Os desafios da educação sexual

14 06 2008

Mundo Jovem   8 – fevereiro/2008  www.mundojovem.com.br

Sexo está na roda! Esse assunto tem rolado solto nos últimos anos entre os jovens. Se encontrarmos um grupo no intervalo ou na saída do colégio, esse pode ser um dos temas em pauta. Ao chegar em casa e ligar a televisão, o sexo está na mídia, na novela, no programa educativo ou no de entrevistas. No entanto sabemos que, mesmo assim, nem sempre ele está no assunto comum entre pais e filhos, alunos e professores.

Adriano Beiras , psicólogo, mestre em Psicologia e pesquisador do Núcleo Margens (Modos de Vida, Família e Relações de Gênero), do Departamento de Psicologia da UFSC.

Estaria mais fácil agora falar de sexo? Talvez não. Existem diferenças de gerações, desconfortos e, ainda assim, barreiras. Então, por onde começar, o que falta ainda mudar? Uma dica: nós mesmos, educadores, psicólogos, profissionais, pais, comunicadores é que devemos mudar.

Ações participativas e vivenciais
As estratégias existentes de educação e saúde no contexto da escola têm sido muito pontuais e pouco expressivas. Os serviços disponibilizados na escola resumem-se, muitas vezes, a palestras e a panfletos informativos. Não há sistematicidade, nem continuidade dos trabalhos. Trata-se de ações específicas a temas pontuais com foco muito mais na prevenção das doenças do que na promoção da saúde. Há uma lacuna quando às estratégias de integração educação-saúde que se reflete na dinâmica da comunidade, na qual não há integralidade entre as ações desenvolvidas na escola e as aplicadas nos postos de saúde do bairro, por exemplo.
Em conseqüência, faz-se necessário destacar a importância da implantação de programas que ultrapassem o âmbito educativo, biomédico e/ou programas em formato de palestras e propagandas. Percebemos a importância de ir além, realizando oficinas, com espaço de trocas de experiências, dúvidas, crenças, medos, entre jovens, professores e pais. Tais encontros devem ser mais participativos e vivenciais. A abordagem seria outra, a recepção também.
Nesse assunto , é preferível não trazer nenhuma receita, mas o que os pais podem fazer, inicialmente, é olhar para si mesmos e deixar claro, na comunicação com os filhos, suas próprias dificuldades, para romper o abismo que acaba se criando, no que se refere a falar de sexo. A partir disso, é recomendável deixarem-se disponíveis para o(a) filho(a) e para conhecer o novo: procurar saber como é a questão sexo na atualidade, as diferenças de como foi para eles, respeitando as diferenças.

Buscar novas abordagens
O adolescente também deve mostrar-se interessado. Se ele não se sente à vontade para conversar com pais ou professores, provavelmente vai conversar com um amigo mais próximo; mas às vezes nem isso ocorre. O importante, aqui, é que ele saiba que pode contar com os pais, com algum professor que ele goste mais, ou agente de saúde etc. Que saiba qual profissional de saúde pode ajudá-lo, um médico ou enfermeiro(a) do posto, por exemplo. Para isso é necessário que ele seja informado desta rede, para recorrer no momento em que precisar.
Em pesquisas e oficinas que já realizei, os jovens mostraram ter bons conhecimentos sobre uso da camisinha e outros métodos contraceptivos, doenças sexualmente transmissíveis (DST) e aborto. A questão é o que fazem com essas informações. Isso nos faz pensar se realizar palestras educativas com fotos e com um discurso baseado no temor à gravidez precoce e às DST é suficiente para os jovens.
Penso que é para esse ponto que precisamos direcionar nosso olhar em relação à juventude. É necessário pensar em outras formas de atingir este púplico, levando informações e tirando suas dúvidas, discutindo com eles o que sabem, o que não sabem, falando sobre o gênero e saúde, mas, fundamentalmente, problematizando costumes e tradições baseadas em valores sexistas.
Muitas vezes, o que ocorre é que pais ou professores acabam sendo muito didáticos, ou seja, adotam um postura professoral com os jovens. O que eles precisam é de confiança e empatia para iniciar qualquer diálogo. Na medida em que o professor ou os pais também se sintam mais à vontade para trabalhar a questão da educação sexual, podem trazer o tema de maneiras indiretas, seja na aula de redação, seja na de história, numa conversa em uma reunião familiar ou sobre outros assuntos relacionados, sem ser de forma diretiva e cheia de zelos.
Os questionamentos começam por nós, profissionais: Será que é fácil falarmos sobre sexo e orientar sobre o assunto? Que dificuldades e barreiras vivenciamos dentro de nós? Este pode ser o começo de uma intervenção eficaz, que provoque mudanças e diálogos.

