3 05 2008
Somos donos de nossos atos,
mas não donos de nossos sentimentos;
Somos culpados pelo que fazemos,
mas não somos culpados pelo que sentimos;
Podemos prometer atos,
mas não podemos prometer sentimentos…
Atos sao pássaros engailoados,
sentimentos são passaros em vôo.
Mário Quintana




3 05 2008
Nunca diga “te amo” se não te interessa. Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem. Nunca toque numa vida se não pretende romper um coração. Nunca olhe nos olhos de alguém se não quiser vê-lo se derramar em lágrimas por causa de ti. A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você quando você não pretende fazer o mesmo.
Mário Quintana




3 05 2008
Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu…
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.

Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.

Mário Quintana




3 05 2008
CANÇÃO DO AMOR IMPREVISTO
Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoísta e mau.
E a minha poesia é um vício triste,
Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.
Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos…
E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender
nada, numa alegria atônita…
A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos.
Mario Quintana




3 05 2008
POEMINHA SENTIMENTAL
O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas…
De vez em quando chega uma
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.
Mario Quintana




3 05 2008
AMOR É SÍNTESE
Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu…
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.

Mário Quintana




3 05 2008
Quero, um dia, dizer às pessoas que nada foi em vão…
Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas, que a vida é bela sim e que eu sempre dei o melhor de mim…
e que valeu a pena.
Mário Quintana




3 05 2008
Amor não é se envolver com a pessoa perfeita,
aquela dos nossos sonhos.
Não existem príncipes nem princesas.
Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também de seus defeitos.
O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.
Mário Quintana




Mulheres traem por vingança e colocam culpa no parceiro, dizem especialistas

1 05 2008

Fonte: Globo On-line

Publicada em 24/04/2008 às 18h58m

Maria Vianna, especial para O Globo Online

Arquivo O Globo

RIO - Quando o assunto é traição, cada casal deve definir o que é permitido e o que é proibido no relacionamento. Afinal, se para alguns uma troca de olhares com alguém que não seja o parceiro já soa como um alerta, para outros, ‘escapulidas’ eventuais não significam que você esteja traindo seu par. Na última semana, leitores do Globo Online opinaram na enquete ‘Para você, o que caracteriza uma traição?’. Convidados para analisar as respostas, a antropóloga da Universidade Federal do Rio de Janeiro Mirian Goldenberg, autora de Infiel (ed. Record), e o psicólogo evolutivo Jorge Nogueira, especialista em ciúme, observaram que enquanto os homens se preocupam mais com a questão física, as mulheres não admitem a traição emocional. (Quer deixar sua opinião? Clique aqui!)

De acordo com dados do Projeto Sexualidade (Prosex), do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, cerca de 60% dos homens já foram infiéis em uma relação, assim como 40% das mulheres. As estatísticas batem com as da antropóloga Mirian Goldenberg, que conduziu uma pesquisa com quase dois mil cariocas e, desses, cerca de 60% dos homens e 47% das mulheres já haviam traído seus parceiros.

As mulheres querem ser as únicas, as mais especiais, insubstituíveis aos olhos do parceiro (Mirian Goldenberg)


- A traição se dá desde o pensamento de um desejo por uma outra pessoa, até o desrespeito pelo parceiro dentro de um relacionamento. É lamentável que muitos ainda não saibam dizer acabou, fim, sem antes experimentar o sabor da traição - opina a leitora Carla Valéria Marins da Rosa.

Já a leitora Michelle Araújo condena os envolvimentos amorosos, mas não considera os envolvimentos apenas sexuais como um problema. Para Valéria dos Santos Pinho e Eduardo Amaro Ayres, a traição é o equivalente a mentira. O leitor Pedro Curiango faz sua análise:

- Qualquer dicionário explica que traição é a ‘quebra de fidelidade prometida e empenhada ‘. Não creio que se possa realmente recuperar-se de uma traição. É como vidro: quebrou, está quebrado. Você continuaria confiando num sócio que lhe roubou? Sempre estará “com o pé atrás” com esta pessoa, ou, como dizem os mineiros, passará a ‘confiar desconfiando’, ou seja, viverá um inferno em vida. A traição, no caso amoroso, é o roubo daquela cumplicidade que existe entre parceiros.

