a violência. Estamos sob tremenda pressão.

ÉPOCA - A tecnologia e o urbanismo não poderão solucionar esses problemas?
Steinberg - Não há tecnologia que resolva isso. Hoje levamos uma hora para chegar ao mesmo lugar a que antes chegávamos em dez minutos. Daqui a 20 ou 40 anos, vamos levar três horas. É loucura, tem de haver um limite. Os animais são mais sábios. Quando ficam confinados, com pouco alimento, se reproduzem menos. Humanos não fazem isso. Metade das pessoas deste planeta está morrendo de fome ou de sede. E continuamos procriando a taxas recordes. Em apenas 40 anos, dobramos a população de 3 bilhões para 6 bilhões. Onde vamos parar? Será preciso uma terceira guerra mundial ou epidemias como a Aids para nos colocar de novo em patamares suportáveis?

ÉPOCA - O que acha do aborto?
Steinberg - Com boa contracepção, as pessoas só têm filhos se os querem e podem sustentá-los. Caso contrário, o aborto se torna uma opção. Prevenir gravidez indesejada evita abortos.

ÉPOCA - Pessoas sem filhos não evoluem menos?
Steinberg - Não, ao contrário. A maioria das pessoas sem filhos que conheço é muito ativa em sua comunidade, faz trabalho voluntário. O foco de quem tem filhos fica mais estreito: é o lar. Se determinado problema não afeta diretamente seus filhos, não se envolve.

ÉPOCA - Quem tem filhos acaba abrindo mão de algo realmente importante?
Steinberg - Sair para uma cerveja com amigos não é alta prioridade. Mas muita gente precisa parar de estudar ou encurtar os planos para trabalhar. As aspirações de carreira podem ficar limitadas. Muitas vezes quem tem filho chega tarde ao trabalho e sai cedo, passa tempo no telefone falando com as crianças ou resolvendo problemas relativos a elas. Isso pode contribuir para que seja preterido na hora de uma promoção.

ÉPOCA - Por que ainda vemos com estranheza quem opta por não ter filhos?
Steinberg - Mudanças levam tempo. A aceitação de estilos de vida alternativos demora. Há 50 anos era inconcebível viver junto sem casar. Era pecado. O mesmo valia para mães solteiras ou uniões inter-raciais. Hoje em dia casais homossexuais adotam crianças ou fazem fertilização para ter os próprios filhos. Vamos chegar a um ponto em que não procriar também será aceito. Quem, em seu juízo perfeito, insistiria que tenha filhos uma pessoa que não quer, não tem como bancar e não saberá criar adequadamente uma criança?

ÉPOCA - Como responder à clássica pergunta “Você não vai ter filhos”?
Steinberg - Alguns membros do No Kidding respondem que não podem ter filhos. Acham que a pena que isso desperta é mais suportável que a indignação. Se alguém insiste comigo, eu digo: “Então tá, você me convenceu. Vou ter dez filhos e, se não der certo, mando para sua casa para você criar”.





Depressão – conflitos entre psiquiatras e psicólogos

18 10 2009

Não é de hoje que as ciências da mente são uma área turbulenta: psiquiatras, psicólogos, psicanalistas e suas subdivisões sempre se digladiaram no campo teórico e clínico. Houve ciclos de calmaria em algumas décadas, mas o debate sobre o entendimento de uma condição tão antiga quanto a humanidade –a depressão– parece estar levando essas classes de profissionais a um novo pico de agressividade agora.
Dentro de dois anos, o comitê redator da chamada “bíblia” da psiquiatria, o DSM (Manual de Diagnósticos e Estatísticas), deve completar a quinta edição da obra. Pressões para que a depressão receba um tratamento diferente no texto partem de todo canto. O DSM, produzido pela Associação Americana de Psiquiatria, é a baliza de referência dos planos de saúde privados em vários outros países para decidir o que pagar ao paciente deprimido: drogas ou psicoterapia.

Psicólogos clínicos, sobretudo, têm feito um ataque sistemático ao uso de antidepressivos no tratamento a essa condição, e sua posição está agora resumida em livros de dois pesquisadores britânicos.  (continua)


Placebo turbinado

Irving Kirsch, da Universidade de Hull, acaba de lançar “The Emperor’s New Drugs” (As Novas Drogas do Imperador), relato no qual descreve como descobriu aquilo que chama de “mito dos antidepressivos”. Declarando-se ex-apóstolo desses medicamentos psiquiátricos, Kirsch conta como foi o processo de pesquisa para a produção de uma análise que desmontou a estatística dos testes clínicos que validaram os remédios da mesma classe do popular Prozac.

A polêmica toda começou em 1998, quando o psicólogo publicou o primeiro resultado de seu trabalho, mostrando que a eficácia dessas drogas –os chamados inibidores de recaptação de serotonina- era toda ou quase toda atribuível ao infame efeito placebo.

Esse é o termo que clínicos usam para definir quando um paciente melhora não porque o remédio foi eficaz, mas porque a crença na cura produziu alguma transformação mental e orgânica que a realizou. Testes clínicos em geral têm um controle para não se deixarem enganar pelo efeito placebo, mas Kirsch mostrou que a adoção de placebos 100% inertes, sem efeito colateral nenhum, sabotou a lógica das pesquisas.

Os pacientes voluntários conseguiam descobrir se estavam tomando drogas ou pílulas de farinha, e os resultados dos testes acabavam distorcidos. “Em vez de comparar placebos normais com drogas, estávamos comparando placebos “turbinados” com placebos normais”, escreve o psicólogo.

Nenhum médico questiona hoje a existência do efeito placebo, mas psiquiatras e a indústria farmacêutica negam que este seja o caso dos antidepressivos. Os primeiros ataques de Kirsch a esses medicamentos precipitaram uma enxurrada de artigos em revistas de psiquiatria, com médicos questionando as “metanálises”, o método que o pesquisador usou para tirar suas conclusões. A técnica consiste em fazer ajustes estatísticos para poder juntar os resultados de vários testes clínicos diferentes em um único estudo.

A passagem de dez anos, porém, mostrou que o método é seguro, diz Kirsch. “Metanálises são apresentadas regularmente hoje nas principais revistas médicas do mundo”, diz, lembrando que a interpretação estatística dos placebos não era o único problema dos testes.

“Segredinho sujo”

Kirsch provocou um verdadeiro rebuliço na comunidade científica quando descobriu que os resultados de muitos testes do Prozac e de drogas similares não haviam sido divulgados ao público. Esses ensaios clínicos –o “segredinho sujo” dos laboratórios farmacêuticos, segundo o psicólogo– eram aqueles em que as drogas não haviam mostrado eficácia.

O trabalho de Kirsch serviu para suscitar um grande debate sobre o sistema de publicação de pesquisas médicas, mas não convenceu a todos que os antidepressivos sejam meros placebos. Muitos psiquiatras consideram o estudo de Kirsch um ataque corporativo dos psicólogos, que devolvem a acusação.

Em janeiro deste ano, o “British Journal of Psychiatry” publicou um editorial afirmando que uma possível falha dos testes clínicos se deveria ao fato de que os antidepressivos estavam sendo prescritos para muitos pacientes que não estavam realmente deprimidos. A fronteira que separa a depressão clínica de uma tristeza normal, porém tem mesmo de ser arbitrária, e já tem havido algum debate sobre como delimitá-la.

“A diferença entre dar a uma pessoa que não está deprimida um antidepressivo ou placebo não pode mesmo ser grande”, diz o psiquiatra (e psicanalista) Marco Antônio Alves Brasil, da UFRJ, integrante do conselho consultivo da Associação Brasileira de Psiquiatria. “Para os quadros de depressão leve, ainda não existe uma comprovação de que os antidepressivos seja superiores à psicoterapia.”

O debate sobre como diferenciar a depressão “patológica” de uma reação normal de tristeza, diz Alves Brasil, pode levar a uma revisão desse ponto no DSM e na ICD (Classificação Internacional de Doenças), produzida pela Organização Mundial da Saúde. A ICD, a referência usada por médicos dos sistemas de saúde pública brasileiros, também deve ser reeditada em 2011.

Para alguns psiquiatras, é preciso limitar a depressão patológica apenas aos casos em que a melancolia é anormal. “Se você está profundamente triste e não há uma razão para isso, você está doente”, diz Alves Brasil. Muitos psicólogos, porém, questionam a existência da depressão orgânica e, junto com ela todas as estatísticas de prevalência.

RAFAEL GARCIA – na Folha de S.Paulo





Alice no País das Maravilhas – Em outros Tempos

30 09 2009

Agora, que chegaste à idade avançada de quinze anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas.

Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.
Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.
A realidade, Maria, é louca.
Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: “Fala a verdade, Dinah, já comeste um morcego?”
Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. “Quem sou eu no mundo?” Essa indagação perplexa é o lugar – comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.
A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: “Estou tão cansada de estar aqui sozinha!” O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada, e vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.
Somos todos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo, e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.
Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria têm de ser grave.
A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia: “Oh, I beg your pardon!” Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para tua sabedoria de bolso: se gosta de gatos, experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: “Gostarias de gatos se fosses eu?”
Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política, nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados, todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos, que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: “A corrida terminou! mas quem ganhou ?” É bobice Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre aonde quiseres, ganhaste.
Disse o ratinho: “Minha história é longa e triste!” Ouvirás isso milhares de vezes. Como ouvirás a terrível variante: “Minha vida daria um romance”. Ora, como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam romances, pois o romance é só o jeito de contar uma vida, foge, polida mas energicamente, dos homens e das mulheres que suspiram e dizem: “Minha vida daria um romance!” Sobretudo dos homens. Uns chatos irremediáveis, Maria.
Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: “Devo estar diminuindo de novo”. Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.
E escuta esta parábola perfeita: Alice tinha diminuído tanto de tamanho que tomou um camundongo por um hipopótamo. Isso acontece muito, Mariazinha. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte. É isso mesmo. A alma da gente é uma máquina complicada que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e de rinicerontes que parecem camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nossos domínios disfarçado de camundongo. E como tomar o pequeno por grande e o grande por pequeno é sempre meio cômico, nunca devemos perder o bom humor.
Toda pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para o humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para o humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para as grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado, Maria, com as grandes ocasiões.
Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: “Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas”.
Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida: É feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor, Maria da Graça.

(Paulo Mendes Campos, Para Maria da Graça, in Para gostar de ler; São Paulo, Ática, 1979.)





Dúvidas Frequentes

3 09 2009

Como eu terei segurança quanto a ser atendido por profissional habilitado ?

O profissional habilitado a fazer orientação e atendimento psicológico é o psicólogo, neste site o atendimento será feito unica e exclusivamente pelo psicólogo Cristian Stassun, inscrito no CRP/SC sob o número 06880. Este site, foi inscrito no Conselho Federal de Psicologia para obtenção do selo de autorização para atendimento on-line, conforme a resolução disponível na integra no link Resolução CFP.

Gostaria de ter informações sobre o sigilo.

Todas as informações trocadas tem o caráter sigiloso, (conforme art. 9º do Código de Ética do Psicólogo, regido pela resolução 010/2005) e serão manuseadas e mantidas apenas pelo psicólogo, nenhum registro será mantido no site, sendo o mesmo apenas veículo para a divulgação do trabalho e o contato inicial. De qualquer forma, gostaríamos de lembrar que o atendimento on-line, por acontecer num ambiente virtual, pode não fornecer o mesmo grau de sigilo que acontece no consultório, mesmo assim, todos os cuidados de nossa parte, serão tomados para que somente a psicóloga tenha acesso às informações trocadas, e orientamos aos usuários que façam uso de todas as medidas de segurança em seu computador, como a utilização de senhas, e a exclusão de e-mails e históricos de MSN, para que os seus conteúdos, não possam estar disponíveis para outros usuários com os quais compartilhem seus computadores.

O trabalho consiste em psicoterapia ?

NÃO, pois psicoterapia, é um tipo de atendimento, que depende de certas condições para que ele aconteça, pois ele se fundamenta independentemente de linha de trabalho, em várias formas de leituras, além do relato verbal, tais como, tom de voz, expressão facial, expressão corporal, esta leitura e outros complementam os dados relatados no aspecto verbal e consistem de importante instrumento para o psicólogo para a avalição do caso, a leitura e a compreensão do cliente. Além disso, existem outros aspéctos importantes que acontecem somente no processo psicoterápico, como por exemplo o estabelecimento da relação empatica, o processo de vínculo, que deverá ser desenvolvido na relação psicólogo-cliente com o acontecer sequencial das sessões, dentre outros. Isto é uma explanação breve do processo psicoterápico, que consiste em muitos outros detalhes relevantes e únicos.

No que consiste o trabalho de ATENDIMENTO ON-LINE?

O trabalho consiste em orientação psicológica, aconselhamento psicológico, orientação profissional e orientação afetivo-sexual ou seja, ajudará você a compreender seus processos emocionais e auxiliará no processo de autoconhecimento. Você terá as orientações adequadas ao seu caso específico, à perguntas pontuais e até mesmo o encaminhamento psicológico, para atendimento psicoterápico, em sua cidade.

Quantas consultas eu posso fazer ?

De 1 a 10 consultas em qualquer modalidade, sendo 10 o número máximo de sessões.

Eu sou menor de idade, posso marcar uma consulta também ?

Sim, o atendimento on-line será fornecido para adolescentes a partir de 12 anos, mas precisaremos da autorização de um dos seus pais, para que possamos dar sequência ao atendimento.
(Conforme o Código de Ética do Psicólogo)
Art. 8º – Para realizar atendimento não eventual de criança, adolescente ou interdito, o psicólogo deverá obter autorização de ao menos um de seus responsáveis, observadas as determinações da legislação vigente;

  1. §1° – No caso de não se apresentar um responsável legal, o atendimento deverá ser efetuado e comunicado às autoridades competentes;
  2. §2° – O psicólogo responsabilizar-se-á pelos encaminhamentos que se fizerem necessários para garantir a proteção integral do atendido.

OBS: PRIVACIDADE DAS SESSÕES DE ADOLESCENTES
Os atendimentos, serão tratadas com todo o sigilo, não devendo ser acessados pelos pais, ou familiares. Respeita-se a privacidade do indivíduo, seja ele menor de idade ou não. De nossa parte, todas as medidas de segurança quanto a preservação da privacidade, serão tomadas.
Assim sendo, informamos que todos os cuidados deverão ser tomados no computador do cliente, para que as sessões escritas, não venham a ser lidas, sugerimos que as mesmas sejam lidas, relidas e guardadas com as devidas medidas de segurança ( arquivos com senha) ou sejam removidas do computador assim que possível, se o mesmo é de uso familiar ou comunitário.

Eu e meu marido, podemos fazer uma consulta em conjunto (ORIENTAÇÃO DE CASAL ou ORIENTAÇÃO DE PAIS) ?

Sim, poderão solicitar uma orientação de casal, ou orientação de pais de acordo com a questão de vocês, esta sessão ocorrerá através de e-mail que será enviado ao casal através de seus e-mails pessoais, ou através de atendimento via MSN.





Etapas Atendimento

3 09 2009

1) Deverá ser enviado um e-mail a psicoterapeuta (clique em Contato ) informando em que dias e horários poderá estar on line para o Chat. Neste horário você deve estar em um lugar tranqüilo para que não insurjam interrupções causadas por familiares ou terceiros ou atendimento telefônico o que será fundamental para o bom aproveitamento da sessão.

2) Em 48 horas a partir das informações que nos ofereceu, inclusive sobre sua disponibilidade de tempo, encaminharemos uma resposta à sua solicitação, indicando dias e horários para iniciarmos a 1ª sessão de atendimento.

3) O pagamento de cada sessão de atendimento, seja através de MSN ou e-mail, deverá ser efetuado com 48 horas de antecedência da data agendada. A forma de pagamento é feita em depósito em conta corrente (que será disponibilizado após o primeiro contato), no valor de R$50,00( cincoenta reais) por sessão.

4) Nos casos de interação por e-mails, esclarecemos que os mesmos deverão ser respondidos em até 72 horas contadas a partir do seu envio.

5) O descumprimento das condições acima implica no cancelamento do serviço.

6) Para desmarcar um atendimento on-line envie um e-mail para cristianccss@hotmail.com, preferencialmente com pelo menos 12 horas de antecedência, ou telefone para (47) 88021740, deixando seu recado com pelo menos 2 horas de antecedência. As faltas não desmarcadas são sujeitas à cobrança. Havendo disponibilidade de horário, poderá ser agendado um novo horário para atendimento na mesma semana.

7) Caso ocorra qualquer tipo de problema de conexão, decorrente de rede, sem uma solução imediata, o usuário terá seu horário remanejado para outro dia e hora disponíveis. Para isso, o cliente será contatado, sem ônus algum.