Dinâmica:
Histórias que me contaram

Objetivo: Possibilitar a expressão sobre o que é ser homem e ser mulher.
Material: Papel e lápis.
Desenvolvimento:
1) Grupo em círculo, sentado;
2) Pedir que cada participante liste as histórias, provérbios, ditos, ordens significativas que já ouviram sobre homens e mulheres, sobre como se comportar em relação ao seu próprio sexo e ao oposto, desde a infância até a fase atual;
3) Depois que todos tiverem feito o trabalho individualmente, formar subgrupos, nos quais devem ler o que escreveram, trocando experiências;
4) No subgrupo, tentar encontrar os pontos comuns e as diferenças, listando as conclusões (respostas) a que chegaram;
5) Cada subgrupo apresenta suas conclusões;
6) Plenário – Compartilhar com o grande grupo suas reflexões:
- De tudo o que ouviu, o que ainda é válido para você hoje?
- É difícil para você mudar posturas e atitudes? Justifique.
- Quais os mitos e tabus mais comuns no grupo?
Comentário: É necessário explorar todas as colocações, buscando a origem de cada mito ou tabu apresentado, desmitificando, dessa forma, as idéias sobre a sexualidade.

Fonte: Margarida Serrão e Maria C. Baleeiro, “APRENDENDO A SER E A CONVIVER”, Fundação Odebrecht/FTD Editora.





“Como tornar seus filhos, crianças ou já adolescentes, líderes de suas vidas”

31 05 2008

Há alguns dias, estive no lançamento da mais nova obra de John Maxwell, chamado Livro de Ouro da Liderança, reunindo os princípios mais importantes destilados em cerca de 40 anos de estudos. Maxwell já vendeu mais de 13 milhões de livros, e escolheu o Brasil para lançamento de seu trabalho mais recente.
Durante o talk show organizado pela Thomas Nelson Brasil, na livraria Cultura, alguém perguntou como poderia ajudar seus filhos a liderarem suas vidas.

Maxwell pensou um pouco e disse: ‘quando eu era menino, os garotos da vizinhança recebiam mesada para jogar o lixo da casa, cortar a grama ou arrumar a bagunça do quintal. Então, fui até meu pai e disse: ‘o filho do vizinho recebe uma mesada para ajudar em casa. Eu acho que mereço também’. Ele me olhou nos olhos e respondeu: ‘você faz parte da família, John, e o trabalho de casa todos nós fazemos e ninguém recebe por isso. Se você acha que tem que receber, antes vou descontar o seu custo, que inclui os nove meses que sua mãe o carregou na barriga. Você ainda vai ficar devendo’.

Nunca mais pedi mesada pelo trabalho em casa, continuou Maxwell. Mas meu pai pagava uma mesada. Só que era diferente. Ele pagava a mim e meus irmãos para nós lêssemos livros. Ele trazia um livro para cada um de nós. Então, todos os dias durante o jantar tínhamos que falar sobre as idéias do autor e qual nossa opinião sobre o capitulo que havíamos lido.

Assim, todos os dias líamos algumas páginas e falávamos sobre isso ao jantar. Quando terminávamos o livro, meu pai dava o preço de capa do livro para nós, em mesada. Assim, se um livro custava o equivalente a 30 reais, era o que ele nos pagava, depois de terminada a leitura. Isso nos ensinou a ler e entender os livros – coisa que muitos garotos americanos não conseguem fazer hoje – porque tínhamos que explicar o que estávamos lendo, para ele e minha mãe. Além disso, aprendemos a terminar os livros, o que hoje os especialistas chamam de acabativa, que é o que falta para muita gente. Até porque, para que pudéssemos receber a mesada, tínhamos que ler até a última página.

Em terceiro lugar, aprendi a não trocar dinheiro pelo tempo de trabalho, como faz a maior parte das pessoas, mas pela qualidade do meu trabalho. Trabalhamos muito tempo em muitas situações diferentes de graça, para outros, apenas para que pudéssemos aprender alguma coisa. Isso deixou meu irmão milionário. E eu e minha irmã também não podemos reclamar. Já vendi mais de 13 milhões de livros – e olha que faço isso no meu tempo livre. Até hoje somos voluntários em alguma atividade.
Por último, descobri que isso me tornou muito mais maduro, na escola e na vida. Eu não era, nem sou, mais inteligente que os outros, nem memorizava melhor as informações. Também não tirava notas mais altas que meus colegas.

Mas descobri que isso não é tão importante. Descobri que nossas escolhas é que são importantes. Quando olhava para as escolhas dos meus colegas, me perguntava como podiam fazer escolhas tão pobres. Quando os via trocando a chance de aprender mais, por alguma festa, um show, ou mais uma saída com os amigos, mais uma loucura qualquer, na universidade, comecei a ver que eu era diferente. Quando os via torrando seus últimos dólares em um carro, ou em alguma idéia mirabolante, achava incrível seus valores – ou a falta deles. Tinha me tornado diferente, porque passei anos lendo o que eles não leram, aprendendo o que eles não aprenderam e escolhendo ficar com pessoas que sabiam muito mais que eu, e não as mais populares.
Meu pai também aparecia na escola, no meio da aula, e me tirava para assistir alguma palestra ou seminário de algum palestrante famoso que estava na cidade. Se era grátis, nós estávamos lá. Se dava para pagar, também. Os professores não entendiam porque ele nos ajudava a “cabular” aulas, mas ele dizia: a aula você pega com um colega. Assistir esta palestra novamente, talvez demore anos’. Assim, em aprendia o que ninguém aprendia, porque meus irmãos e eu éramos os únicos adolescentes nestas palestras.