Mulheres querem ser as únicas, diz antropóloga

Arquivo O Globo

Para Mirian Goldenberg, a diferença entre homens e mulheres na hora de julgar uma traição é que elas não toleram a idéia de não serem insubstituíveis. Já os homens conseguem separar melhor o sexo do amor e, por isso mesmo, acabam vendo a traição feminina como algo muito mais grave ao entenderem que, no caso delas, pode ter havido mais do que só sexo. Por outro lado, acabam relevando sua própria infidelidade.

- As mulheres querem ser as únicas, as mais especiais, insubstituíveis aos olhos do parceiro. Para elas, a traição dói justamente porque percebem que não são tudo isso que imaginaram. Hoje elas falam mais da traição e também traem mais, mas quando elas traem, costumam culpar o parceiro ou tomar esta atitude por vingança. As relações hoje são mais igualitárias: ou os dois traem, ou os dois são infiéis. Atualmente, vejo que os homens se sentem ameaçados porque, para terem um relacionamento bacana, precisam ser fiéis - acredita a antropóloga.

O psicólogo Jorge Nogueira concorda, lembrando que a mulher se incomoda muito mais com o fator “paixão” do que com a relação física.

A mulher tem medo de ver o parceiro apaixonado por outra. A traição, aos olhos femininos, vai sempre muito além do sexo (Jorge Nogueira)


- A mulher tem medo de ver o parceiro apaixonado por outra. A traição, aos olhos femininos, vai sempre muito além do sexo - avalia.

Traição pode ser novo ponto de partida

Nogueira enfatiza que, em qualquer relação, há a possibilidade de traição, e lembra que a infidelidade também pode ser um momento importante no relacionamento, principalmente se as coisas não vão bem entre o casal.

- A infidelidade pode ser o ponto de partida para o casal que decidiu ficar junto se conhecer melhor. É um bom momento para a pessoa pensar nas seguintes questões: quem sou eu? Que tipo de casal nós formamos? Que tipo de relação queremos ter? É claro que superar a raiva, a mágoa e a vontade de vingança não é fácil, mas é possível.





Os Homens não Sabem o que é o Amor

1 05 2008

De forma geral, os homens não sabem o que é amor, é um sentimento que lhes é totalmente estranho. Conhecem o desejo, o desejo sexual em estado bruto e a competição entre machos; e depois, muito mais tarde, já casados, chegam, chegavam antigamente, a sentir um certo reconhecimento pela companheira quando ela lhes tinha dado filhos, tinha mantido bem a casa e era boa cozinheira e boa amante - então chegavam a ter prazer por dormirem na mesma cama. Não era talvez o que as mulheres desejavam, talvez houvesse aí um mal-entendido, mas era um sentimento que podia ser muito forte - e mesmo quando eles sentiam uma excitação, aliás cada vez mais fraca, por esta ou aquela mulher, já não conseguiam literalmente viver sem a mulher e, se acontecia ela morrer, eles desatavam a beber e acabavam rapidamente, em geral uns meses bastavam. Os filhos, esses, representavam a transmissão de uma condição, de regras e de um património. Era evidentemente o que acontecia nas classes feudais, mas igualmente com os comerciantes, camponeses, artesãos, de forma geral com todos os grupos da sociedade. Hoje, nada disso existe.

As pessoas são assalariadas, locatárias, não têm nada para deixar aos filhos. Não têm nada para lhes ensinar, nem sequer sabem o que eles poderão vir a fazer; as regras que conheceram não serão de todo aplicáveis a eles, porque eles viverão num mundo completamente diferente. Aceitar a ideologia da mudança permanente significa aceitar que a vida de um homem está reduzida estritamente à sua existência individual e que as gerações passadas e futuras não têm, aos seus olhos, nenhuma importância.
É assim que nós vivemos, e ter um filho, hoje, para um homem, já não faz qualquer sentido. O caso das mulheres é diferente, porque elas continuam a sentir a necessidade de terem um ser que amem – o que não é, nem nunca foi, o caso dos homens. É um disparate acreditar que os homens também têm necessidade de acarinhar e de brincar com os filhos, de lhes fazer festinhas. Por mais que no-lo digam, é um disparate. Depois de nos termos divorciado e de o quadro familiar se ter desfeito, as relações com os filhos perdem o sentido. Um filho é uma armadilha que se fechou, é o inimigo que temos de continuar a manter e que vai acabar por nos enterrar.