RESOLUÇÃO CFP N° 012/2005

3 09 2009

Regulamenta o atendimento psicoterapêutico e
outros serviços psicológicos mediados por
computador e revoga a Resolução CFP N°
003/2000.
O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso de suas atribuições legais, estatutárias e regimentais, CONSIDERANDO que, de acordo com o Código de Ética Profissional do Psicólogo é dever do psicólogo prestar serviços psicológicos de qualidade, em condições de trabalho dignas e apropriadas à natureza desses serviços, utilizando princípios, conhecimento e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica, na ética e na legislação profissional;
CONSIDERANDO que, de acordo com o Código de Ética Profissional do Psicólogo, é dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger, por meio da confidencialidade, a intimidade das pessoas, grupos ou organizações, a que tenha acesso no exercício profissional; CONSIDERANDO o disposto no Código de Ética Profissional do Psicólogo sobre a realização de estudos e pesquisas no âmbito da Psicologia;
CONSIDERANDO o princípio fundamental do Código de Ética Profissional do Psicólogo que determina que o psicólogo atuará com responsabilidade, por meio do contínuo aprimoramento profissional, contribuindo para o desenvolvimento da Psicologia como campo científico de conhecimento e de prática;
CONSIDERANDO as Resoluções do CFP n°. 10/97 e 11/97 que dispõem, respectivamente, sobre critérios para divulgação, publicidade e exercício profissional do psicólogo, associados a práticas que não estejam de acordo com os critérios científicos estabelecidos no campo da Psicologia e sobre a realização de pesquisas com métodos e técnicas não reconhecidas pela Psicologia; CONSIDERANDO que os efeitos do atendimento psicoterapêutico mediado pelo computador ainda não são suficientemente conhecidos nem comprovados cientificamente e podem trazer riscos aos usuários;

CONSIDERANDO o encaminhamento do V CNP – Congresso Nacional da Psicologia – de que o Sistema Conselhos de Psicologia deve continuar e aprimorar a validação de sites que possam prestar serviços psicológicos pela internet, de acordo com a legislação vigente, ainda que em nível de pesquisa; CONSIDERANDO a importância de atestar para a sociedade os serviços psicológicos que possuam respaldo técnico e ético; CONSIDERANDO a decisão deste Plenário em 13 de agosto de 2005;

RESOLVE: CAPÍTULO I – DO ATENDIMENTO PSICOTERAPÊUTICO
Art. 1o. O atendimento psicoterapêutico mediado pelo computador, por ser uma prática ainda não reconhecida pela Psicologia, pode ser utilizado em caráter experimental, desde que sejam garantidas as seguintes condições:
I – Faça parte de projeto de pesquisa conforme critérios dispostos na Resolução 196/96, do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde ou legislação que venha a substituí-la, e resoluções específicas do Conselho Federal de Psicologia para pesquisas com seres humanos em Psicologia;
II – Respeite o Código de Ética Profissional do Psicólogo;
III – O psicólogo que esteja desenvolvendo pesquisa em atendimento psicoterapêutico mediado pelo computador tenha protocolo de pesquisa aprovado por Comitê de Ética em pesquisa reconhecido pelo Conselho Nacional de Saúde, conforme resolução CNS 196/96 ou legislação que venha a substituí-la;
IV – O psicólogo pesquisador não receba, a qualquer título, honorários da
população pesquisada; sendo também vedada qualquer forma de remuneração do usuário pesquisado;
V – O usuário atendido na pesquisa dê seu consentimento e declare expressamente, em formulário em que conste o texto integral desta Resolução, ter conhecimento do caráter experimental do atendimento psicoterapêutico mediado pelo computador, e dos riscos relativos à privacidade das comunicações inerentes ao meio utilizado;
VI – Esteja garantido que o usuário possa a qualquer momento desistir de participar da pesquisa, retirando a autorização, impedindo que seus dados até então recolhidos sejam utilizados na pesquisa;

VII – Quando da publicação de resultados de pesquisa, seja mantido o sigilo sobre a identidade do usuário e evitados indícios que possam identificá-lo;
VIII – O psicólogo pesquisador se compromete a seguir as recomendações técnicas e aquelas relativas à segurança e criptografia reconhecidas internacionalmente;
IX – O psicólogo pesquisador deverá informar imediatamente a todos os usuários envolvidos na pesquisa, toda e qualquer violação de segurança que comprometa a confidencialidade dos dados.
Art. 2o. O reconhecimento da validade dos resultados das pesquisas em atendimento psicoterapêutico mediado pelo computador depende da ampla divulgação dos resultados e reconhecimento da comunidade científica e não apenas da conclusão de pesquisas isoladas.
Art. 3o. Os psicólogos, ao se manifestarem sobre o atendimento psicoterapêutico mediado pelo computador, em pronunciamentos públicos de qualquer tipo, nos meios de comunicação de massa ou na Internet, devem explicitar a natureza experimental desse tipo de prática, e que como tal, não pode haver cobrança de honorários.
Art. 4o. As disposições constantes na presente Resolução são válidas para todas as formas de atendimento psicoterapêutico mediado por computador realizado por psicólogo, independente de sua nomenclatura, como psicoterapia pela Internet, ou quaisquer termos que designem abordagem psicoterapêutica pela Internet, tais como psyberterapia, psyberpsicoterapia, psyberatendimento, cyberterapia, cyberpsicoterapia, cyberatendimento, e-terapia, webpsicoterapia, webpsicanálise, e outras já existentes ou que venham a ser inventadas. São também igualmente válidas quando a mediação computacional não é evidente, como o acesso à Internet por meio de televisão a cabo, ou em aparelhos conjugados ou híbridos, bem como em outras formas possíveis de interação mediada por computador, que possam vir a ser implementadas. Art. 5o. As pesquisas realizadas sobre atendimento psicoterapêutico mediado pelo computador deverão ser identificadas com certificado eletrônico próprio para pesquisa, desenvolvido e conferido pelo Conselho Federal de Psicologia, na forma de selo, número com hiperligação ou equivalente, a ser incluído visivelmente nos meios em que são realizadas, como sites e páginas de Internet e equivalentes. I – Para efeito do disposto acima, o psicólogo responsável pela pesquisa, que esteja regularmente inscrito em Conselho Regional de Psicologia e em pleno gozo de seus direitos, dirigirá requerimento ao Conselho Regional de Psicologia via site www.cfp.org.br/selo, com protocolo em que detalha a pesquisa da forma padronizada recomendada pelo Conselho Federal de Psicologia e pela Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, e após análise e constatada a regularidade da pesquisa, será concedida a certificação eletrônica, devendo o psicólogo notificar ao Conselho Regional de Psicologia toda eventual mudança de endereços eletrônicos e de formatação da pesquisa realizada.
II – A hiperligação nos selos, números ou outra forma de certificado eletrônico deverá remeter ao site do Conselho Federal de Psicologia ou Conselho Regional de Psicologia onde conste o texto integral desta Resolução e outras informações pertinentes a critério do Conselho Federal de Psicologia.

CAPÍTULO II – DOS DEMAIS SERVIÇOS PSICOLÓGICOS
Art. 6o. São reconhecidos os serviços psicológicos mediados por computador, desde que não psicoterapêuticos,
tais como orientação psicológica e afetivosexual,
orientação profissional,
orientação de aprendizagem e Psicologia escolar,
orientação ergonômica,
consultorias a empresas,
reabilitação cognitiva, ideomotora e comunicativa,
processos prévios de seleção de pessoal,
utilização de testes psicológicos informatizados
com avaliação favorável de acordo com Resolução CFP N° 002/03,
utilização de softwares informativos e educativos com resposta automatizada,
e outros, desde que pontuais e
informativos e que não firam o disposto no Código de Ética Profissional do Psicólogo e nesta Resolução, sendo garantidas as seguintes condições:

I – Quando esses serviços forem prestados utilizando-se recursos de comunicação on line de acesso público, de tipo Internet ou similar, os psicólogos responsáveis deverão ser identificados através de credencial de autenticação eletrônica por meio de número de cadastro com hiperlink, hiperligação ou outra forma de remissão automática, na forma de selo ou equivalente, desenvolvido e conferido pelo Conselho Federal de Psicologia. Os selos, números ou outros tipos de certificados eletrônicos conferidos trarão a identificação do ano de sua concessão e prazo de validade, a critério do Conselho Federal de Psicologia. As hiperligações ou remissões automáticas dos certificados eletrônicos concedidos deverão necessariamente remeter à página do site do Conselho Federal de Psicologia que conterá o texto integral desta Resolução e também os números de cadastro ou sites que estejam em situação regular, e outras informações pertinentes a critério do Conselho Federal de Psicologia.
II – Para efeito do disposto acima o psicólogo responsável técnico pelo serviço, que esteja regularmente inscrito em Conselho Regional de Psicologia e em pleno gozo de seus direitos, dirigirá requerimento ao Conselho Regional de Psicologia via site www.cfp.org.br/selo, prestando as informações padronizadas solicitadas em formulário a respeito da natureza dos serviços prestados, qualificação dos responsáveis e endereço eletrônico, e receberá certificação eletrônica do tipo adequado que deverá ser incluída visivelmente em suas comunicações por meio eletrônico durante a prestação dos serviços validados. O procedimento de cadastro e concessão de certificado eletrônico será sempre gratuito. III – A Comissão Nacional de Credenciamento de Sites avaliará os dados enviados para a aquisição de certificação, e encaminhará parecer a ser julgado na Plenária do Conselho Regional de Psicologia em que o psicólogo requerente está inscrito.
IV – Da decisão do Conselho Regional de Psicologia caberá recurso voluntário ao Conselho Federal de Psicologia.
V – O Conselho Regional de Psicologia utilizará os dados enviados pelo requerente para verificar e fiscalizar os serviços oferecidos pelos psicólogos por comunicação mediada pelo computador à distância. Na detecção de qualquer irregularidade nos serviços prestados, o Conselho Regional de Psicologia efetuará os procedimentos costumeiros de orientação e controle ético.
VI – O cadastramento eletrônico deverá ser atualizado anualmente junto ao Conselho Regional de Psicologia via site www.cfp.org.br/selo. Essa reatualização deverá ser sempre gratuita, e o novo certificado conferido trará a data de sua concessão e prazo de validade. Os serviços em situação irregular não receberão a revalidação do cadastramento. VII – O psicólogo responsável pelo site deverá informar ao Conselho Regional de Psicologia, via site www.cfp.org.br/selo alterações no serviço psicológico prestado.
Art. 7o. Caso o Sistema Conselhos de Psicologia identifique, a qualquer tempo, irregularidades no site que firam o disposto nesta Resolução, no Código de Ética Profissional do Psicólogo e na legislação profissional vigente estará configurada falta ética e o site será descredenciado.
Art. 8°. É permitido aos psicólogos que prestam os serviços indicados no
Art. 6° desta Resolução a cobrança de honorários desde que se respeite o Art. 20 do Código
de Ética Profissional do Psicólogo que veda a utilização do preço como forma de propaganda.
Parágrafo Único – Caso o psicólogo queria prestar um serviço gratuito, o
mesmo deverá seguir o padrão de qualidade e rigor técnico que trata essa Resolução sendo
necessário seu credenciamento.
Art. 9° Será mantida, pelo Sistema Conselhos de Psicologia, Comissão Nacional de Credenciamento de Sites que além da avaliação dos sites, apresentará sugestões para o aprimoramento dos procedimentos e critérios envolvidos nesta tarefa e subsidiará o Sistema Conselhos de Psicologia a respeito da matéria. Art. 10. Para realização do credenciamento de sites de que tratam os artigos anteriores a Comissão Nacional de Credenciamento de Sites terá um prazo máximo de 30 dias para encaminhar sua avaliação ao CRP.
I – Da data de recebimento do parecer da referida Comissão, o Plenário do Conselho Regional de Psicologia terá o prazo máximo de 60 dias para efetuar o julgamento. II – Da decisão do CRP, as partes terão um prazo de 30 dias a contar da data da ciência da decisão para interpor recurso ao Conselho Federal de Psicologia.
Art. 11. Ficam revogadas as disposições em contrário, em especial a
Resolução CFP n.° 003/2000.
Art. 12. Esta Resolução entra em vigor na dada de sua publicação.
Brasília (DF), 18 de agosto de 2.005
ANA MERCÊS BAHIA BOCK
Conselheira – Presidente

Site do CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA





PROCEDIMENTOS

3 09 2009

Recursos

Os atendimentos psicológicos pela internet geram auto-conhecimento, são orientações breves e objetivas centradas numa queixa específica do cliente, seja via e-mail, MSN e/ou Skype

Ambiente

O cliente deve estar fora do seu local de trabalho, em um local tranqüilo, oferecendo atenção exclusiva ao Psicólogo no momento dos atendimentos online, sem estar ocupado com outras atividades, como por exemplo, teclando com outras pessoas, lendo ou respondendo emails, entre outras. Essas atividades paralelas no momento do atendimento online desviam a atenção e a concentração do cliente.

Período

Os atendimenntos estão previstos para efetuar-se no máximo de 8 sessões num prazo aproximadamente de 2 meses para o término, onde spera-se que as orientações tenham si positivas e que Psicólogo e Cliente reavaliem o resultado da proposta até a última sessão.
A duração da sessão da orientação profissional é de 50 minutos.

Ética

O Atendimento On-Line obedece a ética profissional do psicólogo, que preservam o sigilo e o respeito pelo paciente.
Sua identidade e informações são confidenciais. Entretanto, lembramos da vulnerabilidade do atendimento oferecido pela internet.
Assim, para resguardar o sigilo dos atendimentos sugere-se que evite o uso de computadores públicos (cyber-café, faculdade, trabalho, lan-house, etc.) e que exclua o histórico do Messenger.
Mesmo com esses cuidados não podemos garantir plenamente o sigilo, se tratando de um atendimento ligado a internet.
Todas intervenções são realizadas somente pelo psicólogo responsável.

Público Alvo

Esta forma atendimento é destinado às pessoas a partir de 16 anos de idade. Todavia, quando se tratar de solicitantes na faixa etária abaixo de 18, será exigida uma autorização dos pais ou responsáveis por esse menor, através de documentos por meio dos quais fique comprovado o pleno conhecimentos dos mesmos em relação ao atendimentos que daremos àquele(a) jovem.

Lembre-se

Não se trata de psicoterapia, mas orientações. Caso seu desejo seja buscar psicoterapia, você deve procurar um psicoterapeuta em atendimento clínico convencional.

PRIMEIROS PASSOS

Entre em contato pelo E-mail “cristianccss@hotmail.com” e:

1) Descreva o motivo de buscar orientação psicológica.
2) Qual sua Idade?
3) Qual o recurso de sua preferência (e-mail, MSN, Skype ou chat)?





“Critico em particular, elogio em público”

31 08 2009
30 de agosto de 2009 | N° 8545

// ENTREVISTA

“Critico em particular, elogio em público”

//

Estudioso e detalhista. Essas são duas características que fazem do técnico Silas, do Avaí, um dos treinadores mais respeitados do Brasil na atualidade.

– Futebol, hoje, 80% é psicologia. É trabalhar a mente do atleta – diz o treinador.

Nesta entrevista, Silas reforça que não temeu ser demitido quando o Avaí estava na lanterna do Brasileiro e fala sobre seu futuro.

Diário Catarinense – Todos os jogadores dizem que o mérito do Avaí é o conjunto. Como você trabalha este aspecto?

Silas – É muito tempo junto com eles. A gente foi buscar a característica de cada jogador para casar uns com os outros. O Marquinhos pensa muito, o Muriqui é muito rápido, o Léo Gago se aproxima da área e chuta forte. Aí você tem o Caio que marca e aparece. Tem o Fabinho Capixaba que marca e aparece, tem o Eltinho que joga, que tem uma boa bola parada, você tem o Emerson que é bom na bola alta. Depois você procura, no pessoal que está de fora, repetir as características. Também estamos tentando aproximar o Fernando Bob do Léo Gago. Ele marca mais que o Léo, mas joga um pouco mais curto e chuta menos que o Léo. Então você precisa instigar ele para chutar de fora da área. Em um dos treinos, disse pra ele: “Quero seis chutes teus no gol”. E fui cobrando. No jogo, sem perceber, ele faz isso.

DC – Você diz que planeja jogo a jogo. Como é feito este estudo?

Silas – Eu, o Paulo Antônio, meu irmão gêmeo, e o Neguinho, assistimos ao jogo juntos. Vemos o nosso jogo, para ver o que não podemos repetir de erro e o que precisamos insistir de acerto. Depois assistimos ao jogo do adversário e tentamos casar os dois times para entrar na cabeça do treinador do outro lado. Se eu fosse o técnico do Flamengo, iria botar o Willians para marcar o Marquinhos ou o Muriqui e aí colocaria o Lenon para marcar o outro. No intervalo do jogo, aqui na Ressacada, eu disse: “Vamos tirar o Willians do jogo”. O estilo dele é nervoso e ele estava mais nervoso que o normal porque estava jogando com a molecada. Então, a responsabilidade caiu em cima dele. Não demorou 10 minutos e o Willians foi expulso. É o quebra-cabeça que faz o treinador ficar de cabelo branco.

DC – Você costuma valorizar os jogadores, tanto titulares quanto os reservas. Acha que é um dos seus pontos positivos?

