A Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner

14 05 2008

A Teoria das Inteligências Múltiplas e suas implicações para Educação

Autora: Maria Clara S. Salgado Gama ©
Doutora em Educação Especial pela Universidade de Colúmbia, Nova Iorque

No início do século XX, as autoridades francesas solicitaram a Alfredo Binet que criasse um instrumento pelo qual se pudesse prever quais as crianças que teriam sucesso nos liceus parisenses. O instrumento criado por Binet testava a habilidade das crianças nas áreas verbal e lógica, já que os currículos acadêmicos dos liceus enfatizavam, sobretudo o desenvolvimento da linguagem e da matemática. Este instrumento deu origem ao primeiro teste de inteligência, desenvolvido por Terman, na Universidade de Standford, na Califórnia: o Standford-Binet Intelligence Scale.

Subseqüentes testes de inteligência e a comunidade de psicometria tiveram enorme influência, durante este século, sobre a idéia que se tem de inteligência, embora o próprio Binet (Binet & Simon, 1905 Apud Kornhaber & Gardner, 1989) tenha declarado que um único número, derivado da performance de uma criança em um teste, não poderia retratar uma questão tão complexa quanto a inteligência humana. Neste artigo, pretendo apresentar uma visão de inteligência que aprecia os processos mentais e o potencial humano a partir do desempenho das pessoas em diferentes campos do saber.

As pesquisas mais recentes em desenvolvimento cognitivo e neuropsicologia sugerem que as habilidades cognitivas são bem mais diferenciadas e mais espcíficas do que se acreditava (Gardner, I985). Neurologistas têm documentado que o sistema nervoso humano não é um órgão com propósito único nem tão pouco é infinitamente plástico. Acredita-se, hoje, que o sistema nervoso seja altamente diferenciado e que diferentes centros neurais processem diferentes tipos de informação ( Gardner, 1987).

Howard Gardner, psicólogo da Universidade de Hervard, baseou-se nestas pesquisas para questionar a tradicional visão da inteligência, uma visão que enfatiza as habilidades lingüística e lógico-matemética. Segundo Gardner, todos os indivíduos normais são capazes de uma atuação em pelo menos sete diferentes e, até certo ponto, independentes áreas intelectuais. Ele sugere que não existem habilidades gerais, duvida da possibilidade de se medir a inteligência através de testes de papel e lápis e dá grande importância a diferentes atuações valorizadas em culturas diversas. Finalmente, ele define inteligência como a habilidade para resolver problemas ou criar produtos que sejam significativos em um ou mais ambientes culturais.

A teoria

A Teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner (1985) é uma alternativa para o conceito de inteligência como uma capacidade inata, geral e única, que permite aos indivíduos uma performance, maior ou menor, em qualquer área de atuação. Sua insatisfação com a idéia de QI e com visões unitárias de inteligência, que focalizam sobretudo as habilidades importantes para o sucesso escolar, levou Gardner a redefinir inteligência à luz das origens biológicas da habilidade para resolver problemas. Através da avaliação das atuações de diferentes profissionais em diversas culturas, e do repertório de habilidades dos seres humanos na busca de soluções, culturalmente apropriadas, para os seus problemas, Gardner trabalhou no sentido inverso ao desenvolvimento, retroagindo para eventualmente chegar às inteligências que deram origem a tais realizações. Na sua pesquisa, Gardner estudou também:

( a) o desenvolvimento de diferentes habilidades em crianças normais e crianças superdotadas; (b) adultos com lesões cerebrais e como estes não perdem a intensidade de sua produção intelectual, mas sim uma ou algumas habilidades, sem que outras habilidades sejam sequer atingidas; (c ) populações ditas excepcionais, tais como idiot-savants e autistas, e como os primeiros podem dispor de apenas uma competência, sendo bastante incapazes nas demais funções cerebrais, enquanto as crianças autistas apresentam ausências nas suas habilidades intelectuais; (d) como se deu o desenvolvimento cognitivo através dos milênios.

Psicólogo construtivista muito influenciado por Piaget, Gardner distingue-se de seu colega de Genebra na medida em que Piaget acreditava que todos os aspectos da simbolização partem de uma mesma função semiótica, enquanto que ele acredita que processos psicológicos independentes são empregados quando o indivíduo lida com símbolos lingüisticos, numéricos gestuais ou outros. Segundo Gardner uma criança pode ter um desempenho precoce em uma área (o que Piaget chamaria de pensamento formal) e estar na média ou mesmo abaixo da média em outra (o equivalente, por exemplo, ao estágio sensório-motor). Gardner descreve o desenvolvimento cognitivo como uma capacidade cada vez maior de entender e expressar significado em vários sistemas simbólicos utilizados num contexto cultural, e sugere que não há uma ligação necessária entre a capacidade ou estágio de desenvolvimento em uma área de desempenho e capacidades ou estágios em outras áreas ou domínios (Malkus e col., 1988). Num plano de análise psicológico, afirma Gardner (1982), cada área ou domínio tem seu sistema simbólico próprio; num plano sociológico de estudo, cada domínio se caracteriza pelo desenvolvimento de competências valorizadas em culturas específicas.

Gardner sugere, ainda, que as habilidades humanas não são organizadas de forma horizontal; ele propõe que se pense nessas habilidades como organizadas verticalmente, e que, ao invés de haver uma faculdade mental geral, como a memória, talvez existam formas independentes de percepção, memória e aprendizado, em cada área ou domínio, com possíveis semelhanças entre as áreas, mas não necessariamente uma relação direta.

As inteligências múltiplas

Gardner identificou as inteligências lingúística, lógico-matemática, espacial, musical, cinestésica, interpessoal e intrapessoal. Postula que essas competências intelectuais são relativamente independentes, têm sua origem e limites genéticos próprios e substratos neuroanatômicos específicos e dispõem de processos cognitivos próprios. Segundo ele, os seres humanos dispõem de graus variados de cada uma das inteligências e maneiras diferentes com que elas se combinam e organizam e se utilizam dessas capacidades intelectuais para resolver problemas e criar produtos. Gardner ressalta que, embora estas inteligências sejam, até certo ponto, independentes uma das outras, elas raramente funcionam isoladamente. Embora algumas ocupações exemplifiquem uma inteligência, na maioria dos casos as ocupações ilustram bem a necessidade de uma combinação de inteligências. Por exemplo, um cirurgião necessita da acuidade da inteligência espacial combinada com a destreza da cinestésica.

Inteligência lingüística - Os componentes centrais da inteligência lingüistica são uma sensibilidade para os sons, ritmos e significados das palavras, além de uma especial percepção das diferentes funções da linguagem. É a habilidade para usar a linguagem para convencer, agradar, estimular ou transmitir idéias. Gardner indica que é a habilidade exibida na sua maior intensidade pelos poetas. Em crianças, esta habilidade se manifesta através da capacidade para contar histórias originais ou para relatar, com precisão, experiências vividas.

Inteligência musical - Esta inteligência se manifesta através de uma habilidade para apreciar, compor ou reproduzir uma peça musical. Inclui discriminação de sons, habilidade para perceber temas musicais, sensibilidade para ritmos, texturas e timbre, e habilidade para produzir e/ou reproduzir música. A criança pequena com habilidade musical especial percebe desde cedo diferentes sons no seu ambiente e, freqüentemente, canta para si mesma.

Inteligência lógico-matemática - Os componentes centrais desta inteligência são descritos por Gardner como uma sensibilidade para padrões, ordem e sistematização. É a habilidade para explorar relações, categorias e padrões, através da manipulação de objetos ou símbolos, e para experimentar de forma controlada; é a habilidade para lidar com séries de raciocínios, para reconhecer problemas e resolvê-los. É a inteligência característica de matemáticos e cientistas Gardner, porém, explica que, embora o talento cientifico e o talento matemático possam estar presentes num mesmo indivíduo, os motivos que movem as ações dos cientistas e dos matemáticos não são os mesmos. Enquanto os matemáticos desejam criar um mundo abstrato consistente, os cientistas pretendem explicar a natureza. A criança com especial aptidão nesta inteligência demonstra facilidade para contar e fazer cálculos matemáticos e para criar notações práticas de seu raciocínio.

Inteligência espacial - Gardner descreve a inteligência espacial como a capacidade para perceber o mundo visual e espacial de forma precisa. É a habilidade para manipular formas ou objetos mentalmente e, a partir das percepções iniciais, criar tensão, equilíbrio e composição, numa representação visual ou espacial. É a inteligência dos artistas plásticos, dos engenheiros e dos arquitetos. Em crianças pequenas, o potencial especial nessa inteligência é percebido através da habilidade para quebra-cabeças e outros jogos espaciais e a atenção a detalhes visuais.

Inteligência cinestésica - Esta inteligência se refere à habilidade para resolver problemas ou criar produtos através do uso de parte ou de todo o corpo. É a habilidade para usar a coordenação grossa ou fina em esportes, artes cênicas ou plásticas no controle dos movimentos do corpo e na manipulação de objetos com destreza. A criança especialmente dotada na inteligência cinestésica se move com graça e expressão a partir de estímulos musicais ou verbais demonstra uma grande habilidade atlética ou uma coordenação fina apurada.

Inteligência interpessoal - Esta inteligência pode ser descrita como uma habilidade pare entender e responder adequadamente a humores, temperamentos motivações e desejos de outras pessoas. Ela é melhor apreciada na observação de psicoterapeutas, professores, políticos e vendedores bem sucedidos. Na sua forma mais primitiva, a inteligência interpessoal se manifesta em crianças pequenas como a habilidade para distinguir pessoas, e na sua forma mais avançada, como a habilidade para perceber intenções e desejos de outras pessoas e para reagir apropriadamente a partir dessa percepção. Crianças especialmente dotadas demonstram muito cedo uma habilidade para liderar outras crianças, uma vez que são extremamente sensíveis às necessidades e sentimentos de outros.

Inteligência intrapessoal - Esta inteligência é o correlativo interno da inteligência interpessoal, isto é, a habilidade para ter acesso aos próprios sentimentos, sonhos e idéias, para discriminá-los e lançar mão deles na solução de problemas pessoais. É o reconhecimento de habilidades, necessidades, desejos e inteligências próprios, a capacidade para formular uma imagem precisa de si próprio e a habilidade para usar essa imagem para funcionar de forma efetiva. Como esta inteligência é a mais pessoal de todas, ela só é observável através dos sistemas simbólicos das outras inteligências, ou seja, através de manifestações lingüisticas, musicais ou cinestésicas.

O desenvolvimento das inteligências

Na sua teoria, Gardner propõe que todos os indivíduos, em princípio, têm a habilidade de questionar e procurar respostas usando todas as inteligências. Todos os indivíduos possuem, como parte de sua bagagem genética, certas habilidades básicas em todas as inteligências. A linha de desenvolvimento de cada inteligência, no entanto, será determinada tanto por fatores genéticos e neurobiológicos quanto por condições ambientais. Ele propõe, ainda, que cada uma destas inteligências tem sua forma própria de pensamento, ou de processamento de informações, além de seu sitema simbólico. Estes sistemas simbólicos estabelecem o contato entre os aspectos básicos da cognição e a variedade de papéis e funções culturais.