Michel Houellebecq, in ‘As Partículas Elementares’





Quanto Mais se Ama Mais Fraco se É

1 05 2008

Nas relações amorosas o único sentimento que não funciona é o da piedade. Quando é o caso de que se devesse manifestar, o que surge não é a piedade mas o asco ou a irritação. Eis porque em relação alguma se é tão cruel. Todos os sentimentos têm o seu contraponto. Excluída a piedade, a crueldade não o tem. Por experiência se pode saber quanto se sofre quando não se é amado. Mas isso de nada vale quando se não ama quem nos ama: é-se de pedra e implacável. Decerto, tudo se pode pedir e obter. Excepto que nos amem, porque nenhum sentir depende da nossa vontade. Mas só no amor se é intolerante e cruel. Porque mostar amor a quem nos não ama rebaixa-nos a um nível de degradação. E a degradação só nos dá lástima e repulsa. A única possibilidade de se ser amado por quem nos não ama é parecer que se não ama. Então não se desce e assim o outro não sobe. E então, porque não sobe, ele tem menos apreço por si, ou seja, mais apreço pelo amante. O jogo do amor é um jogo de forças. Quanto mais se ama mais fraco se é. E em todas as situações a compaixão tem um limite. Abaixo de um certo grau a compaixão acaba e a repugnância começa. Assim, quanto mais se ama mais se baixa na escala para quem ao amor não corresponde.

Vergílio Ferreira, in ‘Conta-Corrente 3′





Dar não é fazer Amor…

4 04 2008

(Luiz Fernando Verissimo)Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca…
Te chama de nomes que eu não escreveria…
Não te vira com delicadeza…
Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar….
Sem querer apresentar pra mãe…
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral…
Te amolece o gingado…
Te molha o instinto.
Sentir aqueles odores do outro, os fluídos…
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de
amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar
ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te
abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar para os outros e se orgulhar, pra dar o
primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: “Qui que cê acha amor?”.
É não ter companhia garantida para viajar e falar besteiras…
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho… de conchinha.
É não ter alguém para ouvir seus dengos…
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você
flutuar.
Experimente ser amado…
Experimente ser cuidado…
Experimente estar com que topa tudo por você…
E tope tudo com ela…

“A vida é a arte de tirar conclusões suficientes de dados insuficientes”





‘Ficar’: Um Sintoma de Fragmentação do Amor

28 03 2008
 

Comportamento Por Valdeci Gonçalves da Silva Assinar feed do autor
valdecipsi@hotmail.com

“Em última análise, precisamos amar para não adoecer”(Sigmund Freud).

A pós-modernidade colocou valores, até então intocáveis, de ponta-cabeça. O futuro chegou, e, nessa reviravolta dos novos paradigmas estão os adolescentes, sujeitos em formação que, no seu exercício afetivo/sexual, não namoram, é coisa do passado!, “ficam”. “Ficar” termo ambíguo que é usado não no sentido de permanecer: “ficar namorando”, mas, de “estacionar”1. Ou seja, bem a maneira superficial e breve dos jovens atuais se “relacionar”. Mal se apresentam e logo já estão se “bicando”, movidos pelo frenesi de beijarem, indiscriminadamente, o maior número de bocas possível.