Fiz isso com meus filhos que, hoje, fazem com meus netos. Eu os pagava para que pudessem ler e os levava para palestras, seminários e workshops nos quais nenhum pai pensaria em levar os filhos. Porque informações nossos filhos terão na escola, na internet ou em alguma enciclopédia. Mas as escolhas que eles farão depende daquilo que existe dentro deles. E isso é marcado pelas pessoas que os cercam, pelos livros que eles tiverem lido e pelo tempo de qualidade que viveram com pessoas dispostas a ajuda-los. Isso, nenhuma escola vai ensinar.

Todos os adolescentes que se tornam felizes, equilibrados em bem sucedidos, fazem escolhas poderosas – algumas vezes, muito difíceis e impopulares”.

Escolhas. Maxwell destaca a importância das escolhas para a sua vida e a de seus filhos. Ajude os adolescentes a fazerem suas próprias escolhas, e eles saberão como fazer o resto. Em seus casamentos, em seus empreendimentos e em sua vida interior.

Fonte: www.arealocal.com.br/blog/2008/04/





Planejamento Individual de Carreira – Luiz Fernando Teixeira Dantas

25 05 2008

Às vezes, para construir nosso futuro, é necessário rever nosso passado.


UM COMEÇO DE CONVERSA

Como alguém pode se transformar num profissional bem sucedido? Esta é uma pergunta para a qual não se pode fornecer uma resposta definitiva. Ninguém possui a fórmula do sucesso. E vários são os motivos. O mais evidente é que ele não depende exclusivamente do fato de querermos ter sucesso ou das nossas ações nesta direção; existem variáveis intervenientes sob as quais não possuímos nenhum controle. Mas se não podemos garantir o sucesso, sabemos com algum grau de certeza, o que produz o fracasso. Então, não é exagero pensar que se conseguirmos nos afastar deste caminho, se pudermos evitar as formas de pensar e agir que induzem ao insucesso, teremos boas possibilidades de engrossar o time dos bem sucedidos profissionalmente. Antes de iniciar este pequeno estudo, é conveniente que procuremos o significado que a palavra “sucesso” pode ter para cada um de nós. Por exemplo, para alguns representa a possibilidade de movimentar-se no palco da vida sob os aplausos permanentes da multidão; para outros, é contar com o reconhecimento dos seus pares; para outros ainda é apenas sentir-se útil e produtivo. Mas também é bom não esquecer que seja qual for o significado que “sucesso” possa ter para nós, devemos compreender que, em nossa sociedade, embora ele seja parte importante da construção de nossa identidade, não deveria ser o único objetivo em nossas vidas. É muito provável que nosso viver se transforme em algo muito penoso se fizermos
do sucesso profissional a única razão de nossa existência – mesmo que o alcancemos. Vamos então apresentar algumas formas de pensar e agir que podem nos levar ao fracasso ou, pelo menos, dificultar o atingimento do
sucesso profissional.

SOB A ÉGIDE DA JUSTIÇA

Algumas pessoas acreditam que, se um indivíduo é honesto, bom filho, dedicado, educado, trabalhador, etc, cedo ou tarde, por uma questão de justiça, acabará por ser reconhecido e beneficiado em função de suas boas qualidades. Desta forma de encarar a vida geralmente fazem parte afirmações do tipo: “A verdade sempre aparece”, “A justiça tarda mas não falha”, “O criminoso sempre volta ao local do crime” (e será descoberto e, subentende-se, certamente punido). Esta “filosofia, pelo menos indiretamente, está associada à teoria da verdade evidente, isto é, à crença exageradamente otimista de que a verdade, o bem, a justiça sempre serão revelados e se imporão naturalmente. Essas pessoas geralmente acreditam que o mundo e nossas vidas são regidos por leis
justas que a todos atingirá – mesmo que não seja nesta vida. A Justiça pode tardar, mas não pode falhar.
Pessoas deste tipo costumam esperar “que os outros reconheçam sua competência”, mas pouco fazem para mostrá-la.

O PRIMADO DA SORTE

Uma variante do ponto de vista anterior é o daquelas pessoas que acreditam na sorte…Mas não na sorte como é definida pelos dicionários: algo casual, fortuito, aleatório. Mas um tipo de sorte que faz, por exemplo, com que algumas pessoas ganhem sempre a melhor parte, enquanto outras, fiquem com a pior ou sem nenhuma (1). Cada um já nasce com sorte ou sem sorte. E nada se pode fazer num caso ou noutro. Se nascemos com sorte, vamos desfrutar; se nascemos sem sorte, o melhor é rezar. Rezar, resignar e esperar.