A noção de cultura é básica para a Teoria das Inteligências Múltiplas. Com a sua definição de inteligência como a habilidade para resolver problemas ou criar produtos que são significativos em um ou mais ambientes culturais, Gardner sugere que alguns talentos só se desenvolvem porque são valorizados pelo ambiente. Ele afirma que cada cultura valoriza certos talentos, que devem ser dominados por uma quantidade de indivíduos e, depois, passados para a geração seguinte.

Segundo Gardner, cada domínio, ou inteligência, pode ser visto em termos de uma seqüência de estágios: enquanto todos os indivíduos normais possuem os estágios mais básicos em todas as inteligências, os estágios mais sofisticados dependem de maior trabalho ou aprendizado.

A seqüência de estágios se inicia com o que Gardner chama de habilidade de padrão cru. O aparecimento da competência simbólica é visto em bebês quando eles começam a perceber o mundo ao seu redor. Nesta fase, os bebês apresentam capacidade de processar diferentes informações. Eles já possuem, no entanto, o potencial para desenvolver sistemas de símbolos, ou simbólicos.

O segundo estágio, de simbolizações básicas, ocorre aproximadamente dos dois aos cinco anos de idade. Neste estágio as inteligências se revelam através dos sistemas simbólicos. Aqui, a criança demonstra sua habilidade em cada inteligência através da compreensão e uso de símbolos: a música através de sons, a linguagem através de conversas ou histórias, a inteligência espacial através de desenhos etc.

No estágio seguinte, a criança, depois de ter adquirido alguma competência no uso das simbolizacões básicas, prossegue para adquirir níveis mais altos de destreza em domínios valorizados em sua cultura. À medida que as crianças progridem na sua compreensão dos sistemas simbólicos, elas aprendem os sistemas que Gardner chama de sistemas de segunda ordem, ou seja, a grafia dos sistemas (a escrita, os símbolos matemáticos, a música escrita etc.). Nesta fase, os vários aspectos da cultura têm impacto considerável sobre o desenvolvimento da criança, uma vez que ela aprimorará os sistemas simbólicos que demonstrem ter maior eficácia no desempenho de atividades valorizadas pelo grupo cultural. Assim, uma cultura que valoriza a música terá um maior número de pessoas que atingirão uma produção musical de alto nível.

Finalmente, durante a adolescência e a idade adulta, as inteligências se revelam através de ocupações vocacionais ou não-vocacionais. Nesta fase, o indivíduo adota um campo específico e focalizado, e se realiza em papéis que são significativos em sua cultura.

Teoria das inteligências múltiplas e a educação

As implicações da teoria de Gardner para a educação são claras quando se analisa a importância dada às diversas formas de pensamento, aos estágios de desenvolvimento das várias inteligências e à relação existente entre estes estágios, a aquisição de conhecimento e a cultura.

A teoria de Gardner apresenta alternativas para algumas práticas educacionais atuais, oferecendo uma base para:

( a) o desenvolvimento de avaliações que sejam adequadas às diversas habilidades humanas (Gardner & Hatch, 1989; Blythe Gardner, 1 990) (b) uma educação centrada na criança c com currículos específicos para cada área do saber (Konhaber & Gardner, 1989); Blythe & Gardner, 1390) (c) um ambiente educacional mais amplo e variado, e que dependa menos do desenvolvimento exclusivo da linguagem e da lógica (Walters & Gardner, 1985; Blythe & Gardner, 1990)

Quanto à avaliação, Gardner faz uma distinção entre avaliação e testagem. A avaliação, segundo ele, favorece métodos de levantamento de informações durante atividades do dia-a-dia, enquanto que testagens geralmente acontecem fora do ambiente conhecido do indivíduo sendo testado. Segundo Gardner, é importante que se tire o maior proveito das habilidades individuais, auxiliando os estudantes a desenvolver suas capacidades intelectuais, e, para tanto, ao invés de usar a avaliação apenas como uma maneira de classificar, aprovar ou reprovar os alunos, esta deve ser usada para informar o aluno sobre a sua capacidade e informar o professor sobre o quanto está sendo aprendido.

Gardner sugere que a avaliação deve fazer jus à inteligência, isto é, deve dar crédito ao conteúdo da inteligência em teste. Se cada inteligência tem um certo número de processos específicos, esses processos têm que ser medidos com instrumento que permitam ver a inteligência em questão em funcionamento. Para Gardner, a avaliação deve ser ainda ecologicamente válida, isto é, ela deve ser feita em ambientes conhecidos e deve utilizar materiais conhecidos das crianças sendo avaliadas. Este autor também enfatiza a necessidade de avaliar as diferentes inteligências em termos de suas manifestações culturais e ocupações adultas específicas. Assim, a habilidade verbal, mesmo na pré-escola, ao invés de ser medida através de testes de vocabulário, definições ou semelhanças, deve ser avaliada em manifestações tais como a habilidade para contar histórias ou relatar acontecimentos. Ao invés de tentar avaliar a habilidade espacial isoladamente, deve-se observar as crianças durante uma atividade de desenho ou enquanto montam ou desmontam objetos. Finalmente, ele propõe a avaliação, ao invés de ser um produto do processo educativo, seja parte do processo educativo, e do currículo, informando a todo momento de que maneira o currículo deve se desenvolver.

No que se refere à educação centrada na criança, Gardner levanta dois pontos importantes que sugerem a necessidade da individualização. O primeiro diz respeito ao fato de que, se os indivíduos têm perfis cognitivos tão diferentes uns dos outros, as escolas deveriam, ao invés de oferecer uma educação padronizada, tentar garantir que cada um recebesse a educação que favorecesse o seu potencial individual. O segundo ponto levantado por Gardner é igualmente importante: enquanto na Idade Média um indivíduo podia pretender tomar posse de todo o saber universal, hoje em dia essa tarefa é totalmente impossível, sendo mesmo bastante difícil o domínio de um só campo do saber.

Assim, se há a necessidade de se limitar a ênfase e a variedade de conteúdos, que essa limitação seja da escolha de cada um, favorecendo o perfil intelectual individual.

Quanto ao ambiente educacional, Gardner chama a atenção pare o fato de que, embora as escolas declarem que preparam seus alunos pare a vida, a vida certamente não se limita apenas a raciocínios verbais e lógicos. Ele propõe que as escolas favoreçam o conhecimento de diversas disciplinas básicas; que encoragem seus alunos a utilizar esse conhecimento para resolver problemas e efetuar tarefas que estejam relacionadas com a vida na comunidade a que pertencem; e que favoreçam o desenvolvimento de combinações intelectuais individuais, a partir da avaliação regular do potencial de cada um.

Referências Bibliográficas

1. Blythe, T.; Gardner, H. A school for all intelligences. Educational Leadership, v.47, n.7, p.33-7, 1990.

2. Gardner, H.; Giftedness: speculation from a biological perspective. In: Feldman, D.H. Developmental approaches to giftedness and creativity. São Francisco, 1982. p.47-60.

3. Gardner, H.Frames of mind. New York, Basic Books Inc., 1985.

4. Gardner, H. The mind’s new science. New York, Basic Books Inc., 1987.

5. Gardner. H.;Hatcb, T. Multiple intelligences go to school: educational implications of the theory of Multiple Intelligences. Educational Researcher, v.18, n.8. p.4-10, 1989.

6. Kornhaber, M.L.; Gardner, H. Critical thinking across multiple intelligences. Trabalho apresentado durante a Conferência “The Curriculum Redefined. Paris, 1989.

7. Malkus, U.C.; Feldman, D.H.; Gardner, H. Dimensions of mind in early childhood. In: Pelegrini, A. (ed.)The psychological bases for early education Chichester, Wilev. 1988, p.25-38.

8. Walter,J.M.; Gardner, H. The theory of multiple intelligences: some issues and answers. In: Stemberg, RJ.; Wagner, R.K. (ed.) Pratical intelligence: nature and origins of competence in the every world.. Cambridge. Cambridge University Press, p.163-82

© 1998 Trait Tecnologia Ltda.




13 05 2008

“EU FAÇO AS MINHAS COISAS, E VOCÊ FAZ AS SUAS.
NÃO ESTOU NESTE MUNDO PARA VIVER DE ACORDO COM SUAS EXPECTATIVAS
E VOCÊ NÃO ESTÁ NESTE MUNDO PARA VIVER DE ACORDO COM AS MINHAS.
VOCÊ É VOCÊ, EU SOU EU
E SE POR ACASO NOS ENCONTRARMOS, SERÁ LINDO.
SE NÃO, NADA HÁ A FAZER.”
Fritz Perls




Estresse e Trabalho

12 05 2008
Incluído em 21/02/2005

Talvez o ambiente do trabalho tenha se modificado e acompanhado o avanço das tecnologias com mais velocidade do que a capacidade de adaptação dos trabalhadores. Os profissionais vivem hoje sob contínua tensão, não só no ambiente de trabalho, como também na vida em geral.

Há, portanto, uma ampla área da vida moderna onde se misturam os estressores do trabalho e da vida cotidiana. A pessoa, além das habituais responsabilidades ocupacionais, além da alta competitividade exigida pelas empresas, além das necessidades de aprendizado constante, tem que lidar com os estressores normais da vida em sociedade, tais como a segurança social, a manutenção da família, as exigências culturais, etc. É bem possível que todos esses novos desafios supere os limites adaptativos levando ao estresse.

O tipo de desgaste à que as pessoas estão submetidas permanentemente nos ambientes e as relações com o trabalho são fatores determinantes de doenças. Os agentes estressores psicossociais são tão potentes quanto os microorganismos e a insalubridade no desencadeamento de doenças. Tanto o operário, como o executivo, podem apresentar alterações diante dos agentes estressores psicossociais.

O desgaste emocional a que pessoas são submetidas nas relações com o trabalho é fator muito significativos na determinação de transtornos relacionados ao estresse, como é o caso das depressões, ansiedade patológica, pânico, fobias, doenças psicossomáticas, etc. Em suma, a pessoa com esse tipo de estresse ocupacional não responde à demanda do trabalho e geralmente se encontra irritável e deprimida.

Um dos agravantes do Estresse no Trabalho é a limitação que a sociedade submete as pessoas quanto às manifestações de suas angústias, frustrações e emoções. Por causa das normas e regras sociais as pessoas acabam ficando prisioneiras do politicamente correto, obrigadas a aparentar um comportamento emocional ou motor incongruente com seus reais sentimentos de agressão ou medo.

No ambiente de trabalho os estímulos estressores são muitos. Podemos experimentar ansiedade significativa (reação de alarme) diante de desentendimentos com colegas, diante da sobrecarga e da corrida contra o tempo, diante da insatisfação salarial e, dependendo da pessoa, até com o tocar do telefone. A desorganização no ambiente ocupacional põe em risco a ordem e a capacidade de rendimento do trabalhador. Geralmente as condições pioram quando não há clareza nas regras, normas e nas tarefas que deve desempenhar cada um dos trabalhadores, assim como os ambientes insalubres, a falta de ferramentas adequadas.