Após o Renascimento, o beijo deixou de ter função oficial e sagrada. Assim, beijar na boca, devido à conotação erótica, ficou reservado aos amantes. Baiser (beijar em francês) significa ofertar os lábios para o beijo ou o próprio ato sexual. Em geral, o beijo é uma demonstração de afeto, gesto simbólico de afirmação de vínculo com o outro2. É através do vínculo que toda personalidade se comunica, mas se a mesma está dissociada, tem duas pautas de conduta3. Enamorar tem o potencial para o amor, enquanto que “ficar” é pura estimulação da libido que encerra no descartável. Enamorar é uma das formas de manifestar a individualidade e de realizar a subjetividade, capaz de superar barreiras de classe social e de religião4.

A natureza erótica não ama sempre, e nem a todos, mas, na medida em que o faz integralmente, consuma o sentido da vida5. Porém, essa “onda” do beijo oportunista desqualifica o jovem enquanto pessoa. Portanto, não se trata apenas de uma questão de mudança, mas de analisar como se forjou essa praxe que dissocia conteúdos afetivos e sexuais de personalidades em construção6.

Paixão (passione - latim), força dentro da pessoa que a domina; (pathós - grego), experiência assustadora e misteriosa. O suposto sofrimento atribuído ao amor e a paixão, na verdade, decorre da sua falta, interdição ou unilateralidade. O amor, só tem sentido se recíproco; enquanto que a paixão rouba a vida e dá em troca um delírio7. A deturpação cultural dos afetos faz o homem pós-moderno “borboletear” nos sentimentos. O desejo amoroso não tem nada a ver com a bestialidade ou com problema etológico8, e o amor não se opõe à autonomia, do contrário, é preciso dispor de autonomia para amar9. Enfim, a paixão se caracteriza pelo exagero, entusiasmo e admiração sem limites pelo outro; enquanto que no amor mantém as referências, preserva limites e medidas da realidade10.

Na resistência para amar, faz-se o uso de mecanismos de sublimação ou manobras para combatê-lo. Amar é abrir-se ao destino, a mais sublime de todas as condições humanas, em que o medo se funde ao regozijo numa amálgama irreversível11. Uma vida de impulsos momentâneos, de ações de curto prazo, de fato, se reduz a uma existência sem sentido12.
Logo, consiste num contra-senso estimular o “ficar” como algo salutar à juventude. Tal postura incrementa o homem fragmentado13 e sem alma14 da atual sociedade depressiva15. Aceitar essa esquizoidia é, sem dúvida, perpetuar as formas de relacionamento íntimo, atualmente em voga, que portam máscaras de falsa felicidade, e, ao serem olhadas de perto se descobrem nervos em frangalhos, sofrimentos, medos, solidão, egoísmo e compulsão à repetição16.
Finalmente, a academia, ainda, estuda pouco o “fenômeno amoroso” que, devido a sua subjetividade, é visto enviesado, como uma questão menor ou sem relevância. A ideologia aversiva ao amor contempla esta era do vazio regida pelo imperativo do gozo17 e do mínimo eu18.

Campina Grande, maio de 2006

REFERÊNCIAS

1. MICHAELIS: Moderno dicionário da língua portuguesa. São Paulo : Melhoramentos, 1998.
2. Le BRETON, David. Ritos de intimidade. In: CAHEN, G.(Org.) O beijo : primeiras lições de amor - história, arte e erotismo. São Paulo : Mandarim, 1998.
3. PICHON-RIVIÈRE, Enrique. Teoria do vínculo. São Paulo : Martins Fontes, 1986.
4. ALBERONI, Francesco. Enamoramento e amor. Rio de Janeiro : Rocco, 1992.
5. SIMMEL, George. Filosofia do amor. 2a ed. São Paulo : Martins Fontes, 2001.
6. DUBY apud CATONNÉ, Jean-Philippe. A sexualidade, ontem e hoje. 2a ed. São Paulo : Cortez, 2001.
7. CONCHE, Marcel. A Análise do amor e outros temas. São Paulo : Martins Fontes, 1998.
8. GUATTARI, Félix e ROLNIK, Suely. Micropolítica : cartografias do desejo. Petrópolis : Vozes, 1993.
9. PHILIPPE, Marie-Dominique. O amor : na visão filosófica, teológica e mística. Petrópolis : Vozes, 1998.
10. FAGUNDES, Maria do Carmo F. Paixão : força, beleza e perigo de um sentimento. São Paulo : Gente, 2000.
11. BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido : sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro : Zahar, 2004.
12. SENNETT apud BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro : Zahar, 2001.
13. JAMESON, F. Pós-Modernismo: a Lógica Cultural do Capitalismo Tardio. São Paulo : Ática, 1997.
14. KRISTEVA, Julia. As novas doenças da alma. Rio de Janeiro : Rocco, 2002.
15. ROUDINESCO, Elisabeth. Por que a psicanálise?. Rio de Janeiro : Zahar, 2000.
16. SIGUSCH apud BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro : Zahar, 2001.
17. LIPOVETSKY, Gilles. A era do vazio: ensaios sobre o individualismo contemporâneo. Barueri, SP : Manole, 2005.
18. LASCH, Christopher. O mínimo eu: sobrevivência psíquica em tempos difíceis. 4a ed. São Paulo : Brasiliense, 1987.