Silas – Eu aprendi que se critica em particular e que se elogia em público. No jogo com o Atlético-MG eu disse a eles: “Vou lá elogiar vocês porque estava 2 a 0 para o Atlético-MG e a gente empatou. Vou elogiar que nós remontamos o jogo, vou elogiar a parte física, vou dizer que vocês não desistiram até fazer o gol de empate e que quase ganhamos. Agora, aqui dentro, não posso elogiar a falta de concentração”. Em particular, se critica e vai na ferida. Em público, a gente elogia. Acho que é uma psicologia que funciona bem.

DC – Você disse que está se tornando um psicólogo. Já é?

Silas – Estou fazendo o mestrado, agora (risos). Futebol, hoje, 80% é psicologia. É trabalhar a mente do atleta, saber com quem você grita e ele se esconde e com quem você grita e ele rende mais. Saber o jogador que precisa de desafio, como o Marquinhos. “Você tem que ser o melhor do Brasil, você tem que jogar no exterior”. Aí ele compra a ideia e vai. É trabalhando muito tempo no mesmo lugar que você conhece os jogadores. Você sabe a esposa que ajuda, que a família ajuda. Vê que, quando o jogador não está muito bem é porque tem alguma coisa errada. Então você vai conversar com o jogador e ver o que aconteceu. Este trabalho é que ninguém vê, não interessa pra ninguém, mas que é tão importante quanto os noventa minutos do jogo.

DC – Nos momentos difíceis, você acreditou que o time reagiria?

Silas – Eu não pensei que não ia dar certo porque, em qualquer momento que eu saísse do Avaí, eu já ia deixar um trabalho vitorioso. Este pessoal jamais ia esquecer de mim, mesmo se eu tivesse saído no começo do Brasileiro. Então, nunca me preocupou esta questão. Eu sairia se não tivesse sintonia com os jogadores, se você fala uma coisa e o jogador faz outra. Diretor dá palpite como em qualquer outro lugar; uns mais, outros menos. Mas aqui eu decido, errando ou acertando. A diretoria nunca interferiu. E existe esta sintonia entre o treinador e o time.

DC – Qual o teu planejamento para a carreira?

Silas – Se o Avaí conseguir uma classificação para a Copa Sul-Americana, ou alguma coisa mais importante, e o planejamento do clube for como este, não tenho problema em ficar treinando o Avaí. Mas, se isso não acontecer e se sair muito jogador e tivermos que remontar um elenco, de repente é melhor pensar em uma alternativa. Mas, por enquanto, temos que viver intensamente estes quatro meses, porque tem muita coisa para buscar ainda dentro do torneio.

MAURÍCIO FRIGHETTO





CONSIDERAÇÕES DO DR. IÇAMI TIBA ACERCA DA EDUCAÇÃO….

19 08 2009

Se queremos que nossos filhos sejam bons adultos, temos que seguir algumas regrinhas.

1. A educação não pode ser delegada à escola. Aluno é transitório. Filho é para sempre. A educação vem de casa.

2. Quarto não é lugar para fazer criança cumprir castigo. Não se pode castigar alguém que tenha acesso a internet, som, tv etc.

3. Educar significa punir as condutas derivadas de um comportamento errôneo. Queimou índio pataxó, a pena (condenação judicial) deve ser passar o dia todo em hospital de queimados.

4. Confronte o que o filho conta com a verdade real. Se falar que professor o xingou, vá até a escola e ouça o outro lado, além das testemunhas.

5. Informação é diferente de conhecimento. O ato de conhecer vem após o ato de ser informado de alguma coisa. Não são todos que conhecem. Conhecer camisinha e não usar, significa que não se tem o conhecimento da prevenção que a camisinha proporciona.

6. A autoridade deve ser compartilhada entre os pais. Ambos devem mandar…. Não se pode sucumbir aos desejos da criança. Criança não quer comer? A mãe não precisa alimentá-la. A criança deve aguardar até a próxima refeição que a família fará. A criança não pode alterar as regras da casa. A mãe NÃO PODE interferir nas regras ditadas pelo pai (e nas punições também) e vice-versa. Se o pai disse que não ganhará doce, a mãe não pode interferir. Tem que respeitar sob pena de criar um delinquente. Em casa que tem comida, criança não morre de fome . Se ela quiser comer, saberá a hora. E é o adulto tem que dizer QUAL É A HORA de se comer e o que comer.

7. A criança deve ser capaz de explicar aos pais a matéria que estudou e na qual será testada. Não pode simplesmente repetir, decorar. Tem que entender.

8. Temos que produzir o máximo que podemos, pois na vida não podemos aceitar a média exigida pelo colégio. Não podemos dar 70% de nós, ou seja, não podemos tirar 7,0. Temos que nos dar 100%.

9. As drogas e a gravidez indesejada estão em alta porque os adolescentes estão em busca de prazer. E o prazer é inconsequente, pois aquela informação, de que droga faz mal, não está gerando conhecimento.

10.. A gravidez é um sucesso biológico, e um fracasso sob o ponto de vista sexual.

11.. Maconha não produz efeito só quando é utilizada. Quem está são (saudável), mas é dependente, agride a mãe para poder sair de casa, para da droga fazer uso. A mãe deve, então, virar as costas e não aceitar as agressões. Não pode ficar discutindo e tentando dissuadi-lo da idéia. Tem que dizer que não conversará com ele e pronto.

12.. A mãe é incompetente para ‘abandonar’ o filho. Se soubesse fazê-lo, o filho a respeitaria. Como sabe que a mãe está sempre ali, não a respeita.

13.. Homem não gosta quando a mulher vem perguntar: ‘E aí, como foi o seu dia?’. O dia, para o homem, já foi, e ele só falará se tiver alguma coisa relevante. Não quer relembrar todos os fatos do dia..

14.. Se o pai ficar nervoso porque o filho aprontou alguma coisa, não deve alterar a voz. Deve dizer que está nervoso e, por isso, não quer discussão até ficar calmo. A calmaria, deve o pai dizer, virá em 2, 3, 4 dias. Enquanto isso, o videogame, as saídas, a balada, ficarão suspensas, até ele se acalmar e aplicar o devido castigo.

15.. Se o filho não aprendeu ganhando, tem que aprender perdendo.

16.. Não pode prometer presente pelo sucesso que é sua obrigação. Tirar nota boa é obrigação. Não xingar avós é obrigação. Ser polido é obrigação. Passar no vestibular é obrigação. Se ganhou o carro após o vestibular, ele o perderá se desistir ou for mal na faculdade.

17.. Quem educa filho é pai e mãe. Avós não podem interferir na educação do neto, de maneira alguma. Jamais. Não é cabível palpite. Nunca.

18.. Mães… muitas são loucas! E devem ser tratadas. (palavras dele).

19.. Se a mãe engolir sapos do filho, a sociedade terá que engolir os dele.

20.. Videogames são um perigo. Os pais têm que explicar como é a realidade. Na vida real, não existem ‘vidas’, e sim uma única vida. Não dá para morrer e reencarnar. Não dá para apostar tudo, apertar o botão e zerar a dívida. Muitos pais acreditam que os videogames estimulam a criatividade, torna o raciocínio para rápido, ledo engano.

21.. Professor tem que ser líder. Inspirar liderança. Não pode apenas bater cartão.

22.. Pai não pode explorar o filho por uma inabilidade que o próprio pai tenha. ‘Filho, digite tudo isso aqui pra mim porque não sei ligar o computador’. O filho tem que ensiná-lo para aprender a ser líder.Se o filho ensina o líder (pai), então ele também será um líder. Pai tem que saber usar o Skype, pois no mundo em que a ligação é gratuita pelo Skype, é inconcebível o pai pagar para falar com o filho que mora longe.

23.. O erro mais frequente na educação do filho é colocá-lo no topo da casa. Não há hierarquia. O filho não pode ser a razão de viver de um casal. O filho é um dos elementos. O casal tem que deixá-lo, no máximo, no mesmo nível que eles. A sociedade pagará o preço quando alguém é educado achando-se o centro do universo.

24.. Filhos drogados são aqueles que sempre estiveram no topo da família.

25.. Cair na conversa do filho é criar um marginal. Filho não pode dar palpite em coisa de adulto. Se ele quiser opinar sobre qual deve ser a geladeira, terá que saber qual é o consumo (KWh) da que ele indicar. Se quiser dizer como deve ser a nova casa, tem que dizer quanto que isso (seus supostos luxos) incrementará o gasto final.

26.. Dinheiro ‘a rodo’ para o filho é prejudicial. Tem que controlar e ensinar a gastar.