Fatores intrapsíquicos (interiores) relacionados ao serviço também contribuem para a pessoa manter-se estressada, como é o caso da sensação de insegurança no emprego, sensação de insuficiência profissional, pressão para comprovação de eficiência ou, até mesmo, a impressão continuada de estar cometendo erros profissionais. Isso tudo sem contar os fatores internos que a pessoa traz consigo para o emprego, tais como, seus conflitos, suas frustrações, suas desavenças conjugais, etc.

O extremo oposto, ou seja, ter uma vida sem motivações, sem projetos, sem mudanças na ocupação ao longo de muitos anos, sem perspectivas de crescimento profissional, assim como passar por período de desocupação no emprego também pode provocar o mesmo desenlace de Síndrome de Burnout. Mesmos sintomas podem surgir em ambos casos, ou seja, falta de autoestima, irritabilidade, nervosismo, insônia e crise de ansiedade, entre outros.

Sobrecarga
A sobrecarga de agentes estressores também pode ser considerada um fator importante para eclosão do estresse patológico no trabalho. A sobrecarga de estímulos estressores é um estado no qual as exigências do ambiente excedem nossa capacidade de adaptação. Os quatro fatores principais que contribuem para a demanda excessiva de agentes estressores no trabalho são:

1. urgência de tempo;
2. responsabilidade excessiva;
3. falta de apoio;
4. expectativas excessivas de nós mesmos e daqueles que nos cercam.

Falta de Estímulos
A falta de estímulos também pode resultar em estresse patológico e doença. O risco de ataques cardíacos, por exemplo, são significativamente maiores nos dois primeiros anos após a aposentadoria. Nesses casos a condição associada ao estresse costuma ser o tédio, a sensação de nulidade e/ou a solidão, portanto, a falta ou escassez de solicitações também proporciona situações estressoras.

Às vezes, no final do dia, sentimos nosso corpo exausto mas, apesar disso, experimentamos uma agradável sensação de bem estar. Em geral uma atividade pode se tornar muito gratificante quando possui um significado especial ou quando desperta grande interesse em nós.

No trabalho, as atividades medíocres, destituídas de significação ou aquelas onde não temos noção do porquê estamos fazendo isso ou aquilo, podem ser extremamente estressantes. As tarefas alta-mente repetitivas ou desinteressantes também podem produzir estresse. Essas situações de carência de solicitações ou a sensação de falta de significado para as coisas que fazemos costumam também causar estresse em crianças e idosos.

Ruído
O ruído excessivo pode causar estresse pela estimulação do Sistema Nervoso Simpático, provocando irritabilidade e diminuindo o poder de concentração. Dessa forma, o ruído pode ter um efeito físico e/ou psicológico, ambos capazes de desencadear a reação de estresse. Este fator estressante pode produzir alterações em funções fisiológicas essenciais, como é o caso do sistema cardiovascular.

O ruído também pode influenciar outros hormônios, como a testosterona, por exemplo, e dessa forma, pode ter efeitos prolongados sobre o organismo, considerando que as alterações hormonais são sempre de efeito mais longo. Experiências com pilotos de aeronaves na Argentina demonstraram que, ao ficarem expostos aos ruídos de alta intensidade das turbinas aéreas, sua produção de testosterona reduziu-se pela metade. Além disso, foi relatada uma forte correlação entre a perda de audição devida a ruídos e a concentração plasmática de magnésio.

Alterações do Sono
O contínuo atraso do sono pelos horários de trabalho, viagens e variações do rítmo das atividades sociais, facilitadas pelo uso da luz elétrica e atrações noturnas, pode levar à insônia e, conseqüentemente ao estresse. Na síndrome de fusos horários das viagens internacionais, recomenda-se não tomar decisão importante ou não competir antes da readaptação fisiológica.

Os operários que fazem turnos ou têm trabalho noturno, geralmente possuem um sono de má qualidade no período diurno. Isso se dá em decorrência dos conflitos sociais (coisas que fazemos de dia e coisas que fazemos de noite) e do excesso de ruído diurno. Essa má qualidade do sono acabará provocando aumento da sonolência no período de trabalho (seja noturno ou diurno), muitas vêzes responsável por acidentes, desinteresse, ansiedade, irritabilidade, perda da eficiência e estresse.

Falta de Perspectivas
A esperança, perspectiva ou expectativa otimista é uma das motivações que mais aliviam as tensões do cotidiano. Saber (ou achar) que amanhã será melhor que hoje, ou o mês que vem melhor que este, ou ano que vem será bem melhor, etc, são sentimentos que aliviam e minimizam a ansiedade e a frustração do cotidiano.

Está claro que na falta das boas perspectivas ou, o que é pior, na presença de perspectivas pessimistas a pessoa ficará totalmente à mercê dos efeitos ansiosos do cotidiano, sem esperanças de recompensas agradáveis. Há ambientes de trabalho onde o futuro se mostra continuamente sombrio. É completamente falso acreditar que funcionários temerosos produzem mais. O medo motiva para a ação durante um breve período de tempo (veja a fisiologia do estresse), mas logo sobrevêm o estado de esgotamento com efeitos imprevisíveis.

Mudanças Constantes
Esse assunto merece considerações mais amplas. As necessidades de mudanças podem ser comparadas a um ciclo vicioso; o momento presente está quase sempre exigindo mudanças, essas mudanças acabam trazendo novos problemas. Esses problemas despertam novas soluções, as quais passam a exigir novas mudanças e assim por diante.

Mudanças determinadas pela empresa
Esse tipo de mudanças pode ser determinada por uma nova chefia ou devido à nova orientação geral da empresa, seja por causa de alguma fusão ou aquisição da empresa. Normalmente esse tipo de mudança pode gerar muita insegurança, inicialmente.

Até agora associamos sempre o estresse à adaptação e, diante das mudanças, o que mais se solicita das pessoas é a adaptação, portanto, é o momento onde o estresse está acontecendo. Evidentemente as pessoas naturalmente possuidoras de dificuldades adaptativas sofrerão mais. Abrir mão de métodos usuais para aprender ou aceitar novos métodos sempre exige uma participação emocional importante.

A pessoa que passa por momentos de ansiedade e estresse por causa de mudanças deve ter em mente que, mesmo que o departamento esteja sendo “desmontado” ou algum colega estimado esteja perdendo sua posição, ela continuará sendo o mesmo profissional que é, seus conhecimentos continuarão intactos e a empresa poderá utilizá-los até de forma melhor na nova situação. Nessa situação o mais importante é não deixar que considerações emocionais (mágoa, orgulho, inveja, rancor, etc) dominem o lado racional.

Mudanças devidas à novas tecnologias
A tecnologia normalmente está em contínua substituição por sistemas mais modernos. Nessa situação também as pessoas são emocionalmente solicitadas à se adaptar ao novo. Nesse caso o estresse será variável, de acordo com as Disposições Pessoais e de acordo com o tipo dessa nova tecnologia a ser implantada.

Pela Disposição Pessoal sofrerão mais as pessoas com instabilidade afetiva, com traços marcantes de ansiedade ou já previamente estressadas. Em relação às próprias mudanças, sofrerão mais as pessoas confrontadas com novas tecnologias ideologicamente diferentes das anteriores.

Na Inglaterra, há anos, foi feita uma pesquisa entre trabalhadores de uma refinaria de petróleo e de uma central telefônica, ambas submetidas à mudanças tecnológicas radicais. Na refinaria, apesar das mudanças para automação terem sido profundas, como o sistema de craqueamento do petróleo é sempre o mesmo, a incidência de estresse foi mínima entre os funcionários, inclusive entre os mais antigos.

Entretanto, na telefônica a situação foi muito diferente. O novo sistema não tinha nenhuma analogia com o anterior e os funcionários mais antigos tiveram que ser transferidos ou demitidos. Isso mostra que as exigências para adaptação ao novo exercem profundo impacto sobre a ansiedade (e estresse, conseqüentemente) das pessoas.

Mudanças devidas ao mercado
As constantes exigências do mercado sempre são levadas a sério pelas empresas e, freqüentemente, determinam mudanças de procedimentos no trabalho. Os ansiosos tende mais para o estresse devido, principalmente, à ansiedade antecipatória, ou seja, a ansiedade que aparece muito antes de quaisquer resultados das mudanças.

Embora o bom senso recomende que as pessoas devam estar continuamente atentas aos resultados dessas mudanças, sofrer antecipadamente não resolve problemas, não facilita a adaptação e podem determinar atitudes precipitadas danosas.

Mudanças auto-impostas
São as exigências que fazemos de nós mesmos. Em psiquiatria, o mais sadio é que estejamos sempre inconformados e sempre adaptados. Isso significa que, através do inconformismo estamos sempre buscando fazer com que o amanhã seja melhor que o hoje. Entretanto, é indispensável que a pessoa se mantenha adaptada às circunstâncias atuais, mesmo que sejam circunstâncias adversas.

Sadio seria reclamar do trânsito, quando este está ruim, para podermos buscar opções que melhorem nossa vida em relação à esse trânsito (mudar itinerários, horários, etc), outra coisa é estarmos padecendo de hipertensão, úlcera, ansiedade ou enxaqueca por causa desse trânsito ruim. Essa é a diferença.

O próprio inconformismo humano exige uma reciclagem constante, ou seja, exige mudanças continuadas e necessidades de adaptação à essas mudanças. Encarar a mudança sob uma perspectiva de crescimento e adequação pode ajudar nossa adaptação, considerá-la uma tarefa tediosa, inútil e humilhante “para quem já sabe tanto”, favorece o descontentamento, a ansiedade e, conseqüentemente, o estresse.

Ergonomia
O conforto humano em seu trabalho deve ser sempre considerado, em se tratando de estresse. Como enfatizamos sempre, não devemos privilegiar apenas as razões emocionais em relação ao estresse, por ser este uma alteração global do organismo (não apenas emocional).

Aqui deve ser considerado o conforto térmico, acústico, as horas trabalhadas ininterruptamente, a exigência física, postural ou sensoperceptiva e outros elementos associados ao desempenho profissional. Ambientes hostis, em termos de temperatura, unidade do ar e contacto com agentes agressivos à saúde fazem parte da exigência física a que alguns trabalhadores estão submetidos. Daí a enorme importância do acessoramento técnico da Medicina do Trabalho para prevenir estados de esgotamento.

Atividades que exigem posições anti-fisiológicas, repetitividade de exercícios danosos, e permanência exagerada em atitudes cansativas fazem parte das exigências posturais a que são submetidas as pessoas durante o trabalho.

para referir:
Ballone GJ -Estresse e Trabalho - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2005




Estresse e Esgotamento

12 05 2008
Incluído em 31/01/2005

É muito tênue o limte entre a loucura e a desrazão. A expressiva maioria dos Transtornos Afetivos, onde se incluí a Depressão, proporciona atitudes psicoemocionais não alienantes, ou seja, proporcionam um descontrole da crítica e do juízo muito mais próximo da desrazão que da alienação. As patologias alienantes são as esquizofrenias, demências, deficiências mentais, psicoses orgânicas e surtos de mania.