O DESTINO IMPERATIVO

De um modo geral, estas pessoas também acreditam no destino. Nada aconteceria se o acontecimento já não estivesse pré-determinado. A pequena folha flutuando no espaço, não se desloca ao léu; alguém ou alguma coisa determinou sua queda e seu rumo. Existe uma causalidade imperativa que pode sempre ser descoberta.
Quando uma pessoa alcança algum sucesso, costumam dizer que ela “tem uma boa estrela”; quando fracassa: “que nada se pode fazer, é o destino”, “é a vontade de Deus” ou que “Ele escreve certo por linhas tortas”. As pessoas que pensam assim, não só negam sua competência para o sucesso como sua responsabilidade pelo fracasso. Além disso transferem para Deus, a responsabilidade pela condução de suas vidas. Mas é muito provável que Deus não leve muito a sério esta história de destino – se o fizesse, não concordaria com o livre-arbítrio. As Igrejas que o representam neste lado do Universo, estimulam a responsabilidade do crente na escolha do seu caminho. A Igreja Católica, há algum tempo, divulgou pela mídia, uma mensagem que era mais ou menos assim: “Deus ajuda, mas só ajuda. Você tem que arregaçar as mangas e trabalhar”.

A SOLUÇÃO MÁGICA

Existem também, dentro desta mesma forma de interpretar os eventos da vida, as pessoas que se encantam com as histórias daqueles grandes vultos – principalmente do mundo artístico – que casualmente, fruto de um encontro inesperado, ficaram face-a-face com o sucesso e se tornaram estrelas de primeira grandeza no mundo dos seres bem sucedidos. Aquela artista que nem sabia que era artista, que nada conhecia sobre artes cênicas, que nem gostava de teatro, num certo dia casualmente tem um encontro e descobre toda a sua real vocação. E então, como que por milagre, da noite para o dia é colocada sob as luzes da ribalta e vive seu fulgurante sucesso. Estas crenças subentendem, além de uma monumental sorte, uma competência inata, latente e pronta para despertar
tão logo surja a oportunidade. Pessoas que acreditam em tais histórias, tendem a tomar a exceção como regra e a destacar apenas o sucesso do personagem, sem levar em conta todo o caminho que teve que trilhar para chegar ao topo. Não percebem que este caminho é difícil e exige persistência, vontade de vencer e alta resistência à frustração. Queriam ter a sorte da grande pianista internacional que nasceu com a vocação musical. Regra geral esquecem que esta mesma pianista que nasceu vocacionada para a música, só alcançou o sucesso porque estudou com seriedade, aproveitou todas as oportunidades que surgiram e trabalhou duramente em seu piano, corrigindo erros e aprimorando qualidades.

OS “NATURALISTAS”

Existem também aqueles que acreditam que todos têm que ser naturais. Como alguém pode ser natural por obrigação? Isto não importa. O que interessa é que todos devemos ser completamente naturais. As coisas devem acontecer por si mesmas. Neste sentido, planejar sua vida profissional – como é a proposta deste trabalho – seria, no mínimo, obsceno. Planejamento é primo direto de um outro palavrão: racionalização (2). Para os “naturalistas”, racionalização é, basicamente uma força que impede a manifestação da verdadeira natureza humana. Seu lema pode ser assim resumido “Seja natural. Viva seus impulsos com espontaneidade. Não permita que a razão o (a) impeça de viver a verdadeira vida. Não planeja nada. Deixe a vida fluir”. Essas pessoas não podem compreender (porque talvez “sofram” de algo semelhante ao que Galbraith chama de crenças convenientes) que o uso da razão se, por um lado, pode bloquear o fluir de certos impulsos naturais, é por outro, um recurso conveniente e eminentemente humano que tem, entre outras, a função de criar condições para que as emoções se manifestem em sua plenitude.

A COMPETÊNCIA

Para outros, a condição necessária e suficiente para que alguém alcance sucesso profissional, é, acima de qualquer outra, a competência. Embora este atributo seja um dos requisitos fundamentais para aqueles que pretendem ser bem sucedidos em suas profissões, a experiência tem demonstrado que, mesmo sendo a competência condição necessária, não é suficiente. São muitos os elementos definidores do
sucesso. Conhecemos alguns: conhecimento geral e especial, senso de oportunidade, decisão, persistência, planejamento, aprimoramento nas relações interpessoais e se tivermos sorte, um pouco de sorte.
Todas estas características têm pouca utilidade se o indivíduo não souber usa-las com adequação. Um plano bem feito e bem executado é uma ajuda inestimável para o sucesso. Sem um bom plano é mais provável que o candidato dê muitas voltas desnecessárias e perca muito tempo até descobrir que, na melhor das hipóteses, apenas marcou passo.

O PLANEJAMENTO

Este planejamento é uma compilação de outros já existentes e foi adaptado para o profissional do campo da Psicologia. Embora nada de novo apresente, pode se constituir num conveniente instrumento de ajuda para os que querem ter sucesso profissional por esforço próprio. O PIC é um plano que visa o estabelecimento dos passos a serem dados para alcançar um objetivo profissional previamente determinado. Um planejamento de carreira compõem-se, basicamente, de duas partes: (1) o estabelecimento do objetivo(s) – claramente definido(s) – a ser(em) alcançado(s) e (2) as operações que devem ser realizadas para que a meta seja atingida. Antes de iniciar seu plano, é importante que você tenha um bom conhecimento sobre você mesmo e sobre as características do seu campo profissional. As questões abaixo podem ajudá-lo:

1) Que motivos levaram você a escolher a psicologia como sua futura profissão? Observação: Por favor, não responda: “Meu desejo de ajudar aos outros”. Ninguém escolhe uma profissão, seja ela qual for, por qualquer motivo que não esteja voltado para sua própria sobrevivência e/ou satisfação. Escolhemos uma profissão porque gostamos de fazer o que ela oferece; porque com ela poderemos ganhar mais dinheiro; para aumentar ou criar nosso status social, etc. Se você respondesse: “Sinto-me bem quando ajudo aos outros” ou “A psicologia vai me permitir ajudar aos outros e isto me fará sentir uma pessoa importante”, provavelmente estaria sendo mais coerente e “verdadeiro” com relação a você mesmo.