Os Feitos e Efeitos Colaterais do Ciúme

28 03 2008
 

Comportamento Por Valdeci Gonçalves da Silva Assinar feed do autor
valdecipsi@hotmail.com

Todos nós somos ciumentos em maior ou menor grau. A diferença está em como cada um encara este sentimento” (Willy Pasini).

O ciúme está presente nas mais diversas interações humanas, mas tem recebido pouca atenção enquanto objeto de estudo. Talvez, por não estar inserido na categoria das emoções “primordiais”. O verbete “ciúme” vem do latim zelumen (celumen), e tem sua origem na raiz grega, zelos, que significa fervor, calor, ardor ou intenso desejo, e por sua vez fundiu os vocábulos inglês jealous (ciúme) e francês jalousie (ciúme) que, além de inveja, despeito, indica também veneziana, persiana. Estes últimos termos - especula o psiquiatra Nils Retterstol, da universidade de Oslo/Noruega - se devem ao fato de algum marido jaloux (ciumento) ter observado sua uma mulher por trás da jalousie (fendas horizontais uma sobre a outra), na intenção de surpreendê-la em intercurso sexual com outro homem.

Neste texto, o ciúme será focalizado, especificamente, na dinâmica do relacionamento conjugal. Na sua natureza paradoxal, quando moderado, o ciúme pode manter um casal comprometido. Nasio (2002) diz que “… não existe amor sem ciúme” (p.63), e o senso comum propaga que “o ciúme é o tempero do amor”. Mas o ciúme também pode expor os parceiros a situações extremas de perigo. Embora, menos freqüente nos dias hoje, ainda assim, é o ciúme dos homens, mais do que das mulheres, que coloca em risco a integridade física, por vezes fatal, das suas parceiras. Quando em sua poção concentrada, o ciúme é conhecido como a síndrome de Otelo, ciúme psicótico, paranóia conjugal e síndrome do ciúme erótico.

Quando tomado pelo ciúme, o indivíduo desencadeia um complexo de emoções a exemplo da raiva, fúria, humilhação, medo, ansiedade, tristeza e depressão. A perseguição do ciumento é tão incômoda quanto desconcertante é ouvir do (a) parceiro (a) que ele (a) não sente ciúme. Isto pode ser interpretado como ausência de bem querer, mesmo que suas atitudes cotidianas contradigam essa fala, em outras palavras, mesmo que se diga da “boca para fora”. Uma vez que o ciúme é inerente ao relacionamento, lhe cabe ser mais bem administrado, porque sua falta ou seu excesso é altamente destrutivo para o equilíbrio do casal.

Alguns teóricos consideram o ciúme uma emoção oriunda da insegurança, que tem como base à baixa auto-estima, um sintoma de imaturidade ou defeito de caráter. Assim sendo, de acordo com essa posição, se espera do adulto de auto-estima elevada, de maturidade e solidez psicológica que não apresente esse sentimento. Este suposto indivíduo, com tais características, pode até lidar melhor com o próprio ciúme ou com situações provocativas que o outro procure despertar. No entanto, essa postura consiste num traço, mas não necessariamente em uma pré-condição para uma personalidade madura, integrada. Às vezes, aqueles que se mostram controlados, na realidade são pessoas travadas, isto é, encouraçadas, emocionalmente frias.