Devemos considerar o estresse uma ocorrência fisiológica e normal no reino animal. O estresse é a atitude biológica necessária para a adaptação do organismo à uma nova situação. Em medicina entende-se o estresse como uma ocorrência global, tanto do ponto de vista físico quanto do ponto de vista emocional. As primeiras pesquisas médicas sobre o estresse estudaram toda uma constelação de alterações orgânicas produzidas no organismo diante de uma situação de agressão.

Fisicamente o estresse aparece quando o organismo é submetido à uma nova situação, como uma cirurgia ou uma infecção, por exemplo, ou, do ponto de vista psicoemocional, à uma situação entendida como de ameaça. De qualquer forma, trata-se de um organismo submetido à uma situação nova (física ou psíquica), pela qual ele terá de lutar para adaptar-se, conseqüentemente, sobreviver. Portanto, o estresse é um mecanismo indispensável para a manutenção da adaptação à vida, indispensável pois, à sobrevivência.
Esgotamento

Atualmente esse termo é de uso corrente entre as pessoas participantes daquilo que chamamos vida moderna. Ninguém gosta de pensar na Ansiedade, no Estresse, no Esgotamento ou na Depressão como formas de algum transtorno emocional, é claro. Isso pode parecer muito próximo do descontrole, da “piração” ou da loucura e, como de fato, todos temos a possibilidade de, pelo menos uma vez na vida, sermos afetados pelo estresse, pelo esgotamento ou pela depressão, então será melhor não considerá-los como formas de algum transtorno emocional.

O que popularmente (e corretamente) se conhece por esgotamento teria origem em duas ocasiões (Figura 1): primeiro, quando a situação à qual a pessoa terá que se adaptar (estímulo externo ou interno) for suficientemente importante e duradoura para gerar forte tensão. Nesse caso haverá esgotamento por falência adaptativa, devido aos esforços (emocionais) para superar uma situação de forte tensão, normalmente considerada provocativa do ponto de vista subjetivo ou objetivo (situação b da Figura 1). Isso quer dizer que o estímulo necessário para desencadear o estresse seria ameaçador tanto para a pessoa que a ele está reagindo, quanto para outras pessoas submetidas à mesma situação.

Figura 1 - Situação de estressores.
Condição A: pessoa com estrutura normal suportando estressores normais da vida (valor 1). Menores chances de ruptura.
Condição B: pessoa com estrutura normal suportando estressores muito mais pesados (valor 3). Maiores chances de ruptura.
Condição C: pessoa com estrutura afetiva mais frágil suportando estressores normais da vida (valor 1). Maiores chances de ruptura.

Em segundo lugar, o esgotamento ocorre quando a pessoa não dispõe de estabilidade emocional suficientemente adequada para adaptar-se a vários aspectos da vida cotidiana. Os estímulos estressores, nesse caso, são estressores exclusivamente para essa determinada pessoa, portanto, objetivamente falando, são estímulos não tão traumáticos (situação c da Figura 4). Isso quer dizer que a pessoa sucumbiria emocionalmente a situações não tão aversivas para outras pessoas colocadas na mesma situação mas, não obstante, particularmente agressivas a ela. Seria uma ameaça subjetivamente representada.

Digamos, então, que o esgotamento ou a ansiedade crônica e patológica poderiam surgir em duas circunstâncias: 1 - decorrente daquilo que o mundo traz à pessoa (seu destino) e; 2 - decorrente daquilo que a pessoa traz ao mundo (sua sensibilidade pessoal).

O assunto poderia ser tratado dessa forma simples e prática, sem mistérios, se não fosse o ditado popular de que “cachorro mordido por cobra tem medo de lingüiça”. Isso sugere a idéia de que o destino pode, não obstante, modular ou condicionar determinada forma de valorizar a realidade, a tal ponto que os fatos poderiam, dependendo das vivências de cada um, significar estímulos de maior ou menor capacidade estressora.

Assim sendo, podemos supor que nossos filtros afetivos tenham, não apenas uma natureza constitucional ou biológica mas, sobretudo, uma natureza bio-psíco-dinâmica. Nesse caso, a serotonina, o GABA, os neuroreceptores variados, a adrenalina e as vias neuronais, representariam a porção constituição da personalidade que reage à vida, de maneira específica e pessoal. A vida ou o destino em si, por outro lado, representariam o elemento circunstancial da personalidade que reage à vida.

Assim sendo, a situação conhecida por esgotamento não se limita às questões adaptativas de natureza eminentemente emocional, como acreditam muitos. Fisicamente há no esgotamento alterações significativas em todo organismo, a começar pelas glândulas supra-renais (de adrenalina e cortisona). Por causa das alterações hormonais produzidas nessas glândulas no “esgotamento”, poderá haver dificuldades no controle da pressão arterial, alterações do ritmo cardíaco, alterações no sistema imunológico e no controle dos níveis de glicose do sangue, entre muitas outras modificações orgânicas. Psiquicamente, a ansiedade crônica do “esgotamento” acaba levando a um estado de apatia, desinteresse, desânimo e uma espécie de pessimismo em relação à vida.

Organicamente, no esgotamento, há alterações significativas nas glândulas supra-renais (de adrenalina e cortisona), há dificuldades no controle da pressão arterial, há alterações do ritmo cardíaco, alterações no sistema imunológico, no controle dos níveis de glicose do sangue, entre muitas outras. Psiquicamente a ansiedade crônica ou esgotamento leva à um estado de apatia, desinteresse, desânimo e uma espécie de pessimismo em relação à vida. Se hoje sabemos muito sobre o estresse e a ansiedade, tanto do ponto de vista comportamental quanto neuroquímico, pouco sabemos ainda sobre seu aspecto principal ou primordial.

Estamos falando sobre esse tal estímulo desencadeador. É por aí onde tudo começa, ou seja, todas as reações orgânicas, as atitudes, emoções, comportamentos, alterações químicas fisiológicas, etc e tal, começam sempre à partir do tal estímulo.

Transtorno de Estresse Pós-Traumático
Conceituar e discutir o Transtorno por Estresse Pós-Traumático (TEPT) é bastante atraente para o estudo antropológico e sociológico do mundo contemporâneo. Esse é, talvez, o maior prejuízo não-material que a violência da sociedade moderna impõe ao cidadão. A pessoa vítima de um assalto, por exemplo, pode amargar um prejuízo emocional muito maior e mais durável do que a querela material com que todos se preocupam. E esses prejuízos emocionais não aparecem nas estatísticas políticas, sociais ou policiais.

A diferença entre o Transtorno por Estresse Pós-Traumático e o Transtorno de Adaptação se resume a dois aspectos:

1. - Quanto ao tipo de estressor. O Transtorno de Adaptação ou de Ajustamento é uma resposta emocional aos estressores mais comuns do cotidiano, enquanto no Transtorno por Estresse Pós-Traumático o estressor deve ser extremamente intenso, deve ter uma natureza excepcionalmente ameaçadora ou catastrófica, e que provocaria sintomas evidentes de perturbação na maioria dos indivíduos submetidos a ele.
2. - Quanto ao tempo da reação. O Transtorno de Adaptação ou de Ajustamento é uma resposta emocional crônica aos estressores que se sucedem no cotidiano, como se fosse uma somatória de várias circunstâncias diante das quais as pessoas vão, paulatinamente, apresentando alterações emocionais; mudança de cidade, mudança de emprego, revés econômico, perda do emprego, etc. No Transtorno por Estresse Pós-Traumático o estressor é único e a reação é aguda, o quadro todo aparece em pouco tempo (dias), imediata ou mediatamente ao estresse vivido.

Quando a mídia noticia a violência do cotidiano, em todas as esferas, há um zelo especial em informar bem sobre os prejuízos diretos da violência, principalmente, sobre os danos físicos e os prejuízos materiais envolvidos nessa comoção da vida moderna. Mas isso não reflete o total dos prejuízos que sofre a pessoa.

Nas últimas décadas tem havido um aumento da prevalência do Transtorno por Estresse Pós-Traumático para a população em geral, com taxas mais altas ainda entre adolescentes e adultos jovens. O aumento da prevalência implica num aumento real da possibilidade de ocorrência de Transtorno por Estresse Pós-Traumático durante o tempo de vida da pessoa.

Ainda que, por definição, a vivência traumática para produzir um Transtorno de Estresse Pós-Traumático se centralize em experiências humanas consideradas “fora do normal”, como por exemplo, combates militares, torturas e desastres naturais, seqüestros, terrorismo, etc, também a agressão urbana cotidiana e desmedida, bem como o diagnóstico de uma doença potencialmente mortal, a ameaça de falência econômica e, conseqüentemente existencial, atualmente também tem sido suficiente agente estressante para produzir reações igualmente traumáticas (DSM-IV).

A busca de objetividade da psiquiatria sobre aquilo que, exatamente, poderia ser considerada uma vivência traumática suficiente para justificar grave estresse, tem sido uma atitude muitas vezes insensata. Seria o medo da morte, o medo da doença, do sofrimento, seria o componente econômico, familiar, social, ocupacional…? Enfim, como e o quê seria, exatamente, um motivo vivencial suficientemente estressante para ocasionar o desenvolvimento do Transtorno por Estresse Pós-Traumático ou mesmo de algum outro transtorno emocional?

Talvez seja o peso da somatória de uma série de estressores não tão grandes mas, em seu conjunto, suficientemente fortes para uma grande solicitação emocional adaptativa. Às vezes tem sido difícil identificar um determinado e específico estressor, dentro da constelação de vivências múltiplas que constituem a experiência da vida moderna, definitivamente associado às manifestações do estresse. Mas isso não quer dizer que teremos de “inventar” uma outra denominação para transtornos emocionais só porque não houve terremoto, guerra ou outra grande catástrofe.

O quadro do Transtorno por Estresse Pós-Traumático revive o antigo problema das relações entre acontecimentos traumáticos da vida e a eclosão de doenças emocionais. Dependendo de cada região ou país do mundo, os agentes causais do Transtorno por Estresse Pós-Traumático têm características e incidências próprias. Em alguns países o terrorismo é uma das principais manifestações da violência que contribui para a patologia pós-traumática, em outras regiões têm sido as catástrofes naturais, as guerras, etc (Medina, 2001). Em nosso caso, parece ser a violência urbana e a insegurança a que se submetem os cidadãos, os principais promotores do Transtorno de Estresse.

O Transtorno de Estresse Pós-Traumático se diagnostica quando uma pessoa volta a experimentar uma emoção traumática com evocações, lembranças, sonhos, cenas retrospectivas, ou até alucinações perturbadoras e intrusivas, tempos depois da ocorrência de um acontecimento fortemente estressor.

Ao experimentar o traumatismo o paciente costuma apresentar pesadelos e pensamentos invasivos (que independem se sua vontade) muito negativos, pessimistas e trágicos, ao evitar recordações do trauma faz com que ele evite situações relacionadas e afins (sair de casa, falar com estranhos, caminhar no escuro, ficar sozinho, etc). Havendo aumento da excitabilidade, apresentará perturbações do sono, hipervigilância, ansiedade e irritabilidade. Outras respostas emocionais, comumente associadas com tais traumatismos, são o desespero, os sentimentos de culpa por medidas tomadas ou evitadas e angustia.