2) Após formado (a) qual a especialização que você pretende desenvolver? Porque?

3) Após formado (a), que objetivo ou objetivos você pretende alcançar? Indique, aproximadamente, dentro de quanto tempo?

4) Você acredita que já possui as condições necessárias?

5) Se ainda não as possui, acredita que possui meios para desenvolvê-las?

6) Para atingir seus objetivos, que dificuldades você acredita que poderá encontrar? Neste caso, o que poderá fazer para superá-las? Após responder a estas questões, você provavelmente estará apto para iniciar seu Plano. Seguem-se algumas recomendações que poderão ajudá-lo nesta tarefa:

a) Estabeleça seu(s) objetivo(s) e o(s) prazo(s) que supõe necessitar para atingi-lo(s). Por exemplo: “Dentro de cinco anos quero estar dirigindo Setor de Relações Humanas da empresa X”. ou “Dentro de
três anos quero estar realizando meu mestrado em psicologia clínica”.

b) Esteja certo(a) de que o prazo que você estabeleceu é adequado: nem muito longo nem muito curto.

c) Certifique-se de que, estando devidamente preparado(a), você poderá ocupar a função desejada, isto é, certifique-se de que não existirão barreiras extra-profissionais que possam tornar impossível ou
muito difícil atingir sua meta. Por exemplo, você terá que avaliar o esforço que deve despender para tentar chegar a chefe ou gerente numa instituição que é dirigida por um grupo familiar que somente permite aos
seus familiares o acesso a posições-chave ou, sendo você do sexo masculino, aspirar o posto de Gerente de Recursos Humanos, numa empresa onde este nível de gerência é vetado aos homens.

d) Estabeleça níveis intermediários e prazos para atingir cada um dos seus objetivos. Por exemplo: trabalhar durante x anos em tal equipe multi-profissional com o objetivo de adquirir a experiência que lhe
permita montar seu próprio serviço de atendimento psicológico ou tanto tempo para fazer os cursos de especialização que lhe darão o necessário respaldo teórico para ocupar tal ou qual função. Esteja certo(a) de que dispõe de tempo, competência e condições materiais para alcançar tais objetivos.

e) É um bom procedimento procurar pessoas confiáveis que possam auxiliá-lo(a) a determinar, se seu plano é realmente exeqüível. Você estará se super ou subestimando?

f) Adquira competência instrumental para facilitar o atingimento de suas metas. Duas sugestões:
A especialidade pretendida está publicada predominantemente em idioma estrangeiro que lhe é desconhecido, coloque como uma de suas metas importantes, o estudo daquela língua. Atualmente o inglês é a “língua universal”. E é sabido que são suficientes apenas 600 horas para que
você domine este idioma. Hoje a Internet é uma das maiores fontes de informação disponível no mundo. Saber usá-la é condição indispensável para o seu aprimoramento.

g) Escolha um profissional competente que possa auxiliá-lo(a) na definição de objetivos e na escolha de leituras, cursos de especialização, estágios, etc. Esteja certo de que esta ajuda não está sendo influenciada por outros fatores que não a competência, experiência e seriedade do profissional.

h) Se você ainda não possui um grupo de estudo, organize um. Um grupo com objetivos, recursos, motivações semelhantes, é uma ajuda inestimável no planejamento e execução de seus objetivos profissionais.

i) Esteja atento para identificar suas deficiências profissionais e elimine-as logo que possível.

j) Sempre que possível amplie seus conhecimentos para além dos limites da psicologia. Dificilmente alguém pode atingir proficiência ficando apenas nos limites de sua especialização.

k) Esteja aberto (a) às críticas; disponha-se a mudar toda vez que essas críticas sinalizarem a necessidade de revisões e mudanças.

l) Esteja alerta para atualizar seu Plano toda vez que o surgimento de novas condições possam influenciar sua concretização. Um dos motivos mais comuns de fracasso é deixar de reformular nossos objetivos mesmo
quando eles se tornam inexeqüíveis face a novas informações ou a mudanças contextuais.
Finalmente, para atingir o sucesso profissional é indispensável – e parece que todos concordamos – que cada um tenha um Plano. Pode ser um Plano com este ou maior, menor, melhor, escrito, pensado, diferente.
Isto não importa. Importa que você o elabore e siga. Também é importante ressaltar que seja lá qual for o plano você escolher, não lhe será útil se for um plano que determine em todas as situações e rigidamente tudo o que se deve fazer. Sugeri que você tivesse um plano para servi-lo e não
um plano ao qual você deva servir.