Palestra ministrada pelo Dr. Içami Tiba, Psiquiatra, em Curitiba, 23/07/08. Médico pela Faculdade de Medicina da USP. Psiquiatra pelo Hospital das Clínicas da FMUSP.. Professor-Supervisor de Psicodrama de Adolescentes pela Federação Brasileira de Psicodrama. Membro da Equipe Técnica da Associação Parceria Contra Drogas – APCD.

Membro Eleito do Board of Directors of the International Association of Group Psychotherapy. Conselheiro do Instituto Nacional de Capacitação e Educação para o Trabalho “Via de Acesso”. Professor de diversos cursos e workshops no Brasil e no Exterior.

Criou a Teoria Integração Relacional, na qual se baseiam suas consultas, workshops, palestras, livros e vídeos.

Em pesquisa realizada em março de 2004, pelo IBOPE, entre os psicólogos do Conselho Federal de Psicologia, os entrevistados colocaram o Dr. Içami Tiba como terceiro autor de referência e admiração – o primeiro nacional.

  • 1º- lugar: Sigmund Freud;

  • 2º- lugar: Gustav Jung;

  • 3º- lugar: Içami Tiba.





Psicólogos atendem pela internet

29 06 2009
Terapia por meio do computador é regulamentada pelo Conselho há 4 anos

Repórter

Da sala ou do quarto com o notebook conectado à rede, Luiza [nome fictício] está pronta para iniciar a sessão. Na próxima hora, o sofá ou o colchão se torna o divã. Num mundo no qual se compra, vende, aluga, fecha  negócio ou se conhece pessoas, fazer terapia pela internet até que não soa estranho.

A prática já faz parte da rotina semanal da assistente administrativa. Foi com o atendimento psicológico online que ela recuperou a autoestima e superou o rompimento repentino do namoro de três anos. “Eu esperava me casar, de repente fiquei sem chão. Ele terminou comigo sem me dar qualquer motivo”, afirmou.

Embora para os mais radicais nada substitua as interações face a face, para quem está angustiado ou sem tempo a ajuda ao alcance de um clique pode ser aquela luz no fim do túnel em meio à escuridão.

A alternativa também ajudou Rafael [nome fictício] num momento de extrema angústia com relação ao rumo que sua vida tinha tomado. O rapaz formou-se em administração de empresas aos 22 anos e, aos 24, ocupava um dos postos mais altos da empresa na qual havia estagiado.

A progressão, que, segundo ele, se deu por seus méritos, o fazia se sentir culpado. “Em dois anos, eu passei de estagiário a chefe de pessoas que estavam há mais de 15 anos na empresa. Elas me olhavam como se eu tivesse puxado o tapete delas”, disse.

Numa noite, depois de chegar em casa e não conseguir se livrar do sentimento nem da lembrança dos olhares que recebia no trabalho, resolveu buscar na internet contatos de especialistas. Primeiro pensou em conseguir números de telefones de psicólogos para conversar, mas descobriu o serviço disponível na rede.

“Descobri um profissional que estava online naquele exato momento. Teclamos durante uma hora, mais ou menos. Pude desabafar e receber uma orientação que me ajudou muito”, afirmou.

Os serviços de psicologia pelo computador estão engatinhando no Brasil. A nova tendência é regulamentada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) pela Resolução Nº 012, de 2005, e exige o selo de aprovação do órgão disponibilizado no site para o público.

53 sites brasileiros estão credenciados

Atualmente, 53 sites brasileiros possuem credenciamento no Conselho Nacional de Saúde (CNS), sendo dois deles em Minas Gerais. Até a primeira quinzena de junho, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) havia registrado 365 solicitações de credenciamento de sites que gostariam de oferecer atendimentos pela internet. Destes, 117 estão sob análise e o restante foi reprovado por não atender aos critérios da Resolução que regulamenta o serviço.

Até agora, o consenso entre os profissionais é de que não se pode resolver todos os conflitos num bate-papo eletrônico. Os sites credenciados perante o CFP estão habilitados a prestar ajuda para questões precisas ou crises específicas, mas nada grave. Caso contrário, o tratamento convencional é o indicado.

De acordo com a membro do CFP, Andréa dos Santos Nascimento, o órgão regulamenta o atendimento psicológico mediado pelo computador, sem caráter psicoterapêutico. Ele se restringe à orientação e ao aconselhamento. A psicoterapia pela internet só pode ser realizada como pesquisa científica, cujo protocolo tenha sido aprovado por um comitê de ética em pesquisa, reconhecido pelo Conselho Nacional de Saúde.

“A psicoterapia online ainda não é reconhecida como uma prática do psicólogo por não existirem estudos suficientes sobre isso”, afirmou Andréa Nascimento, mestre em política social e doutoranda em psicologia pela Universidade Federal do Espírito Santo.

Porém, antes de se iniciar uma interação, Andréa Nascimento afirmou que é preciso se cercar de cuidados para não cair em armadilhas. “Há sites que clonam o selo do Conselho, por isso, antes de interagir, o internauta precisa clicar no selo e verificar se o link o remeterá ao site do Conselho. Além disso, a psicologia não se utiliza de bruxinhas nem de nenhum símbolo do esoterismos”, disse.

Para ela, é preciso verificar ainda se a pessoa do outro lado é realmente um profissional sério. “Desconfie de consultas muito baratas, apesar de encontrar alguns profissionais que disponibilizam o atendimento a um custo menor, a diferença não deve ser escandalosa. O tempo de um bom profissional nunca é barato”, afirmou.

As interações no atendimento psicológico online são feitas por intermédio do MSN, skype, google talk, gmail ou videoconferência, por isso, exigem um certo conhecimento sobre computador, para manipular as ferramentas. Para optar pela videoconferência, é necessário que o internauta não tenha resistência ao uso da câmera. Quem se trava diante da webcam não conseguirá ter êxito no atendimento.

Números

53 sites estão autorizados pelo Conselho Federal de Psicologia e possuem selo

2 sites credenciados para oferecer o serviço são de profissionais mineiros

R$ 40 é o custo médio de um atendimento agendado com profissionais na internet

PONTOS POSITIVOS

Timidez

Grande parte dos pacientes apresenta dificuldades de se abrir nas interações face a face. O atendimento online ajuda essas pessoas a relaxarem.

Comodidade

O acesso pela web diminui as chances de empecilhos como tempo, distância ou trânsito.

Custo

Um atendimento online é cerca de um terço mais barato que no consultório.

Residentes no exterior

A barreira da língua e da distância é derrubada, já que o desconhecimento do idioma pode ser um dos motivos de angústia.

PONTOS NEGATIVOS

Charlatanismo

O acesso pela internet aumenta o risco de cair em armadilhas e ser vítima de pessoas desqualificadas.

Conexão

A conexão entre os computadores do paciente e do terapeuta pode ser derrubada, o que interromperia a terapia. A praxe é igual: data e horário da consulta são agendados previamente.

Sigilo

Não há garantia de sigilo absoluto como ocorre com qualquer pessoa que navegue na rede, mas os adeptos alegam que nem o tratamento convencional oferece isso.

Conflito

Muitos especialistas afirmam que a terapia online funciona apenas como orientação, mas não segura a barra de uma crise.

Pesquisas

Não há pesquisas conclusivas que provem sua eficácia.

Iinterpretação

Na comunicação virtual, o terapeuta não vê ou ouve o paciente, o que compromete a interpretação dos signos e, consequentemente, torna a técnica tradicional inadequada. Ao escrever, o paciente pode mostrar segurança, mas no íntimo está apavorado.





Consultor para assuntos pessoais

22 06 2009
Assim como as empresas, as pessoas contratam profissionais para atingir suas metas de vida

Claudia Jordão

REALIZADA Érika Moraes passou no vestibular com a ajuda de Claudio Behr

Largar o emprego e abrir uma pousada no Nordeste. Encontrar o par perfeito. Ser o chefe do setor. Duplicar o valor do contracheque. Todo mundo tem um sonho ou meta na vida – ou, pelo menos, gostaria de ter. Há, porém, dois tipos de pessoas: as que perseguem incansavelmente o objetivo e as que deixam o plano esquecido em alguma gaveta, à espera de um incentivo externo para levá-lo adiante. Este segundo grupo é o filão dos profissionais que incentivam, apoiam e ajudam as pessoas a traçar um plano de ação rumo a um projeto próprio. São os chamados coaches pessoais, especialistas em analisar conjunturas e criar estratégias, sempre com foco na meta.