Socialmente se admite o apego às coisas materiais. Prova disso é que, em geral, somente se empresta, por exemplo, livros, cds, etc., a pessoas próximas que, de alguma forma, deixam implícito que terão cuidados com esses pertences. Nesse caso, o ciúme equivale ao zelo em preservar aquilo que se gosta ou que é útil. Então, por que não é igualmente aceitável que se tenha ciúme por pessoa(s)? Quando se trata de gente, o cuidado não consiste no empréstimo (embora tenham os adeptos do swing - troca de casais - que devem negociar os seus limites, e isso, de uma certa forma, é um zelo), mas, do risco potencial em decorrência da atração ou sedução mútua de uma ou de ambas as partes envolvidas, que ameaça a perda do objeto de amor. Enfim, o ciúme pelas coisas é encarado como natural, mas em relação à pessoa adquire uma conotação negativa. Parece vergonhoso se dizer ciumento, como se isto fizesse do sujeito um ser incompleto ou “menor”.

Em 1922, Sigmund Freud classificou o ciúme em três tipos: (1) Competitivo ou normal: essencialmente um sentimento de pesar, devido ao receio de perder o objeto amado, e da ferida narcísica, como também da inimizade contra um rival bem sucedido; (2) Projetado: deriva de pessoas cuja própria infidelidade real ou de impulsos que sucumbiram à repressão; (3) Delirante: é o sobrante de um homossexualismo que cumpriu seu curso e toma sua posição entre as formas clássicas da paranóia. Como se vê, o próprio Freud reconheceu a vertente normal do ciúme. Nesse sentido, Buss (2000) diz que “o ciúme se expressa em pessoas perfeitamente normais que não mostram nenhum sinal de neurose ou imaturidade” (p.40). Porém, “o ciúme às vezes surge porque se rejeita o próprio interesse sexual por outra pessoa e se projeta o problema no parceiro” (BRANDEN, 2002, p. 198).

Mas existiria um tipo ideal de relacionamento de casal? O modelo que está posto, com todas as dificuldades que lhe são peculiares, é o que se engendrou no mundo capitalista ocidental. Da mesma forma que, em outras culturas, com diferentes tradições, tem problemas comuns em sua estrutura. Nas histórias de ciúme, geralmente, se critica o comportamento do ciumento, e pouco ou nenhuma referência se faz às atitudes da denominada “a vitima”. Mira y Lopes (1947-1992), chega a dizer que a dialética do ciúme é sempre intra e não interpessoal. No meu entender, a visão desse autor teria fundamento se “a vitima” comprovasse sua generosidade emotiva, sua sensatez e sanidade mental.

É verdade que existem os ciumentos projetivos e delirantes que Freud descreveu, mas, os relacionamentos não ocorrem unilateralmente. Porém, as crítica e condenação não devem recair apenas sobre o “agressor” sem levar em conta as provocações diretas ou sutis do “agredido”. Há parceiros que não chegam a ser complicados ou adúlteros, mas que devido aos seus bloqueios afetivos não fluem satisfatoriamente na relação. As mulheres, devido a um “sexto sentido” mais aguçado, percebem rapidamente essa “não entrega”. Isso, por vezes, as deixa inseguras de que seus parceiros não as amam e, por isso, não passam cumplicidade, emoção na relação. Mesmo que independentes economicamente, elas tendem a não discutir com seus parceiros essa falta, pois receiam parecer infantis, exigentes ou por demais carentes.