Até certo ponto, o Transtorno por Estresse poderia ser considerado uma reação normal do organismo à um acontecimento anormal. Nesse caso o “defeito” seria mais do destino que da pessoa. Pensando assim, poderíamos tirar duas conclusões:

a - O trauma estressor é a causa exclusiva do Transtorno por Estresse Pós-Traumático e;
b - Esse estado mórbido pode ocorrer facilmente a qualquer pessoa, pois, de acordo com o conceito do CID-10 (Classificação Internacional de Doenças), para que um paciente seja classificado como portador de Transtorno De Estresse Pós-Traumático, deve ter vivenciado um estresse de tal magnitude que seria traumático para qualquer pessoa.

Apesar do conceito da CID-10, existe uma grande controvérsia quanto à possibilidade de uma vivência traumática ter como conseqüência, automaticamente, um transtorno emocional. É por isso que as pesquisas atuais estão dando mais importância ao aspecto subjetivo da vivência traumática capaz de produzir o estresse, do que ao estresse, propriamente dito. Os fenômenos psicofisiológicos do estresse são basicamente os mesmos entre as pessoas estressadas mas, diferentemente, as experiências traumáticas vivenciadas por essas pessoas podem ser bem diferentes.

Tendo em vista o fato de que, nem todas as pessoas expostas ao mesmo trauma desenvolvem algum transtorno emocional, podemos afirmar que o acontecimento traumático seria necessário mas não suficiente para o desenvolvimento do Transtorno por Estresse Pós-Traumático. Isso quer dizer que, embora o agente estressor esteja sempre associado ao desenvolvimento do Transtorno por Estresse Pós-Traumático, ele pode não ser o único elemento a contribuir para seu desenvolvimento.

A atual literatura tem sugerido que o desenvolvimento do Transtorno por Estresse Pós-Traumático não depende só da gravidade do trauma em si, parecendo evidente que a sensibilidade afetiva e as experiências subjetivas de cada um são, no mínimo, tão importantes quanto ao trauma em si.

Nos últimos anos, estudos cada vez mais exaustivos do Transtorno por Estresse Pós-Traumático e dos possíveis mecanismos patogênicos envolvidos em sua eclosão, têm revelado um número de agentes estressantes continuamente crescente. Incluem-se, entre esses agentes estressores capazes de desenvolver o Transtorno por Estresse, desde conflitos bélicos, onde se descreveu inicialmente esse transtorno (antiga neurose de guerra), até os desastres naturais ou humanos, passando pela violência urbana, abuso físico ou sexual e as enfermidades ou acidentes com grave risco de vida (veja a página sobre TEPT).

Ballone GJ - Esgotamento - in. PsiqWeb, Internet - disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2005




Síndrome de Burnout

12 05 2008
Incluído em 21/02/2005

A chamada Síndrome de Burnout é definida por alguns autores como uma das conseqüências mais marcantes do estresse profissional, e se caracteriza por exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos (até como defesa emocional).

O termo Burnout é uma composição de burn=queima e out=exterior, sugerindo assim que a pessoa com esse tipo de estresse consome-se física e emocionalmente, passando a apresentar um comportamento agressivo e irritadiço.

Essa síndrome se refere a um tipo de estresse ocupacional e institucional com predileção para profissionais que mantêm uma relação constante e direta com outras pessoas, principalmente quando esta atividade é considerada de ajuda (médicos, enfermeiros, professores).

Outros autores, entretanto, julgam a Síndrome de Burnout algo diferente do estresse genérico. Para nós, de modo geral, vamos considerar esse quadro de apatia extrema e desinteresse, não como sinônimo de algum tipo de estresse, mas como uma de suas conseqüências bastante sérias.

De fato, esta síndrome foi observada, originalmente, em profissões predominantemente relacionadas a um contacto interpessoal mais exigente, tais como médicos, psicanalistas, carcereiros, assistentes sociais, comerciários, professores, atendentes públicos, enfermeiros, funcionários de departamento pessoal, telemarketing e bombeiros. Hoje, entretanto, as observações já se estendem a todos profissionais que interagem de forma ativa com pessoas, que cuidam e/ou solucionam problemas de outras pessoas, que obedecem técnicas e métodos mais exigentes, fazendo parte de organizações de trabalho submetidas à avaliações.

Definida como uma reação à tensão emocional crônica gerada a partir do contato direto, excessivo e estressante com o trabalho, essa doença faz com que a pessoa perca a maior parte do interesse em sua relação com o trabalho, de forma que as coisas deixam de ter importância e qualquer esforço pessoal passa a parecer inútil.

Entre os fatores aparentemente associados ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout está a pouca autonomia no desempenho profissional, problemas de relacionamento com as chefias, problemas de relacionamento com colegas ou clientes, conflito entre trabalho e família, sentimento de desqualificação e falta de cooperação da equipe.

Os autores que defendem a Síndrome de Burnout como sendo diferente do estresse, alegam que esta doença envolve atitudes e condutas negativas com relação aos usuários, clientes, organização e trabalho, enquanto o estresse apareceria mais como um esgotamento pessoal com interferência na vida do sujeito e não necessariamente na sua relação com o trabalho. Entretanto, pessoalmente, julgamos que essa Síndrome de Burnout seria a conseqüência mais depressiva do estresse desencadeado pelo trabalho.

Os sintomas básicos dessa síndrome seriam, inicialmente, uma exaustão emocional onde a pessoa sente que não pode mais dar nada de si mesma. Em seguida desenvolve sentimentos e atitudes muito negativas, como por exemplo, um certo cinismo na relação com as pessoas do seu trabalho e aparente insensibilidade afetiva.

Finalmente o paciente manifesta sentimentos de falta de realização pessoal no trabalho, afetando sobremaneira a eficiência e habilidade para realização de tarefas e de adequar-se à organização.

Esta síndrome é o resultado do estresse emocional incrementado na interação com outras pessoas. Algo diferente do estresse genérico, a Síndrome de Burnout geralmente incorpora sentimentos de fracasso. Seus principais indicadores são: cansaço emocional, despersonalização e falta de realização pessoal.

Quadro Clínico
O quadro clínico da Síndrome de Burnout costuma obedecer a seguinte sintomatologia:

1. Esgotamento emocional, com diminuição e perda de recursos emocionais
2. Despersonalização ou desumanização, que consiste no desenvolvimento de atitudes negativas, de insensibilidade ou de cinismo para com outras pessoas no trabalho ou no serviço prestado.
3. Sintomas físicos de estresse, tais como cansaço e mal estar geral.
4. Manifestações emocionais do tipo: falta de realização pessoal, tendências a avaliar o próprio trabalho de forma negativa, vivências de insuficiência profissional, sentimentos de vazio, esgotamento, fracasso, impotência, baixa autoestima.
5. É freqüente irritabilidade, inquietude, dificuldade para a concentração, baixa tolerância à frustração, comportamento paranóides e/ou agressivos para com os clientes, companheiros e para com a própria família.
6. Manifestações físicas: Como qualquer tipo de estresse, a Síndrome de Burnout pode resultar em Transtornos Psicossomáticos. Estes, normalmente se referem à fadiga crônica, freqüentes dores de cabeça, problemas com o sono, úlceras digestivas, hipertensão arterial, taquiarritmias, e outras desordens gastrintestinais, perda de peso, dores musculares e de coluna, alergias, etc.
7. Manifestações comportamentais: probabilidade de condutas aditivas e evitativas, consumo aumentado de café, álcool, fármacos e drogas ilegais, absenteísmo, baixo rendimento pessoal, distanciamento afetivo dos clientes e companheiros como forma de proteção do ego, aborrecimento constante, atitude cínica, impaciência e irritabilidade, sentimento de onipotência, desorientação, incapacidade de concentração, sentimentos depressivos, freqüentes conflitos interpessoais no ambiente de trabalho e dentro da própria família.

Apesar de não ser possível estabelecer uma fórmula mágica ou regra para análise do estresse no trabalho devido a grande diversidade entre as empresas, vejamos agora algumas situações mais comumente relacionadas ao estresse no trabalho, de um modo geral.

Considera-se a Síndrome Burnout como provável responsável pela desmotivação que sofrem os profissionais da saúde atualmente. Isso sugere a possibilidade de que esta síndrome esteja implicada nas elevadas taxas de absenteísmo ocupacional que apresentam esses profissionais.

Segundo pesquisas (Martínez), a epidemiologia da Síndrome de Burnout tem aspectos bastante curiosos. Seu detalhado trabalho mostrou que os primeiros anos da carreira profissional profissional seriam mais vulneráveis ao desenvolvimento da síndrome.

Há uma preponderância do transtorno nas mulheres, possivelmente devido à dupla carga de trabalho que concilia a prática profissional e a tarefa familiar. Com relação ao estado civil, tem-se associado a síndrome mais com as pessoas sem parceiro estável.

para referir:
Ballone GJ -Síndrome de Burnout - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2005




Pfizer fala sobre Stress

12 05 2008

STRESS

> O stress
> Causas comuns
> O stress como doença
> Sugestões para evitar o stress
> Algumas técnicas de relaxamento
> Conselhos para evitar o stress no trabalho
> Tratar o stress
> Modifique a sua rotina
> Links relacionados

O STRESS

Nas últimas décadas, cada vez mais pessoas sofrem de stress. As mudanças bruscas no estilo de vida e a exposição a um ambiente cada vez mais complicado levam-nos a sentir um determinado tipo de angústia. Sentimo-nos desprotegidos e envolvidos em situações traumatizantes; os nossos mecanismos de defesa passam a não responder de uma forma eficaz, aumentando assim a possibilidade de vir a sofrer de doenças, especialmente do foro cardiovascular.

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CAUSAS COMUNS

Cada pessoa reage de forma diferente a possíveis factores de stress. Se saltar de pára-quedas é um passatempo e um divertimento para uns, para outros só a ideia já é aterradora. Não existem pois factores absolutos. No entanto, aqui ficam alguns exemplos mais comuns:

  • Ameaças súbitas: incêndios, explosões, acidentes;
  • Torturas, detenções e outras situações de violência;
  • Violência urbana diária;
  • Desequilíbrio dos mecanismos de defesa individuais;
  • Acidentes ou ocorrências com lesões corporais importantes;
  • Sensação de insegurança;
  • Perda da estabilidade económica, como ser demitido;
  • Dificuldades sexuais;
  • Doenças prolongadas;
  • Intervenções cirúrgicas;
  • Morte de pessoas próximas;
  • Mudanças imprevistas;
  • Aquisição de dívidas e de compromissos difíceis de honrar;
  • Conflitos permanentes no trabalho ou em casa.
  • Divórcio;

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O STRESS COMO DOENÇA

O stress provoca um desequilíbrio entre o corpo e a mente, afectando os mecanismos de defesa. Os sintomas manifestam-se com a combinação de vários factores. Para os médicos, o stress é o causador de muitas doenças; contribui também para complicar ou atrasar a recuperação de uma doença prolongada ou aumentar o seu período incapacitante. O stress pode originar perturbações mentais, erupções da pele, alterações do aparelho digestivo, alteração de certas glândulas internas (tiróide), perturbações menstruais, impotência, desinteresse pela actividade sexual, entre outras.

