Esse e um, Mar Português (Fernando Pessoa)

17 08 2009

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, Ó mar!
Valeu a pena? TUDO VALE A PENA
SE A ALMA NÃO É PEQUENA.
QUEM QUER PASSAR ALÉM DO BOJADOR
TEM QUE PASSAR ALÉM DA DOR.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.





Rudyard Kipling – If

17 08 2009

If
If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you;
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or, being lied about, don’t deal in lies,
Or, being hated, don’t give way to hating,
And yet don’t look too good, nor talk too wise;
If you can dream – and not make dreams your master;
If you can think – and not make thoughts your aim;
If you can meet with triumph and disaster
And treat those two imposters just the same;
If you can bear to hear the truth you’ve spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to broken,
And stoop and build ‘em up with wornout tools;

If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: “Hold on”;

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings – nor lose the common touch;
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds’ worth of distance run -
Yours is the Earth and everything that’s in it,
And – which is more – you’ll be a Man my son!





ROSEBUD (O Verbo e a Verba) – Lenine / Lula Queiroga

1 07 2009

Enquanto estou atolado na minha dissertação, nossa amiga Shn Nicoliche manda mais uma de suas maravilhosas dicas de música…

ROSEBUD (O Verbo e a Verba)

Composição: Lenine / Lula Queiroga

Dolores, dólares…

O verbo saiu com os amigos
pra bater um papo na esquina,
A verba pagava as despesas,
porque ela era tudo o que ele tinha.
O verbo não soube explicar depois,
porque foi que a verba sumiu.
Nos braços de outras palavras
o verbo afogou sua mágoa, e dormiu.

Dolores e dólares…. rosebud

O verbo gastou saliva,
de tanto falar pro nada.
A verba era fria e calada,
mas ele sabia, lhe dava valor.
O verbo tentou se matar em silêncio,
e depois quando a verba chegou,
era tarde demais
o cádaver jazia,
a verba caiu aos seus pés a chorar
lágrimas de hipocrisia.

rosebud, dolores e dolares…





Cópias da amiga Carol

3 06 2009

Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

“[...] Ah, o deus das fadas fica tão triste se a gente deixa
De ver o pôr do sol!
A linha vermelha, puxa uma carruagem cheia de estrelas,
Onde está a deusas dos sonhos e seu pó mágico,
Que faz a gente sonhar coisas lindas…
Quando vocês estiverem tristes, pensem em coisas lindas:
Balas, travessuras, carinho, carrinho, beijo de mãe,
Brincadeira de queimado, árvore de natal,
Árvore de jabuticaba, céu amarelo, bolas azuis,
Risadas, colo de pai, história de avó…
Quando vocês forem grandes e acharem que a vida não é linda
Pensem em coisas lindas.
Mas pensem com força, com muita força,
Porque aí o céu vai ficar cheio de vacas gordas amarelas,
Cachorro bonzinho, bruxa simpática,
Sorvete de chocolate, caramelos e amigos! [...]“

Domingo, 12 de Abril de 2009

Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.

Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.

Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo – esperança!
- Vê que nem sequer sonho – amor!

Cecília Meireles

Terça-feira, 7 de Abril de 2009

Que a mulher que eu amo
seja pra sempre amada
mesmo que distanteporque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade

(Oswaldo Montenegro)

Domingo, 29 de Março de 2009

“Nada é permanente, exceto as mudanças.”

Heráclito





Aja duas vezes antes de pensar

17 05 2009

Bom Conselho

Chico Buarque

Composição: Chico Buarque

Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança

Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar

Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade





Destruição

21 04 2009

Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se vêem.
Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.

Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.

Nada. Ninguém. Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.

E eles quedam mordidos para sempre.
deixaram de existir, mas o existido
continua a doer eternamente.

Carlos Drummond de Andrade





16 01 2009

Eu sonho tanto, tonto, esqueço.

O amor enquanto, tempo, preço.

Não peço

Não perco mais.