Notas:
(1) Não sei se este tipo de sorte existe. Mas vou supor que sim e vou chamá-la de oportunidade. E neste sentido, quando a oportunidade chegar, é importante que utilizemos a nossa competência para garantir que “a
sorte” não nos abandone. (2) A expressão não é aqui considerada como na psicanálise: “processo
segundo o qual o indivíduo utiliza uma explicação coerente do ponto de vista da lógica, para justificar e ocultar determinada motivação”. É utilizada como é definida nos dicionários: “tornar racional, reflexivo; utilização do raciocínio”.

Psicólogo Luiz Fernando Teixeira Dantas

Fonte: http://www.existencialismo.org.br/




“QI” já não pesa tanto na contratação de professores

20 05 2008

Universidades avaliam didática em sala e fazem até aula teste

Há uma mudança nas práticas de contratação de professores. Quesitos como didática e desenvoltura em sala de aula passaram a somar mais pontos do que a simples titulação ou a indicação de nomes por colegas. Na esperança de melhorar seu corpo docente algumas IES (Instituições de Ensino Superior) têm ido além do que faziam e passaram a aplicar métodos mais complexos de seleção de professores. Para diferenciar quem tem ou não essas “competências” algumas instituições inovam e chegam até a aplicar aula teste.

A principal razão da mudança é a preocupação com a didática pedagógica utilizada em classe. Foi sob essa óptica que a FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo) procurou fazer alterações no cronograma de contratação de seus professores. Desde 2006, a instituição aplica um método diferenciado para escolher os seus futuros docentes. Segundo a secretária-geral da diretoria executiva da instituição, Ana Flávia de Faria Guimarães, o corpo docente da FESPSP era composto por mestres e doutores de excelência, mas a escola sentia necessidade de que eles fossem mais didáticos em sala de aula. Para atingir este objetivo foi preciso tornar mais amplo o processo de seleção dos professores e mais transparente de forma que a indicação, muito utilizada para selecionar candidatos às entrevistas, não fosse fonte única para a escolha dos nomes.

Ana Flávia conta que, a partir desta idéia, a universidade criou um banco de currículos, o que ampliou o leque de profissionais a serem escolhidos, mas ainda faltava melhorar o processo de seleção dos docentes. “Essas percepções nortearam a instituição a criar a metodologia de seleção de professores desde o recebimento dos currículos até uma avaliação precisa da capacidade do candidato em se expressar em sala e repassar o conteúdo de forma eficaz aos alunos”.

Assim que se inscrevem no site da FESPSP os candidatos recebem uma lista de livros que compõe a bibliografia básica considerada fundamental pela instituição, além de informações sobre os objetivos e a missão da universidade. Para Ana Flávia, isso deixa claro ao candidato o que a instituição espera e irá cobrar quando este fizer parte do corpo docente. O coordenador de cada curso é quem dá o segundo passo e seleciona os currículos dos candidatos que mais estejam alinhados à oportunidade. “Nesta etapa, são levados em conta o tempo de magistério, se o professor deu aula no Ensino Médio – quesito bem avaliado porque exige do professor excelente didática – e experiências alheias específicas do ponto de vista pedagógico”, explica ela.

A terceira etapa consiste em avaliar se aquilo que foi observado no currículo funciona na prática. Por isso, a instituição cria uma banca avaliadora que pode ter seis professores ou mais a qual o candidato submeterá uma aula teste de aproximadamente 30 minutos. Fazem parte da banca não só professores da mesma disciplina, como de disciplinas complementares. “Nessa avaliação temos um formulário de observação em que fazemos anotação de desempenho, consideramos tanto questões didático-pedagógicas, como de conteúdo”, conta Ana Flávia.

É curioso que, mesmo sendo uma aula teste, o professor pode interromper e convidar os “alunos” a participar. “Se este for seu método para tornar sua aula mais atraente, nós o deixamos livre para agir. Só não aceitamos o uso de recursos tecnológicos, já que a finalidade aqui é avaliar a desenvoltura do professor em classe”, explica a secretária-geral. Depois de tudo isso, se o professor agradar a comissão, aí sim, é convidado para uma entrevista. Em geral, seguem para esta etapa entre três ou cinco candidatos por vaga. “A entrevista servirá para averiguar o interesse do candidato e sua disponibilidade em trabalhar na instituição. Depois de alguns anos com este novo modelo, posso dizer que ele é um sucesso”.

A preocupação com a didática dos professores em sala de aula também motivou a Faculdade Morais Junior – Mackenzie Rio a adotar um modelo diferenciado de seleção de docentes. Segundo o diretor da faculdade, Cesar Vargas, há quatro anos, quando o método foi implantado, a universidade contava com um corpo docente altamente qualificado em termos de titulação, mas a didática em sala de aula apresentava agluns problemas. “Daí a necessidade de implantar um novo método de seleção em que a titulação contasse pontos, até porque é uma exigência do Ministério da Educação, mas que fosse somada a outros critérios para trazer professores mais completos e preparados para a faculdade”, explica.

No início, a idéia sofreu resistência. Para Vargas, fruto do tradicional medo do ser humano em relação a mudanças. Com o tempo, porém, e os bons resultados obtidos, ele afirma que o método está consolidado. “Hoje, já contratamos mais ou menos 30 docentes pelo novo método, sendo que cerca de 100 foram submetidos ao novo processo de seleção. Todos eles se cadastraram no banco de currículos, passaram por análise do coordenador do curso, entrevista e aula teste. Esta última, com nota mínima a ser atingida. Portanto, etapa excludente do processo de seleção. Posso dizer que depois de termos implantado essa nova metodologia os problemas com a didática pedagógica em sala de aula acabaram”, garante ele.