Os coaches surgiram no meio esportivo na década de 70 (o termo significa técnico de atleta, em inglês). Migraram para as empresas, nos Estados Unidos, nos anos 80, com o objetivo de tornar os funcionários mais competitivos e comprometidos com os lucros. Há dez anos, chegaram ao Brasil, primeiro para atuar na área corporativa. Agora, são cada vez mais requisitados por pessoas com metas pessoais a atingir, seja em questões de relacionamentos, seja de aparência, de qualidade de vida ou de carreira.

“Coaching não é terapia. Nosso negócio é pensar à frente”
Villela da Matta, presidente da Sociedade Brasileira de Coaching

A profissão de coach não é regulamentada. Mas, para aplicar a metodologia de coaching, é necessário passar por um treinamento específico, baseado em técnicas, ferramentas e abordagens desenvolvidas por estudiosos da área ao longo dos últimos 30 anos. Na década de 70, o treinador americano Timothy Gallway escreveu o livro “The Inner Game of Tennis” (Por Dentro do Jogo do Tênis, em tradução livre). Nele, apresentou uma nova metodologia de treinamento e desenvolvimento pessoal e profissional. Nos anos 80, o psicólogo britânico John Withmore criou um dos primeiros modelos de coaching corporativo. Atualmente, o Behavioral Coaching Institute (Instituto de Coaching Comportamental), nos Estados Unidos, é uma das mais respeitadas escolas de coaching e centro de pesquisa sobre a técnica.

A formação do coach existe em diversas instituições pelo mundo. Mas quem procura um profissional deve ficar atento: há muita gente oferecendo o serviço sem especialização. Para evitar os charlatões é preciso levantar os casos em que o profissional trabalhou, tempo de atuação, formação e certificados.

“Coaching lida com pessoas, mas não é terapia”, explica Villela da Matta, presidente da Sociedade Brasileira de Coaching (SBC), que é formado em administração, ciências da computação e psicologia. “Não investigamos o passado de nossos clientes, nem porque são daquele jeito ou agem de determinada maneira. Nosso negócio é pensar à frente e em como sua meta será alcançada.” Esta diferença entre coach e terapeuta seduziu o casal de dentistas Henry Gutierrez, 48 anos, e Patrícia Gross, 37. Dois anos atrás, eles enfrentavam uma crise no casamento e resolveram investir no coaching como saída. “Lavar roupa suja só aumenta as mágoas”, diz Gutierrez. “Preferimos começar do zero e, no lugar de avaliar o passado, olhar para o futuro.” Deu certo. Ao longo de um ano, analisaram cada problema de uma vez, como, por exemplo, a dificuldade de comunicação, a importância do carinho na relação e as finanças, e hoje estão felizes juntos.

A meta a ser alcançada é sempre o ponto de partida. Mas nem sempre o cliente enxerga de forma clara. “Boa parte das pessoas chega perdida”, diz a coach Ana Paula Peron. Também pode acontecer de se buscar orientação com um objetivo em mente e ao longo do processo descobrir que o problema tem outra origem. Foi o caso da consultora de recursos humanos Tania Sanches, 38 anos. “Procurei um coach porque havia sido demitida e queria voltar ao mercado de trabalho”, diz ela. “Durante as sessões percebi que a minha vida pessoal estava toda desarrumada.” Tania viu que estava em segundo plano desde que se casou e se tornou mãe. Deu-se conta também que havia três anos não saía para jantar com o marido. Ela ainda está fazendo as sessões, mas já descobriu um novo filão profissional: aliar sua profissão de consultora de RH autônoma com o coaching. Para isso, está estudando a técnica.

Identificada a meta, cabe ao coach levar a pessoa a minimizar ou eliminar tudo aquilo que a impede de atingir seu objetivo. É sua função também ajudá-la a enxergar seus potenciais, para que sejam explorados da melhor maneira possível. “O coach nunca diz ao cliente o que ele deve fazer”, explica o coach Claudio Behr. “Ele faz as perguntas certas para chegar às respostas corretas.” Quem atua na área de assuntos pessoais terá mais prestígio se tiver formação específica no seu ramo, como Behr, 35 anos, que é coach e professor de física de cursinho pré-vestibular. Graças a ele, a estudante Érika Moraes, 20, conseguiu organizar seus horários, driblar sua tensão e conquistar uma vaga na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), sua grande meta. “O coaching me ensinou a ter confiança e me fez acreditar que é possível alcançar nossos sonhos”, diz Érika.

O coaching é bastante popular no meio artístico. Atores globais como Juliana Paes, Cauã Reymond e Grazi Massafera recorrem a este profissional para ajudar no desenvolvimento dos personagens. “Sou expansiva, gesticulo muito e me mexo demais”, diz Taila Ayala, que acaba de estrear na novela “Caminho das Índias”, da Rede Globo. “Vi que isso não cabe em determinadas situações e aprendi a investir no meu olhar.”

SEM CRISE Henry Gutierrez e Patrícia Gross: casamento salvo

A procura pelos cursos cresce exponencialmente. Só a Sociedade Brasileira de Coaching formou 300 profissionais em 2008, um crescimento de 300% em relação ao ano anterior. Lá, a primeira etapa do curso engloba 80 horas de teoria, mais 25 de prática, além de 100 horas de treinamento. Custa a partir de R$ 5 mil. Quem quer atuar na área executiva precisa fazer outras 80 horas de treinamento. Cada sessão de coaching, com duração média de uma hora, custa de R$ 150 a R$ 300. O processo geralmente chega ao fim depois de 12 sessões, ou cerca de três meses.

A demanda por profissionais desse tipo talvez seja um reflexo da sociedade em que vivemos, na qual as pessoas se enxergam como empresas, com metas a alcançar. “Há pressão para sermos perfeitos em casa e no trabalho e para termos o melhor desempenho em tudo o que fazemos”, diz a psicóloga Leila Tardivo, professora do Departamento de Psicologia da USP. “Isso pode ser muito frustrante.” Até porque a passagem pelas técnicas de coaching não é garantia de sucesso.

Via: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2067/consultor-para-assuntos-pessoais-assim-como-as-empresas-as-pessoas-142064-1.htm





Rivotril: a tarja preta mais vendida no País

1 06 2009

31/05/200909:32Lecticia Maggi, repórter do Último Segundo

SÃO PAULO – Na lista dos remédios mais vendidos no País nos últimos 12 meses, o ansiolítico Rivotril está em segundo lugar, de acordo com o Instituto IMS Health, que audita a indústria farmacêutica. O remédio perde apenas para o anticoncepcional Microvlar. Considerando apenas os medicamentos de tarja preta, ele é o primeiro da lista.


A alta no consumo de um remédio, que só pode ser vendido com retenção da receita, é assunto polêmico entre a classe médica. Especialistas ouvidos pela reportagem do Último Segundo apontam pelo menos três fatores para explicar este consumo exagerado: uma preocupação maior com a saúde mental, a falta de consciência de alguns pacientes que ignoram a recomendação médica e o despreparo de parte dos profissionais de saúde.Segundo o psiquiatra Edson Capone de Moraes Junior, da Universidade Estadual Paulista (UNESP), o modelo médico existente, que separa corpo e mente, contribui para o aumento nas prescrições do Rivotril. “Ao invés de atuar no problema, trata-se a consequência”, diz. “Há médicos que não diferenciam quadros de depressão, ansiedade e psicose, e para todos indicam o mesmo remédio”.

O psiquiatra afirma que o Rivotril – há 35 anos no mercado – passou a ser considerado uma das opções mais “seguras” pelos médicos por ter boa tolerância no organismo. “Você não erra muito. Ele é facilmente aceito pelos pacientes”, afirma, acrescentando que, se houvesse psiquiatras para realizar o diagnóstico correto, não seria necessário tanto Rivotril.

“Alguns médicos quando se deparam com pacientes com distúrbios mentais é comum iniciarem o tratamento com um ansiolítico. Então, se não resolvem o problema, passam para um antidepressivo”, afirma.

O psiquiatra e psicanalista Plinio Montagna, presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, acrescenta ainda que, graças aos “bilhões de dólares injetados na publicidade de laboratórios farmacêuticos”, hoje não existe mais o receio em tomar uma medicação para distúrbios psiquiátricos. “Existe até certa glamorização da medicação”, considera.

Uso controlado

Para o Rivotril, não há consenso sobre o tempo seguro de uso. A dependência ao medicamento varia conforme a dose e a predisposição do paciente, mas, segundo Junior, o uso não deve passar de quatro meses. “Se o paciente é extremamente ansioso não posso tratá-lo com Rivotril a vida inteira”, afirma.

O Rivotril tem cinco ações principais no organismo. Serve como anticonvulsivante para casos de epilepsia, relaxante muscular, ansiolítico, hipnótico e sedativo, sendo que, na visão de Junior, são as três últimas funções que impulsionaram as suas vendas.