Um beijo perto, desço, encanto.

Enquanto estiver solto, mecho e ao certo

Quero te reencontrar, nesses pedaços, laços, pelo ar…

Essa força que meu corpo não possui, mais

Que te possuía inteira, solteira, que se esvai

Nem respiro aos poucos, porque loucos, sufocam, ofegam

Nos seus abraços, perfumes, negros

De uma noite que passou, de uma luz que incendiou seus vestidos

De sua pele primeira, de um sorriso que beira, seus lábios, sábios

E sem voz.

E sem-vergonha….

Ainda sonha, tanto, tonto, mas agora lembro…

Era você. E amei.

Cristian Stassun 16/01/2009





Mentiras Falsas – Composição: Paulinho Moska

10 01 2009

Ninguém conseguia acreditar
quando eu me apaixonei pela dor
Mas ela me esperava na esquina,
e usava seu vestido de amor
Tinha uma beleza infinita…
até pensei que era feliz
Mas ao provar da sua bebida
meus olhos viraram chafariz

A Verdade também dói
Mentiras falsas me destróem

Eu aquecia nosso inverno
falando de futuros verões
Ela me dizia : “Eterno”
é sinônimo de “Ilusões”
Nada que eu fizesse seria
um atalho para fugir
Pra onde ela quisesse eu ia,
até pra mim eu comecei a mentir
(porque)

A Verdade também dói
Mentiras falsas me destróem

Hoje ela nem lembra de nada
da história que inventou para mim
E quando me encontrar pela estrada
vai fingir que nunca me viu,
até o fim.
Ao lado dela um novo otário
que pensa estar no topo do mundo
Não sabe que no final do páreo
o prêmio é esse poço profundo.

A Verdade também dói
Mentiras falsas me destróem

Como eu disse, só para dividir um pouco as coisas que ouço por aí…..

Sheila Nicoliche





Rê-spiração

21 12 2008

Tenho uma história para ser contada desse jeito
Uma cicatriz antiga nos meus lábios
Escrita por você
Foi por que uma vez silenciei meu rosto no seu peito
De uma verdade que foi arrancada do êrro
De uma vontade mal medida pelo mêdo
De um lugar que pensava ser meu lar, você
Foi feito dos dias, anos
Da atração, enganos
Para nos dar a paisagem que é, agora…
Uma distância maior que meus dedos.

Cristian Stassun – 21 dezembro de 2008





Uma poeta…

27 11 2008

“…às vezes vem uma vontade de ser só….
desejos da carne se misturam com desejos da alma…”

Um dia um amigo me disse: Não sei como alguém consegue viver ao seu lado.

Dei a ele vários exemplos de pessoas que estiveram comigo e não queriam se separar de mim….precisava provar a ele que eu não era tão difícil assim.

Ele disse: O problema é que vc tem “encantamento”, vc encanta as pessoas e elas não percebem que na verdade não se trata de amor….é só “encantamento”.

Não sei se ele tem razão, mas se for verdade, gostaria muito de saber usar esse “encantamento” comigo mesma.

Colaboradora: Sheila nicoliche





Quase

27 11 2008

Um pouco mais de sol – eu era brasa,
Um pouco mais de azul – eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa…
Se ao menos eu permanecesse aquém…
Assombro ou paz?  Em vão… Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho – ó dor! – quase vivido…
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim – quase a expansão…
Mas na minh’alma tudo se derrama…
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo … e tudo errou…
- Ai a dor de ser – quase, dor sem fim…
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se enlaçou mas não voou…
Momentos de alma que, desbaratei…
Templos aonde nunca pus um altar…
Rios que perdi sem os levar ao mar…
Ânsias que foram mas que não fixei…
Se me vagueio, encontro só indícios…
Ogivas para o sol – vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios…
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí…
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi…
Um pouco mais de sol – e fora brasa,
Um pouco mais de azul – e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa…
Se ao menos eu permanecesse aquém…