Didática versus experiência profissional do professor

Além da titulação individual dos professores, algumas universidades que oferecem graduações voltadas ao mercado profissional fazem questão de levar em conta as experiências de mercado dos docentes. É o caso da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing). Lá, são valorizados professores com bagagem profissional extensa e que tenham experiências bem-sucedidas em sua trajetória. É um engano, porém, acreditar que apenas a experiência profissional é levada em conta na escolha do professor. Na ESPM, assim como para docentes de disciplinas de perfil acadêmico, a didática pedagógica também pesa na avaliação e seleção.

O processo seletivo da ESPM é similar ao das outras universidades já citadas. Como na instituição do Rio de Janeiro, a aula teste é a última fase do processo seletivo. Segundo a coordenadora da área de pessoal da pós-graduação da ESPM e da academia de professores da universidade, Célia Marcondes Ferraz, a aula teste fica para o final como ‘prova de fogo’ para os professores que já demonstraram a que vieram e que realmente têm o perfil alinhado ao da instituição. “A aula teste é a última etapa em que observamos a conduta do professor em sala de aula. No entanto, ainda que ele apresente um bom rendimento, antes de ser incorporado ao corpo docente, ele passa por um período de adaptação na Academia de Professores”, explica a coordenadora.

A Academia de Professores é um centro de apoio docente criado para treinar os recém-chegados a ESPM, bem como, oferecer aprimoramento profissional aos professores que já fazem parte do corpo docente da instituição. Na opinião de Célia, ela é importante não só para trazer o professor para a realidade da instituição, como para manter um padrão de qualidade no ensino que atinja os objetivos da universidade para com seus alunos. “O primeiro módulo da Academia é sobre didática. Partimos do pressuposto que a aula, para ser produtiva, depende da maneira como o professor transmite o conhecimento. A vivência do professor e a maneira como ele conduz a aula fazem toda a diferença.”

Por essa razão, na academia de professores, os docentes são treinados para possibilitar aos alunos quatro momentos: o de vivência, quando o professor expõe um tema e como ele foi trabalhado; o de crítica, em que os alunos verificam a aplicabilidade do que aprendem; a experiência prática, ou seja, a aplicação dos conceitos em exercícios práticos; e o momento é o de ação, em que o aluno, de posse destes conhecimentos, se dirige ao trabalho, faz diagnóstico em empresas e sugere mudanças. “Para conseguir tudo isso, é preciso que o professor tenha uma formação específica neste tipo de didática. É muito fácil para alguém que domina um determinado assunto discorrer sobre um tema ou fazer uma palestra. Agora, é diferente você passar estes conhecimentos para alunos de forma que eles o compreendam e possam aplicá-los”, explica Célia.

Acompanhamento constante

Para os três representantes das universidades citadas, o acompanhamento dos professores é fundamental para o sucesso de um projeto pedagógico. “Não basta mudar a conduta da universidade na seleção, mas oferecer treinamento e acompanhamento para que os professores sintam-se amparados quando tiverem dúvidas. Ao mesmo tempo, isso serve de estímulo para que eles tenham a vontade constante de melhorar seus resultados”, diz Ana Flávia.

Na FESPSP, o GAP (Grupo Acadêmico Pedagógico) é responsável por oferecer apoio aos professores da instituição. O intuito é dialogar muito com os docentes para que eles encontrem no GAP não só uma central de formação, mas de colaboração. “Fora isso, também propomos uma avaliação por parte do coordenador do curso e dos alunos. O objetivo não é criticar o professor, mas direcionar seu aprimoramento. Claro que a avaliação sempre encontra resistências, mas nosso papel como apoiadores pedagógicos é o de justamente avaliar o desempenho do professor, onde ele precisa melhorar e onde ele já é excelente”, explica Ana Flávia.

Os alunos da Faculdade Morais Junior – Mackenzie Rio fazem uma avaliação semestral dos professores, a fim de contar para a universidade de que forma o desempenho dos docentes tem impactado no seu aprendizado. Além disso, o coordenador também promove uma avaliação. “Procuramos fazer uma avaliação semestral dos professores em que o coordenador desempenha um papel fundamental de acompanhar as ações dos docentes e discutir seus resultados”, explica Vargas.

Já na ESPM, o coordenador do curso, além de dar feedback sobre o trabalho dos docentes, tem outro papel fundamental. Segundo Célia, seu trabalho é mais ou menos como o de um coaching. “O coordenador ajuda o professor a ver o que não funcionou em sala de aula. Ele apóia o professor ao passo que sugere alternativas para vencer dificuldades e propor novos conhecimentos,” diz.