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SUGESTÕES PARA EVITAR O STRESS

  • Aprenda e pratique uma técnica de relaxamento, para libertar a sua mente de pensamentos negativos e perturbações que irão quebrar do círculo vicioso do stress;
  • Afaste-se de situações angustiantes ou conflituosas;
  • Transforme as sessões de relaxamento e alongamento muscular num hábito diário;
  • Evite levar para casa problemas relacionados com o trabalho; peça apoio à sua família, mas não a envolva em problemas;
  • Esforce-se por repartir o seu tempo de forma equilibrada entre trabalho, lazer e família;
  • Caminhe um pouco antes de ir para casa;
  • Vá a livrarias ou museus;
  • Tome uma bebida calmante, com por exemplo um chá quente ou gelado;

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ALGUMAS TÉCNICAS DE RELAXAMENTO

  • Feche os olhos por alguns segundos várias vezes ao dia. Faça inspirações profundas e lentas em sessões repetidas ao longo do dia.
  • Quando sente que o seu ânimo dimimui ou está angustiado, faça uma pausa e siga algumas das sugestões anteriores. Outro movimento simples e muito bom para relaxar é movimentar os ombros para cima e para baixo de forma longa e lenta e esticar as mãos ao mesmo tempo.
  • Estabeleça horários e rotinas de relaxamento e exercícios pré-definidos com durações específicas. Estes rituais podem transformar-se em verdadeiros “oásis” que o afastam da angústia ameaçadora.<
  • Inscreva-se num ginásio. Além de iniciar um programa de exercícios regular, sentirá que uma boa condição física ajuda a diminuir a predisposição para os efeitos do stress, para a ansiedade e para a depressão.

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CONSELHOS PARA EVITAR O STRESS NO TRABALHO

  • Quando tiver uma sobrecarga de trabalho e de responsabilidade, faça um período de descanso; lembre-se que o stress pode encobrir doenças mais graves;
  • Aprenda a dizer não quando confrontado com solicitações que são exageradas ou que simplesmente não pode satisfazer;
  • Faça um balanço diário da sua vida, alegre-se com o que ela tem de bom e felicite-se por isso;
  • Identifique os acontecimentos que na sua rotina diária lhe causam mal-estar ou que o perturbam profundamente.Alguns exemplos:
    - Competitividade conflituosa entre colegas de trabalho.
    - Disputa por um lugar no estacionamento ou um melhor local dentro do escritório;
    - As filas do almoço, os lugares; etc.
    - Ficar irritado com aglomerações;
    - Deixar acumular tarefas;
    - Não cumprir datas de pagamento;
    - Disputar ultrapassagens no trânsito a caminho do trabalho ou de casa.
  • Faça um programa com datas e acções para se desembaraçar dos aspectos negativos do seu ambiente e do seu comportamento.

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TRATAR O STRESS

Para controlar, melhorar e prevenir os efeitos do stress, defina e resolva de forma honesta e séria os conflitos que, a diferentes níveis, possa estar a viver: espirituais, profissionais ou familiares.

  • Procure diferentes tipos de aconselhamento. Consulte especialistas: médicos, psicólogos, terapeutas ou inscreva-se em grupos de apoio.
  • Seja moderado em todas as suas actividades, mas reforce as que lhe causam maior entretenimento ou satisfação. Faça uma boa alimentação. Beba com moderação.
  • Pratique exercício de acordo com suas possibilidades físicas. Hoje em dia, tem ao seu dispor inúmeros ginásios e health clubs que lhe oferecem diversos programas de exercícios, individuais ou colectivos, onde se combina o exercício físico com técnicas de relaxamento que serão uma excelente opção para o final do dia (exemplos: alongamentos; bodybalance; ioga; pilates; shiatsu, etc.)
  • Proponha-se um novo estilo de vida e realize-o. Fixe metas para si mesmo:
    Aumente progressivamente a distância que caminha para chegar ao escritório ou voltar para casa.
    - Proponha-se ler um livro, disciplinadamente, todos os meses.
    - Pratique desporto duas a três vezes por semana; Não dê desculpas para faltar!
    - Vá ao cinema, teatro ou a outros espectáculos pelo menos uma vez por semana.

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MODIFIQUE A SUA ROTINA

  • Inove e seja criativo na execução das suas tarefas e na forma de se relacionar com os outros.
  • Resolva tarefas com a família e programe actividades em grupo;
  • Passeie com os seus filhos e o seu cão, transforme as caminhadas num agradável acontecimento de integração familiar.
  • Mantenha o bom humor em qualquer circunstância, por mais adversa que ela seja.
  • Seja amigável.
  • Dê e receba afecto.
  • Tenha um atitude positiva diante da vida; não fique irritado.
  • Seja amável.



Mulheres traem por vingança e colocam culpa no parceiro, dizem especialistas

1 05 2008

Fonte: Globo On-line

Publicada em 24/04/2008 às 18h58m

Maria Vianna, especial para O Globo Online

Arquivo O Globo

RIO - Quando o assunto é traição, cada casal deve definir o que é permitido e o que é proibido no relacionamento. Afinal, se para alguns uma troca de olhares com alguém que não seja o parceiro já soa como um alerta, para outros, ‘escapulidas’ eventuais não significam que você esteja traindo seu par. Na última semana, leitores do Globo Online opinaram na enquete ‘Para você, o que caracteriza uma traição?’. Convidados para analisar as respostas, a antropóloga da Universidade Federal do Rio de Janeiro Mirian Goldenberg, autora de Infiel (ed. Record), e o psicólogo evolutivo Jorge Nogueira, especialista em ciúme, observaram que enquanto os homens se preocupam mais com a questão física, as mulheres não admitem a traição emocional. (Quer deixar sua opinião? Clique aqui!)

De acordo com dados do Projeto Sexualidade (Prosex), do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, cerca de 60% dos homens já foram infiéis em uma relação, assim como 40% das mulheres. As estatísticas batem com as da antropóloga Mirian Goldenberg, que conduziu uma pesquisa com quase dois mil cariocas e, desses, cerca de 60% dos homens e 47% das mulheres já haviam traído seus parceiros.

As mulheres querem ser as únicas, as mais especiais, insubstituíveis aos olhos do parceiro (Mirian Goldenberg)


- A traição se dá desde o pensamento de um desejo por uma outra pessoa, até o desrespeito pelo parceiro dentro de um relacionamento. É lamentável que muitos ainda não saibam dizer acabou, fim, sem antes experimentar o sabor da traição - opina a leitora Carla Valéria Marins da Rosa.

Já a leitora Michelle Araújo condena os envolvimentos amorosos, mas não considera os envolvimentos apenas sexuais como um problema. Para Valéria dos Santos Pinho e Eduardo Amaro Ayres, a traição é o equivalente a mentira. O leitor Pedro Curiango faz sua análise:

- Qualquer dicionário explica que traição é a ‘quebra de fidelidade prometida e empenhada ‘. Não creio que se possa realmente recuperar-se de uma traição. É como vidro: quebrou, está quebrado. Você continuaria confiando num sócio que lhe roubou? Sempre estará “com o pé atrás” com esta pessoa, ou, como dizem os mineiros, passará a ‘confiar desconfiando’, ou seja, viverá um inferno em vida. A traição, no caso amoroso, é o roubo daquela cumplicidade que existe entre parceiros.

Mulheres querem ser as únicas, diz antropóloga

Arquivo O Globo

Para Mirian Goldenberg, a diferença entre homens e mulheres na hora de julgar uma traição é que elas não toleram a idéia de não serem insubstituíveis. Já os homens conseguem separar melhor o sexo do amor e, por isso mesmo, acabam vendo a traição feminina como algo muito mais grave ao entenderem que, no caso delas, pode ter havido mais do que só sexo. Por outro lado, acabam relevando sua própria infidelidade.

- As mulheres querem ser as únicas, as mais especiais, insubstituíveis aos olhos do parceiro. Para elas, a traição dói justamente porque percebem que não são tudo isso que imaginaram. Hoje elas falam mais da traição e também traem mais, mas quando elas traem, costumam culpar o parceiro ou tomar esta atitude por vingança. As relações hoje são mais igualitárias: ou os dois traem, ou os dois são infiéis. Atualmente, vejo que os homens se sentem ameaçados porque, para terem um relacionamento bacana, precisam ser fiéis - acredita a antropóloga.

O psicólogo Jorge Nogueira concorda, lembrando que a mulher se incomoda muito mais com o fator “paixão” do que com a relação física.

A mulher tem medo de ver o parceiro apaixonado por outra. A traição, aos olhos femininos, vai sempre muito além do sexo (Jorge Nogueira)


- A mulher tem medo de ver o parceiro apaixonado por outra. A traição, aos olhos femininos, vai sempre muito além do sexo - avalia.

Traição pode ser novo ponto de partida

Nogueira enfatiza que, em qualquer relação, há a possibilidade de traição, e lembra que a infidelidade também pode ser um momento importante no relacionamento, principalmente se as coisas não vão bem entre o casal.

- A infidelidade pode ser o ponto de partida para o casal que decidiu ficar junto se conhecer melhor. É um bom momento para a pessoa pensar nas seguintes questões: quem sou eu? Que tipo de casal nós formamos? Que tipo de relação queremos ter? É claro que superar a raiva, a mágoa e a vontade de vingança não é fácil, mas é possível.




Tratamentos para pedófilos sem garantias de sucesso

1 05 2008

Tratamentos para pedófilos sem garantias de sucesso


PATRÍCIA JESUS

Agressores sexuais quase nunca procuram ajuda O abuso sexual de menores é um crime cada vez mais no centro das preocupações da sociedade. Odiados pelo cidadão comum, os pedófilos são também doentes, que chegam a acreditar que estão a fazer bem às crianças. A medicina já oferece tratamentos que, embora não tenham eficácia garantida, ajudam a diminuir a reincidência.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a pedofilia como um desvio da sexualidade caracterizado pela atracção de um adulto por crianças que ainda não atingiram a puberdade.

Manuel Coutinho, do Instituto de Apoio à Crianças (IAC), salienta que nem todos os agressores sexuais de menores são pedófilos e que nem todos os pedófilos cometem crimes. O psicólogo clínico usa o exemplo de um cleptomaníaco, uma pessoa com a obsessão de roubar: “Se nunca chegar a roubar não comete nenhum crime; o mesmo se passa com um pedófilo, se não abusar sexualmente de crianças.” O que é criminalizado é o abuso sexual e não a doença, resume.