Mário de Sá Carneiro

Colaboradora do BLOG: Sheila nicoliche





Texto: “Do Amor”

22 11 2008
Não falo do amor romântico,
Aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento.
Relações de dependência e submissão, paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com amor.
Chamam de amor esse querer escravo,
E pensam que o amor é alguma coisa
Que pode ser definida, explicada, entendida, julgada.
Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro,
Antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta.
A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor nos domine?
Minha resposta? o amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores,
O amor será sempre o desconhecido,
A força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.
O amor quer ser interferido, quer ser violado,
Quer ser transformado a cada instante.
A vida do amor depende dessa interferência.
A morte do amor é quando, diante do seu labirinto,
Decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos,
E nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o amor não podemos castrá-lo.
O amor não é orgânico.
Não é meu coração que sente o amor.
É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve.
O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha
E nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu
Como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha. como uma aurora colorida e misteriosa,
Como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,
O amor grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio
Porque somos o alimento preferido do amor,
Se estivermos também a devorá-lo.
O amor, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,
Me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o amor a navega.
Morrer de amor é a substância de que a vida é feita.
Ou melhor, só se vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.
(Moska)
Texto mandado pela Colaboradora: Sheila Nicoliche




Chico Buarque Vivo, Mas Eterno!

13 11 2008

Quero ficar no teu corpo feito tatuagem

Que é pra te dar coragem

Pra seguir viagem

Quando a noite vem

E também pra me perpetuar em tua escrava

Que você pega, esfrega, nega

Mas não lava

Chico Buarque

“… Amando noites afora

Fazendo a cama sobre os jornais

Um pouco jogados fora

Um pouco sábios demais

Esparramados no mundo

Molhamos o mundo com delícias

As nossas peles retintas

De notícias…”

Chico Buarque

Mesmo em sonho estive atento para poder lembrar-te sempre

chico Buarque

Quem me vê sempre parado, distante

Garante que eu não sei sambar

Tou me guardando pra quando o carnaval chegar

Chico Buarque

Eu semeio vento na minha cidade,

Vou pra rua e bebo a tempestade.

…e pela minha lei, a gente era obrigada a ser feliz.

Chico Buarque

Ai, que saudades que eu tenho

Dos meus doze anos

Que saudade ingrata

Dar banda por aí

Fazendo grandes planos

E chutando lata

Trocando figurinha

Matando passarinho

Colecionando minhoca

Jogando muito botão

Rodopiando pião

Fazendo troca-troca

Ai, que saudades que eu tenho

Duma travessura

Um futebol de rua

Sair pulando muro

Olhando fechadura

E vendo mulher nua

Comendo fruta no pé

Chupando picolé

Pé-de-moleque, paçoca

E disputando troféu

Guerra de pipa no céu

Concurso de pipoca

Chico Buarque





9 11 2008

“Olho em redor do bar em que escrevo estas linhas.
Aquele homem ali no balcão, caninha após caninha, nem desconfia que se acha conosco desde o início das eras.
Pensa que está somente afogando problemas dele, João Silva… Ele está é bebendo a milenar inquietação do mundo!”

MÁRIO QUINTANA





Que venham as tempestades

16 09 2008

Maria Quitéria

Dos meus olhos elas caíram

misturando-se aos gozos de antes

quando, secretos amantes,

eles tanto nos fluíram.

Os vendavais do sentimento

ainda escorrem-me pelas coxas,

nas intrincadas marcas roxas,

que minhas unhas cunham sem alento.

Toque-me como antes, como outrora

faça dos ventos os mesmos furacões

que me trouxeram ao útero uma aurora

surgida na manhã com o sol dos tesões.

Tome de mim as chuvas derramadas

com teu nome entre dedos

passados nas carnes fervilhadas

dos espasmos enevoados dos segredos.

Chova em mim a mesma loa pungente,

cantando aquela única canção

que me embalava horas de tesão

fazendo, de mim, uma enchente…