Ninguém completa plenamente o outro. Tem que se aprender a lidar com essa falta e tentar desenvolver as características que julgam importantes para seu relacionamento e que estão, possivelmente, latentes no outro. A pressão social para o casamento e para a reprodução e/ou a carência afetiva conduzem as pessoas a uma convivência a dois para a qual, nem sempre, estão preparadas. Nessa perspectiva, quero chamar a atenção para um tipo facilmente identificável nesta realidade, que quase sempre é o pivô dos dramas de ciúme. É tipo homem inseguro que, apoiado pela cultura machista de direito irrestrito a esse gênero, procura se auto-afirmar se lançando em conquistas. Mesmo acompanhado, se insinua para outras mulheres, transformando, assim, seu sentimento de inadequação em ações perversas, grosseiras ou sutis que mina, em contrapartida, a autoconfiança da parceira.

Para este sujeito a “crise de ciúme” da mulher somente aparentemente o incomoda, pois funciona como um termômetro para que ele auto-avalie o quanto é “querido” e “desejável”. Uma coisa é admirar despretensiosamente os atributos sejam físico, intelectual ou espiritual de uma pessoa; uma outra é desejá-la e comunicar isso através de palavras ou, o que é pior nesse clima de produção de ciúme, com sinais ou expressões não verbais do tipo “olhar de alcova”. Esse indivíduo é um expert nessa modalidade, uma vez que os indícios dos lampejos libidinosos que ele emite, são instantâneos e subjetivos. Em caso de protesto, pode se defender indagando: “Eu falei ou fiz alguma coisa!?” E a parceira fica como ciumenta descabida, cuja reação serviu lhe apenas para denunciar sua “insegurança”.

Esse desrespeito à conta gota, quase sempre introjetado como mágoa, em breve será o ácido corrosivo da sua auto-estima. Esse tipo deixa implícita a mensagem de que é o homem, ou melhor, o macho, e que deseja as demais mulheres. Enfim, de que sua parceira não o preenche e que nem é tão especial em sua vida. A submissão, o medo da violência física faz com que a mulher não reaja a essas perdas. O condicionamento em mostrar fidelidade, eu diria canina, faz com que a mulher abra espaço para esse jogo. Quando diante do parceiro, “tímida” e “santa”, mal levanta o olhar para um outro homem. Passa a idéia de que ele, seu parceiro, é o único homem a quem ela é capaz de se entregar, amar. No ato sexual massageia o seu ego em detrimento de suas próprias necessidades de atenção, afeto, etc., não atendidas.
Mesmo que o homem não dê segurança e/ou satisfação afetiva/sexual, para a mulher, não é muito fácil para ela se compensar lá fora. Geralmente, quando se rebela contra esse tabu, tem como objetivo resgatar o seu prazer e sua auto-estima que estavam negligenciados, embora não seja esta a melhor forma de resolver a situação. Dificilmente, os homens aceitam a traição da companheira que, antes de qualquer coisa, os revela como fracassados no papel de marido. Para a mulher, se não é fácil aceitar o marido adúltero, pelo menos ela se permite ou é forçada a conviver com essa revelação.

O rótulo de mulher adúltera é tão forte que elas chegam ao consultório, pelo menos na minha experiência, se sentindo prostitutas. O adultério feminino quase sempre, apesar da tendência de ser menos freqüente hoje em dia, se dá pelo envolvimento afetivo. Assim, elas se deixam possuir pelo sentimento da paixão para que seu desejo seja viabilizado, mesmo assim, não é raro algum sentimento de culpa.

De modo geral, as pessoas não aceitam suas limitações, sempre se acham mais dignas de parceiros mais qualificados em termos de prestígio profissional e nível social, etc. Têm a fantasia do “par perfeito” ou “alma gêmea”. Devido à permissividade social, não é preciso que a parceira esteja em falta com o marido para que esse se envolva em processo de traição. Para isso basta ter oportunidade. Um outro fator que colabora para esse comportamento, é que o sexo para o macho está dissociado do afeto. O que lhe permite transitar mais habilmente nas suas aventuras. Todo prazer que vier para ele é lucro, por isso investe com mais ousadia, e para a confirmação social de sua masculinidade. Caso não tenha sucesso, a mulher em casa dá conta de sua frustração.