Via: Universia

Fonte: http://vidauniversitaria.com.br/blog/?p=11343





Veja qual é o limite da relação entre professor e aluno

24 10 2007

Intimidade com o professor pode não ensinar nada, além de magoar

Publicado em 17/10/2007 - 12:30

Do Universia

Ao ingressar na universidade, alunos vindos do ensino médio logo percebem que as relações com seus novos professores será drasticamente diferente daquela vivida na escola. Entre sisudos e descolados, mais jovens ou mais velhos, espirituosos ou carrancudos, cada professor tem seu jeito de ensinar e interagir com seus alunos. Além disso, essa abordagem é afetada pelo próprio ambiente universitário, mais independente e onde os mestres não se preocuparão em tutelar seus pupilos da mesma forma que acontece no ensino médio. Nesse sentido, os professores podem parecer mais liberais e acessíveis ou mesmo dispostos a conversar sobre assuntos comuns com seus alunos e até acompanhá-los em ambientes sociais fora da classe. Nesse momento é que há uma dúvida: Até que ponto pode ir essa relação?

De acordo com duas especialistas nessa matéria, existe um certo limite na relação pessoal entre professores e alunos para não colocar em risco o objetivo primário dessa relação: o aprendizado. Claro que um ambiente mais descontraído, com um líder que sabe ouvir, ceder espaços e identificar dificuldades, tende a ser um lugar mais agradável para o estudo. Quando esse estágio é alcançado, há uma relação considerada por muitos como ideal e que contribui para todos: alunos e professores. Será que seu relacionamento com o professor e o dele com você é o ideal?

A professora de Psicologia da Unip (Universidade Paulista), Elizete Lupo, fala sobre a importância da ética na vida do professor. “Ter uma relação amigável é muito bom, ter uma relação de amigos não”, adverte ela. Elizete é taxativa ao falar sobre a ética necessária para equilibrar essa relação. “Quem não entende as diferenças disso e se envolve com alunos, seja por uma amizade, uma paixão, ou qualquer outro motivo, falta com a ética”, dispara ela.

Segundo Elizete, por causa dessa maior proximidade, alguns alunos podem criar uma paixão por professores. Muitas histórias assim acabam por temperar as conversas de corredor. Há que já tenha até sido protagonista de um sonho de amor com aquele ou aquela que te ensina, mostra experiência, serenidade e compreensão. Nesse caso, Elizete é enfática e não concorda com a permanência do suposto apaixonado ou apaixonada na mesma sala de aula que o amado. “Enquanto um for aluno e o outro professor, jamais o profissional pode se deixar levar por isso. A direção da escola ou faculdade tem que ser avisada e os dois devem ser separados de sala”, aconselha.

Para a pedagoga graduada pela Universidade Santa Úrsula, do Rio de Janeiro, Sílvia Amaral de Mello Pinto, o limite ideal é um convívio praticamente profissional. “Quando você tem pontos em comum, a relação fica mais íntima. E nisso o professor pode tirar proveito para fazer o aluno se interessar mais no assunto, e não nele. Ouvir, conversar, dar risadas é uma coisa, levar um aluno para sua casa é completamente diferente”, alerta ela.

Sílvia fala ainda sobre amizade e como ela pode influenciar o comportamento das pessoas e destruir os processos de avaliação. “Não quero ver quem gosto passar por uma dificuldade. Vou ajudar a sair dessa dificuldade. Alguém gostaria de ver um amigo reprovado, ter notas ruins e não poder fazer nada para ajudá-lo? É claro que não, e por isso não se pode misturar essas funções”, declara Sílvia. Para ela, a relação entre aluno e professor deve ter uma dose sutil de intimidade. “O professor deve sim ser cortês, acessível e ter um olhar afetivo para com o aluno. Isso não quer dizer que necessariamente uma amizade seja necessária, pois isso é algo muito mais profundo”, recomenda.

Para Sílvia, ser amigo de um aluno é correr o risco de perder algo primordial para um professor: a autoridade. “Nesse caso, o ambiente fica prejudicado. Um bom professor é democrático, motivador, mas não deixa de ser um líder. Se essa liderança for abalada por amizade, é sinal de que o limite foi ultrapassado”, alerta. Já Elizete acrescenta. “Ser sociável, agradável e atencioso é muito bom, mas também é preciso ser cuidadoso, pois essas características podem parecer sedutoras para os alunos, que perdem o respeito pela imagem do professor”, adverte ela.

Como não ser

Se por um lado a cordialidade pode gerar relações tortuosas, Sílvia diz que o contrário também não é a solução. Ou seja, ser um professor carrasco não ajuda em nada e pode criar problemas sem solução para o aluno. Ela trabalha numa clínica que atende casos como esse, de alunos que tem mau desempenho escolar por problemas supostamente psicológicos. “Muitas vezes o estudante nos diz que tem dificuldade e não consegue se expressar quanto a isso pela falta de espaço e de diálogo com professores”. Ela diz que profissionais que agem dessa maneira podem criar até deficiências irreparáveis na saúde e no aprendizado dos alunos.

Elizete concorda e dá a receita. “Não se pode pensar como há alguns anos, que o professor é um chefe, que te diz as regras, você obedece, acata e não discute com medo de alguma repressão. É preciso ouvir e identificar dificuldades dos alunos e para isso não é preciso se apaixonar e nem seduzir, basta ser profissional, ou seja, explicar, fazer-se entender, tirar dúvidas e dar auxílio”, finaliza.