A princípio, ele era divulgado entre a classe médica apenas como um anticonvulsivante, sendo os seus demais usos conhecidos e ampliados nos últimos anos.

O medicamento é da classe dos benzodiazepínicos, como Lexotan, Valium, Diazepam e Frontal, e tem como princípio ativo o clonazepam. Junior explica que a substância é absorvida pelo organismo, passa pela circulação sanguínea e age em um sistema chamado Gabaérgico, inibindo a atividade cerebral e acalmando. “Ele é um dos mais potentes. Se tiver três benzodiazepínicos concorrendo no seu cérebro, ele chega primeiro”, afirma.

No entanto, Junior esclarece que apenas para casos de epilepsia ele é usado sozinho. Em casos de depressão e transtorno bipolar, por exemplo, é apenas adjuvante e serve para complementar o tratamento principal.

“Não vivo sem”

Mas muitos ignoram o uso correto do medicamento. A funcionária pública Luana Cardoso, de 24 anos, de Porto Alegre, é um exemplo de paciente que não segue o prescrito pelo médico. Ela afirma que toma Rivotril há seis anos “entre idas e vindas” e “faz de conta que segue as recomendações médicas”, mas, na verdade, administra do seu jeito.Após ter tido uma Síndrome do Pânico, o psiquiatra recomendou que tomasse dois comprimidos de Rivotril por dia, um pela manhã e outro à noite. Mas Luana só faz isso de segunda à quinta-feira. Aos finais de semana, não toma para poder ingerir bebida alcoólica. “Minha família toda usa Rivotril e como já vi o que acontece com quem usa e bebe prefiro não arriscar”, afirma. O medicamento potencializa o efeito do álcool e, em doses muito altas, pode levar ao coma. “O médico sempre diz que não o engano, só estou me enganando, mas não vou viver mais ou menos por causa de um remédio”, diz.

Um dos sinais de tolerância do corpo ao remédio é precisar de doses cada vez maiores para alcançar o efeito desejado, além do que o psiquiatra Junior chama de “necessidade subjetiva” do uso da substância. “Antes, o paciente tomava quando estava muito nervoso. Depois, a qualquer sinal de ansiedade”, afirma.

O estudante V.G.A, de 23 anos, é um dos que diz não conseguir mais viver sem o remédio. Começou a tomar há três anos por indicação do médico, após ter um surto psicótico, provocado, principalmente, segundo ele, pelo uso assíduo de maconha. “Era uma pessoa ansiosa e tinha sintomas de depressão, mas a cannabis mascarava isso”, considera.

Após o surto, quando V.G.A afirma que teve “pensamentos absurdos e mania de perseguição”, o médico o receitou um antidepressivo e 6 gotas de Rivotril por dia. “Hoje estou tomando 25 gotas por conta própria, à noite. Não durmo caso não tome. Me considero viciado”, conta.

O bancário e estudante de psicologia Danilo Perucci, de 22 anos, também não vive sem o remédio. Ele procurou um psiquiatra após ficar com insônia por problemas familiares. Para o sono, recebeu uma caixinha de Rivotril. Hoje, admite que faz um uso “cíclico” do medicamento, toma seis meses e para seis, sem seguir qualquer recomendação. “Uso por conta própria, só retorno para pegar outra receita”, confessa.

Perucci, que se diz “dependente psicológico” do remédio, afirma que nunca teve problemas para conseguir novas cartelas. “Eu vario entre três psiquiatras do meu plano de saúde que me receitam Rivotril sem muitas perguntas”, conta.

Saúde em risco

A partir de dois meses, médicos dizem que o uso deve estar sob constante monitoramento. Além da dependência química, que é o maior dos riscos e pode ser irreversível, o uso contínuo por anos pode causar perda de memória, irritabilidade e até mesmo depressão. Durante a gravidez, pode até mesmo causar aborto. “Como todos os sedativos do sistema nervoso central, em doses muito altas podem causar sonolência, reflexos diminuídos, confusão, coma, parada respiratória e, no extremo, morte. Mas as doses precisam ser muitíssimo altas”, acrescenta Montagna.

Para quem resolve parar com Rivotril o caminho nem sempre é fácil. O estudante de direito Luiz Roberto Blum, de 26 anos, demorou seis meses para conseguir. “Um psiquiatra me disse: ‘pare de tomar hoje’, mas eu não consegui ficar um dia sem. Tive sintomas de pânico e náuseas”, revela.

Aos poucos, Blum conseguiu substituir o remédio por outro ansiolítico, mas demorou seis meses para conseguir parar completamente. “O médico sempre me dizia para tomar somente quando necessário, o problema era que eu sempre achava necessário”, lembra.

Ansiedade necessária

De acordo com psiquiatras, a linha que separa a ansiedade natural daquela que deve ser tratada é delicada e, caso não seja avaliada com cuidado, o paciente corre o risco de eliminar emoções importantes para o desenvolvimento da mente. “Certo grau de ansiedade é necessário e inerente à condição humana”, afirma Junior.

Montagna completa que a ansiedade funciona como propulsora da ação e do pensamento. “É uma espécie de combustível para o funcionamento do ego. Podemos compará-la com a tensão das cordas de um violão. Se estão muito frouxas, não sai música. Se muito estiradas, podem até romper-se e também não haverá música. Num grau de tensão ótimo, aí, sim, podemos extrair música”, explica.

Mesmo quando considerada uma doença, os especialistas concordam em dizer que nem sempre o tratamento com remédios é a melhor opção. É preciso verificar os motivos que estão causando a ansiedade e atuar neles. “Muitas pessoas acham que tomando drogas de última geração estão sendo bem tratadas, mas, muitas vezes, é preciso diminuir as dosagens para que o paciente tenha outra dimensão do que acontece. A psicanálise pode ser bastante útil nesses casos”, completa Montagna.

Ranking dos medicamentos mais vendidos no País
Até Março de 2009
Microvlar
Rivotril
Puran T-4
Hipoglos Nf
Buscopan Composto
Neosaldina
Salonpas
Novalgina
Ciclo 21
10° Sal De Eno
2008
Microvlar
Rivotril
Puran T-4
Hipoglos Nf
Neosaldina
Buscopan Composto
Salonpas
Tylenol
Novalgina
10° Ciclo 21
2004
Fonte: IMS Health
Microvlar
Neosaldina
Hipoglos Nf
Buscopan Composto
Novalgina
Rivotril
Tylenol
Cataflam
Neovlar
10° Luftal




Freud está morto?

4 01 2009

Não, não é bem assim. Um grupo de neurocientistas desenvolve, no Rio Grande do Norte, uma pesquisa que mostra que algumas intuições do pai da psicanálise estavam corretas. Um dos pesquisadores do Instituto criado por Miguel Nicolelis “enfileirou vários artigos de neurocientistas que, na sua interpretação, vêm confirmando na virada do século XXI intuições e especulações que Freud ofereceu no início do século XX. Um dos pontos altos foi a apresentação de seu próprio trabalho, de setembro de 1999, publicado em conjunto com Claudio Mello e outros dois autores no periódico científico Learning & Memory, sob o título “Expressão de genes no cérebro durante sono REM depende de experiência prévia em vigília”.

Cito um trecho da matéria assinada por Marcelo Leite na revista Piaui:

Se Freud disse que o comportamento humano é motivado por impulsos de vida e morte, Ribeiro o atualiza dizendo que “o comportamento humano é motivado por valores emocionais negativos e positivos codificados pela amígdala” (estrutura cerebral envolvida no processamento de emoções). Se os sonhos contêm restos do dia, como está escrito em A Interpretação dos Sonhos, o neurocientista traduz para “sonhos reverberam memórias no nível eletrofisiológico e molecular”. Sonhos satisfazem desejos, sim, porque “concatenam fragmentos de memórias de forma a simular expectativas futuras de recompensa e punição mediadas por dopamina”. Para cada afirmação do mestre da psicanálise, o neurocientista encontra, ou inventa, uma versão remasterizada para o gosto da neurociência contemporânea. Seguiram-se vários minutos de aplausos e meia hora de perguntas. A maioria das questões partiu de psicanalistas – por alguma razão, só mulheres da especialidade se animaram a levantar o braço – declaradamente incomodadas com a invasão de seu campo pela neurociência. O incômodo não impediu, porém, a psicanalista e estudante que falava em nome dos colegas da universidade de agradecer a Ribeiro, “uma graça”, o que arrancou risos de muitos dos presentes. “E não estou seduzindo-o”, tentou consertar a moça, sem sucesso. (Continua).