No entanto, os pedófilos raramente procuram ajuda se não forem levados a isso. Só o fazem quando se sentem pressionados, ou pela família ou porque já foram identificados pelas autoridades. Não procuram tratamento porque têm consciência de que “é um dos crimes mais odiados pela população em geral e a população prisional” e porque “criam mecanismos de auto-ilusão”, explica o sexólogo e psiquiatra Afonso de Albuquerque: “Os pedófilos constroem uma auto- -imagem de pessoas que têm uma boa relação com as crianças.” Muitos, mesmo depois de serem denunciados e punidos continuam a acreditar que estavam a fazer bem às crianças.

“Sabemos muito pouco sobre estas perturbações”, reconhece o sexólogo, antigo director do Serviço de Psicoterapia Comportamental do Hospital Júlio de Matos. Nem se sabe ao certo o porquê, apesar de existirem várias teorias.

Manuel Coutinho salienta que nem todas as crianças abusadas se tornam adultos abusadores, mas que muitos pedófilos foram vítimas de abuso sexual na infância. Uma teoria que, segundo Afonso de Albuquerque, tem vindo a ser refutada porque a maior parte dos casos estudados revela que a percentagem de agressores que foram vítimas não é tão elevada como se pensava anteriormente. No entanto, há casos em que essa ligação parece evidente, como o de Carlos Silvino, conhecido como “Bibi”, que é seguido por Afonso de Albuquerque. O psiquiatra alerta ainda para a importância dos percursos individuais e de outros factores, como um desenvolvimento sexual anómalo. “Há também teorias que defendem que o pedófilo já nasce assim”, diz o sexólogo. “Não sabemos, é uma área ainda pouco estudada.”

Tratamentos

Apesar do conhecimento deficiente sobre como funciona esta perturbação, tem havido desenvolvimentos no capítulo dos tratamentos. A administração de psicofármacos é um deles. Os antidepressivos actuam sobre os traços obsessivos da personalidade do pedófilo - a repetição de ideias de forma sistemática e carácter compulsivo, ajudando a controlar a atracção anómala por crianças, que está presente na mente do pedófilo 24 horas por dia.

Além da abordagem psicofarmacológica, há a castração química: a administração de hormonas que vão inibir a produção da hormona sexual masculina, a testosterona, e suprimir o desejo sexual.

Na abordagem psicoterapêutica tenta-se mudar a preferência sexual por crianças, diz Afonso de Albuquerque. Manuel Coutinho explica que, na psicoterapia, pretende-se que a pessoa compreenda o problema, o processo que a conduziu até ali, que há uma grande diferença entre a sexualidade adulta e a infantil e que compreenda o dano infligido às crianças.

Na experiência do sexólogo, o tratamento tem mais sucesso se as três intervenções forem utilizadas em conjunto. “Mas cada caso é um caso.” Os resultados medem-se pela taxa de reincidência. Em estudos em que se comparam dois grupos de presos, um com acompanhamento depois de sair da prisão e outro sem acesso a tratamentos, o segundo grupo registou uma taxa de reincidência superior.

Manuel Coutinho é menos optimista quanto à eficácia dos tratamentos. Considera que a psicoterapia e a psicofarmacologia podem ajudar na contenção social, mas acredita que é quase impossível mudar a preferência sexual de um pedófilo. Para o psicólogo clínico, os Estados deviam desenvolver bases de dados confidenciais, para que as polícias nacionais e internacionais possam seguir os movimentos de pessoas com historial de agressões sexuais a crianças. E defende que as organizações que trabalham com crianças deviam exigir o registo criminal dos trabalhadores.

Fonte: http://dn.sapo.pt/2008/04/27/sociedade/tratamentos_para_pedofilos_garantias.html




Melhores Dinâmicas de Grupo

9 04 2008

http://www.mundojovem.com.br/subsidios-dinamicas.php

http://www.formador.com.br/resumo.aspx




8 04 2008

“A Psicologia não pode ser neutra ou abstrata, pois em tempos de extrema desigualdade a neutralidade é a arma dos dominantes”.  Silvia lane




Atendimento psicológico é incluído nos Planos de Saúde

5 04 2008

Os 26 milhões de usuários de planos de saúde do Brasil que assinaram contrato com as operadoras a partir de 1999 estão sendo beneficiados, desde o dia 2 de abril, com cem novos serviços que os planos de saúde terão que garantir.

Entre os novos procedimentos estabelecidos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), estão inclusas sessões com psicólogos, nutricionistas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, além de cirurgias de redução de estômago, vasectomia, laqueadura, colocação de DIU e miopia - para quem tem mais de cinco graus. Dada a atualidade e a relevância deste tema, o CRP-12, em conjunto com o Conselho Federal de Psicologia, deverá abrir um amplo debate com a categoria nas próximas semanas.

Algumas categorias - como a dos psicólogos, nutricionistas e fonoaudiólogos - reclamam da necessidade de encaminhamento médico para que os pacientes possam consultá-los e do limite de sessões que podem ser feitas por ano. Segundo a ANS o objetivo é que as operadoras só ofereçam esses serviços em casos agudos, como suporte.




‘Ficar’: Um Sintoma de Fragmentação do Amor

28 03 2008
 

Comportamento Por Valdeci Gonçalves da Silva Assinar feed do autor
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“Em última análise, precisamos amar para não adoecer”(Sigmund Freud).

A pós-modernidade colocou valores, até então intocáveis, de ponta-cabeça. O futuro chegou, e, nessa reviravolta dos novos paradigmas estão os adolescentes, sujeitos em formação que, no seu exercício afetivo/sexual, não namoram, é coisa do passado!, “ficam”. “Ficar” termo ambíguo que é usado não no sentido de permanecer: “ficar namorando”, mas, de “estacionar”1. Ou seja, bem a maneira superficial e breve dos jovens atuais se “relacionar”. Mal se apresentam e logo já estão se “bicando”, movidos pelo frenesi de beijarem, indiscriminadamente, o maior número de bocas possível.

Após o Renascimento, o beijo deixou de ter função oficial e sagrada. Assim, beijar na boca, devido à conotação erótica, ficou reservado aos amantes. Baiser (beijar em francês) significa ofertar os lábios para o beijo ou o próprio ato sexual. Em geral, o beijo é uma demonstração de afeto, gesto simbólico de afirmação de vínculo com o outro2. É através do vínculo que toda personalidade se comunica, mas se a mesma está dissociada, tem duas pautas de conduta3. Enamorar tem o potencial para o amor, enquanto que “ficar” é pura estimulação da libido que encerra no descartável. Enamorar é uma das formas de manifestar a individualidade e de realizar a subjetividade, capaz de superar barreiras de classe social e de religião4.

A natureza erótica não ama sempre, e nem a todos, mas, na medida em que o faz integralmente, consuma o sentido da vida5. Porém, essa “onda” do beijo oportunista desqualifica o jovem enquanto pessoa. Portanto, não se trata apenas de uma questão de mudança, mas de analisar como se forjou essa praxe que dissocia conteúdos afetivos e sexuais de personalidades em construção6.

Paixão (passione - latim), força dentro da pessoa que a domina; (pathós - grego), experiência assustadora e misteriosa. O suposto sofrimento atribuído ao amor e a paixão, na verdade, decorre da sua falta, interdição ou unilateralidade. O amor, só tem sentido se recíproco; enquanto que a paixão rouba a vida e dá em troca um delírio7. A deturpação cultural dos afetos faz o homem pós-moderno “borboletear” nos sentimentos. O desejo amoroso não tem nada a ver com a bestialidade ou com problema etológico8, e o amor não se opõe à autonomia, do contrário, é preciso dispor de autonomia para amar9. Enfim, a paixão se caracteriza pelo exagero, entusiasmo e admiração sem limites pelo outro; enquanto que no amor mantém as referências, preserva limites e medidas da realidade10.

Na resistência para amar, faz-se o uso de mecanismos de sublimação ou manobras para combatê-lo. Amar é abrir-se ao destino, a mais sublime de todas as condições humanas, em que o medo se funde ao regozijo numa amálgama irreversível11. Uma vida de impulsos momentâneos, de ações de curto prazo, de fato, se reduz a uma existência sem sentido12.
Logo, consiste num contra-senso estimular o “ficar” como algo salutar à juventude. Tal postura incrementa o homem fragmentado13 e sem alma14 da atual sociedade depressiva15. Aceitar essa esquizoidia é, sem dúvida, perpetuar as formas de relacionamento íntimo, atualmente em voga, que portam máscaras de falsa felicidade, e, ao serem olhadas de perto se descobrem nervos em frangalhos, sofrimentos, medos, solidão, egoísmo e compulsão à repetição16.
Finalmente, a academia, ainda, estuda pouco o “fenômeno amoroso” que, devido a sua subjetividade, é visto enviesado, como uma questão menor ou sem relevância. A ideologia aversiva ao amor contempla esta era do vazio regida pelo imperativo do gozo17 e do mínimo eu18.

Campina Grande, maio de 2006

REFERÊNCIAS

1. MICHAELIS: Moderno dicionário da língua portuguesa. São Paulo : Melhoramentos, 1998.
2. Le BRETON, David. Ritos de intimidade. In: CAHEN, G.(Org.) O beijo : primeiras lições de amor - história, arte e erotismo. São Paulo : Mandarim, 1998.
3. PICHON-RIVIÈRE, Enrique. Teoria do vínculo. São Paulo : Martins Fontes, 1986.
4. ALBERONI, Francesco. Enamoramento e amor. Rio de Janeiro : Rocco, 1992.
5. SIMMEL, George. Filosofia do amor. 2a ed. São Paulo : Martins Fontes, 2001.
6. DUBY apud CATONNÉ, Jean-Philippe. A sexualidade, ontem e hoje. 2a ed. São Paulo : Cortez, 2001.
7. CONCHE, Marcel. A Análise do amor e outros temas. São Paulo : Martins Fontes, 1998.
8. GUATTARI, Félix e ROLNIK, Suely. Micropolítica : cartografias do desejo. Petrópolis : Vozes, 1993.
9. PHILIPPE, Marie-Dominique. O amor : na visão filosófica, teológica e mística. Petrópolis : Vozes, 1998.
10. FAGUNDES, Maria do Carmo F. Paixão : força, beleza e perigo de um sentimento. São Paulo : Gente, 2000.
11. BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido : sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro : Zahar, 2004.
12. SENNETT apud BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro : Zahar, 2001.
13. JAMESON, F. Pós-Modernismo: a Lógica Cultural do Capitalismo Tardio. São Paulo : Ática, 1997.
14. KRISTEVA, Julia. As novas doenças da alma. Rio de Janeiro : Rocco, 2002.
15. ROUDINESCO, Elisabeth. Por que a psicanálise?. Rio de Janeiro : Zahar, 2000.
16. SIGUSCH apud BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro : Zahar, 2001.
17. LIPOVETSKY, Gilles. A era do vazio: ensaios sobre o individualismo contemporâneo. Barueri, SP : Manole, 2005.
18. LASCH, Christopher. O mínimo eu: sobrevivência psíquica em tempos difíceis. 4a ed. São Paulo : Brasiliense, 1987.




A Subjetividade Emocional na Obesidade

28 03 2008
 

Comportamento Por Valdeci Gonçalves da Silva Assinar feed do autor
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“Quando o sofrimento não consegue se expressar pelo pranto, ele faz chorar outros órgãos” (Henry Maudsley).

A Vênus de Wilendorf é uma estatua de imenso busto e abdome dilatado, data da era Paleolítica, e que representa a obesidade feminina. De fato, o tipo matrona ocupou espaços nas telas do Renascimento. Mas, depois deste período se instituiu o padrão magérrimo de beleza, exigido não somente nas passarelas, mas também imposto as cidadãs comuns que não sobrevivem à base de alface. Segundo Horkheimer (1976)1, “da natureza à modernidade, o corpo é visado, reeducado”. O modelo atual instigado pela mídia é construído, torturado, costurado e reconstruído nas clínicas e academias. Antinatural, muitas vezes é super valorizada a estética em detrimento da saúde. Neste sentido, Azevedo (apud AZEVEDO, 2002)2 diz que a influência cultural dos padrões de beleza predomina sobre os aspectos éticos e socioeconômicos. Enfim, a ditadura do culto às formas termina por implicar em maiores ônus para a figura feminina. Como salienta Dadinter (2003)3, a sociedade de consumo sexual, em particular para a mulher, o corpo deve ser jovem, performático e excitante. Porém, se por um lado, a busca do ideal de físico perfeito tem ênfase no narcisismo e está pautado na crença de que ele traga sucesso profissional, afetivo e social (MORGAN e AZEVEDO, 2002)2; por outro, a indústria alimentícia instiga hábitos com suas propagandas mirabolantes que estimulam o apetite. Uma vez que o alimento é um catalizador de emoções, isto associado ao estresse da vida moderna, não dar outra: Come-se cada vez mais, e qualidade indesejável. Para Woodman (2002)4, a obesidade é uma síndrome que consiste em sintomas não particulares, mas de um mal-estar geral na cultura ocidental.

Atualmente, a obesidade tornou-se uma epidemia mundial que, em sua imparcialidade, não discrimina ninguém, seja das classes abastardas ou proletárias. Embora o excesso de gordura tenha uma condição multideterminada, no entanto, a maioria dos casos não tem uma causa orgânica que a justifique, isto leva a pensar a obesidade como um Sintoma (LOLI, 2000)5. No entender de Groddeck (apud VOLICH, 2000)6, não existe doença orgânica ou psíquica, pois o corpo e a alma adoecem juntos. A etiologia da obesidade está relacionada à psicodinâmica dos conflitos somatizados devido às reações adaptativas e defensivas débeis ou inadequadas que atingem os mecanismos de defesa do ego (VOLICH6, 2000; SICHEL apud BUXANT, 198 8) 10, ou seja, fatores psicossociais e emocionais enfraquecem o funcionamento imunológico, bem como o metabolismo do organismo. A primeira vista o gordo pode parecer auto-suficiente, cuja gordura é usada como manobra para disfarçar seus sentimentos ansiogênicos. O transtorno alimentar é, na maioria das vezes, uma expressão de conflito inconsciente. Ou seja, de situações emocionais inacabadas, negadas, de lutos não elaborados que reativam o sofrimento psíquico. A pessoa obesa não constrói um anteparo, “um dique de proteção” contra essas emoções mal resolvidas que acabam por desaguar na compulsão alimentar. Em outras palavras, a fuga por meio da comida é uma tentativa de atenuar as angústias e as frustrações, que assume a função de preencher seu vazio afetivo e de trazer alívio para suas tensões e dificuldades das quais o obeso não consegue resolver e, assim, conquistar um certo estado de paz ou equilíbrio psíquico.

A obesidade pode representar a cristalização da impossibilidade de fazer sarar os doloridos da alma. Assim sendo, resigna-se à entrega, por vezes desenfreada, da comilança. Woodman (2002)4 diz que, “de um jeito ou de outro somos viciados porque nossa cultura patriarcal enfatiza a perfeição. Por isso, uma das maiores dificuldades no trabalho com adictos em comida consiste em ajudá-los a superar a sensação de desespero quando perdem a euforia associada a esse vicio” (passim). O alimento é o primeiro objeto transicional da criança, é ele que faz a ponte mãe-bebê, isto é, não é somente uma fonte de nutrição, pois estabelece e fortalece o vínculo de uma interação prazerosa de investimentos afetivos. Neste sentido, Loli (2000)5 e Woodman (2002)4 consideram que o ato de comer revela a busca de afeto maternal, comer desregradamente tem o poder magnético, na medida que parece prometer a presença da Mãe Amorosa. Ou seja, de uma mãe que nunca chega e sua falta se transforma em mais volume. Em geral, o obeso padece da Alexitimia, termo de origem grega que significa: a = sem; lexis = palavra; thymos = afetividade. Para MacDougall (apud LOLI, 2000)5, ele não consegue expressar em palavras o seu estado afetivo, e não distingue um afeto do outro ou o dispersa em ação para aliviar a excitação afetiva que não suporta. Os desejos estéticos e sexuais estão latentes na pessoa obesa, porém, as limitações físicas, a sofrível qualidade de vida, o risco de morte prematura devam consistir nas suas maiores inquietações, e de seus parentes. No entender de Fasolo e Diniz (2002)2, todos os membros da família afetam e são afetados pela doença, o paciente identificado não é o único que tem problema. Nesta perspectiva, Martins (2002)2 diz que pelo fato da família estar sendo atendida, não significa que seja a origem da doença, ela tem recursos a serem explorados para ajudar a promover saídas mais saudáveis para todos.

Por que também não pensar a obesidade como dobra da revolta inconsciente, uma forma de protesto pelo excesso das demandas sociais que ditam e controlam os modos de vida? Assim, na contra mão do sistema, o indivíduo procura impor suas vontades, soltando as rédeas de uma conduta alimentar “libertária” (aspada porque é seguida de culpa). De acordo com a nossa experiência clínica, embora queira vivenciar a sexualidade plena, o candidato à cirurgia, parece, num primeiro momento, mais disposto a ficar bem consigo. Na obesidade feminina, não se pode perder de vista que, quase sempre, tem viesses afetivos e/ou sexuais, a exemplo do medo de ser tida, pelo sexo oposto, como mero objeto sexual, etc. Neste aspecto, Schelotto (2000: 22)7 afirma que “os homens mesmo na presença das mais românticas palpitações de amor, dificilmente prescindem do aspecto físico”. Enquanto que o homem obeso deixa claro o desejo de recuperar as condições para um melhor desempenho sexual que, em parte, se deve as exigências do seu papel mais ativo no encontro amoroso. Geralmente, os obesos têm dificuldade de encontrar parceria sexual, e, quando isso acontece, reduz à atividade erótica aos limites que o peso e volume corporal impõem. A cirurgia é o primeiro passo na reconquista de si, entretanto, muito mais o cirurgiado precisa fazer na conquista da saúde, longevidade e vida social, o que inclui a disposição de contar, nesse empreendimento, com a ajuda de profissionais nas áreas da psicologia, da nutrição, da plástica e outras.

A cirurgia bariátrica tem se mostrado uma técnica de grande auxilio na condução clínica a grande maioria dos casos de obesidade (FANDIÑO et al., 2004)8. O paciente com transtorno do comer compulsivo evidencia uma história de tratamento anterior em relação ao controle do peso (APPOLINÁRIO, 2002)2. Isto significa dizer que se submeter à cirurgia bariátrica é, em tese, seu último recurso, deixar que o outro (médico) faça o que ele não conseguiu impor a si mesmo: Autocontrole. Mas, o cérebro não registra a redução do seu estômago, e ele não mais dispõe desse recipiente para as descarga e compensação das frustrações, impotências e castrações. E agora, para onde vão as energias agressivas da mastigação e de outros afetos insaciados? Daí a necessidade de acompanhamento psicológico no pré e pós-cirúrgico, para que o paciente compreenda e aceite seus sentimentos, e, em razão disto, maneje com mais assertividade as suas emoções. No entender de Gabbard e Westen (2003)9, na medida em que os sistemas inconscientes guiam a maioria de nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos, em muitos casos, deverão ser o foco primário da ação terapêutica, assim sendo, o papel do analista é ajudar o paciente a se tornar ciente desses padrões inconscientes expressados na sua conduta.

A Avaliação Psicológica Pré-operatória de obeso mórbido é um processo criterioso de fundamental importância que consiste no uso de testes psicológicos atualizados e entrevistas que auxiliam na compreensão e orientação do paciente, objetivando a redução de possíveis complicações pós-operatórias. Para Fandiño et al.,(2004: 4 8) 8, “o paciente no período pós-operatório também deve ser avaliado, a intervalos regulares para o acompanhamento do seu funcionamento posterior”. Na ótica destes autores, a equipe deve estar atenta para ocorrência de crises depressivas que podem aparecer após a cirurgia e que necessita de suporte e tratamento especializados. Na compreensão de Woodman (2002)4, a desprezada gordura é, de fato, a âncora na vida do obeso que ele assume e pode variar em proporção direta á aceitação ou a rejeição com que contempla sua humanidade. Porém, “a identificação não está marcada somente no espírito, mas também no corpo” (CASTETS In:1988: 9)10. Desse modo o luto pelo corpo perdido talvez precise ser enfrentado para que não torne a ocorrer um repentino aumento de peso. Elaborar a perda da então “adaptada carga” e introjetar a aceitação de uma nova silhueta que aos poucos vai sendo delineada. A função do psicólogo é, além de trabalhar no resgate das emoções do paciente, ajudá-lo também na restauração dessa imagem e esquema corporal. Como afirma Greenberg (apud ROMANO e MICANTI Romano In: 1988: 18 8) 2, “mudar significa perder relações e situações precedentes e também perder aspectos do próprio Si”. Finalmente, com bastante propriedade Martins (apud LOLI, 2000: 29)5 diz que “emagrecer e ficar magro é uma condição que exige competência para lidar com a força imposta pela nova imagem corporal adquirida através do tratamento”.

REFERENCIAS

1. HORKHEIMER, M. Eclipse da razão. Rio de Janeiro: Labor, 1976.
2. NUNES, Maria Angélica Antunes et al. Transtornos alimentares e obesidade. Porto Alegre: Artes Médicas, 2002.
3. BADINTER, Elizabeth. Fausse Route. Paris: Odile Jacob, 2003.
4. WOODMAN, Marion. O vício da perfeição. São Paulo: Summus, 2002.
5. LOLI, Maria Salete Arenales. Obesidade como sintoma. São Paulo: Vetor, 2000.
6. VOLICH, Rubens Marcelo. Psicossomática. 2. ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.
7. SCHELOTTO, Gianna. Porque nos sentimos incompreendidos. Lisboa: Presença, 2000.
8. FANDIÑO, Julia, et al. Cirurgia Bariátrica: aspectos clínico-cirúrgicos e psiquiátricos. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul. V. 26, n. 1, Jan/Abr, 2004.
9. GABBARD, Glen O e WESTEN, Brew. Repensando a ação terapêutica. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul. V. 25, n. 2, Mai/Ago, 2003.
10. HERMANT, G.(Org.). O cor