Evidentemente, a percepção do ciúme como patológico não ignora um fato profundo a respeito do ciúme como importante defesa a uma ameaça real. O ciúme nem sempre é uma reação a uma infidelidade descoberta. Pode ser uma resposta antecipada aos direitos de posse para impedir que a infidelidade ocorra. Com bastante propriedade, Buss (2000) afirma: “Para etiquetar o ciúme como patológico simplesmente porque um cônjuge ainda não se desgarrou não leva em conta o fato de que o ciúme pode adiantar-se a uma infidelidade ainda emboscada no horizonte da relação” (p.21). Ou seja, são “leituras” sutis que sinalizam para a prática ou potencial de intenção de adultério do (a) parceiro (a).

O espectro da própria ou da infidelidade do outro raramente deixa de cercear a vida do casal, enquanto realidade ou desejos fantasiados. Gambaroff (1991) revela que “a infidelidade pode ser usada como defesa contra a fidelidade e esta, contra a infidelidade”(p.37). Assim, pode-se afirmar que a ansiedade envolvida nesses processos não se diferencia de maneira qualitativa, mas quanto à direção ou defesa que podem tomar. Atrás de rígidas reivindicações de fidelidade podem encontrar-se forte dependência às normas sociais, tendências de simbiose, medos de contato, incapacidade de auto-realização.

Ainda, segundo Gambaroff (idem), se por um lado, o desejo simbiótico pode se manifestar numa fidelidade exagerada, excessivamente apegada que persegue o outro; por outro lado, o medo fantasiado de uma fusão total com o parceiro é tão grande que pode levar à infidelidade, como recurso de segurança para se manter o controle da relação. Isso justifica as atitudes de sujeitos imaturos, associado ao abuso de poder, perversidade e mau caratismo. Enfim, o infiel foge da possibilidade de se colocar por inteiro na relação e, consequentemente, de arriscar-se nos conflito e confrontos da convivência diária. Logo, a infidelidade tem como função adiar ou evitar que o relacionamento se torne, sem sombra de dúvida, um encontro.

Historicamente, o casamento por amor, norteado pela igualdade dos gêneros, é um acontecimento recente. Não era nem sequer sonhado na Antigüidade e na Idade Média. No entender de Volkmar (apud GAMBAROFF, 1992), por mais estranho que pareça, o capitalismo e o amor se pertencem, e que o amor sexual individual somente surgiu a partir da formação da burguesia. A moral vitoriana, extremamente puritana, na realidade exigiu demais de ambos os parceiros, e os afunilou cada vez mais na estreiteza da família nuclear. No ponto de vista de Marcuse (apud GAMBAROFF, idem), a liberação política da sexualidade, que deveria servir para emancipação dos indivíduos, degenerou para um tipo de impedimento à liberdade individual. Comercializada pela mídia e louvada como produto, a sexualidade transformou-se numa variante de exigências de desempenho, que encontrou seu lugar até na vida intima das pessoas.

Ainda nessa perspectiva, Marcuse (1981), chama a atenção para o fato de que a passagem do mundo infeliz para o feliz passa pela erotização de tudo à nossa volta, não no sentido do sexo vulgar, mas da desvalorização da essência do mito. Do impulso vital do homem para a curiosidade e ligações de amor, amizade, e do conhecimento de si mesmo e do seu universo. Quase todo élan vital (grifo nosso) do homem é capturado pelo trabalho, o que torna cada vez mais impessoal seus relacionamentos, que o deixa ilhado no seu egoísmo, narcisismo e vendo outro como a um inimigo em potencial.

Finalmente, este momento que vivemos atualiza a afirmação de Hobbes (apud RIBEIRO, 1991), de que os homens são tão absolutamente iguais que, não sabendo o que o outro deseja, fazem suposições, entre as quais de vencê-lo. Assim a guerra se generaliza, num paradoxo em que “o amado não é apenas aquele que nos faz feliz, é também aquele que nos frustra e, por isso mesmo, nos equilibra” (NASIO, 2003, p.72).

REFERÊNCIAS

BRANDEN, Nathaniel. (2002). A psicologia do amor: o que é o amor, por que ele nasce, cresce e às vezes morre. 2. ed. Trad. Mônica Braga. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos.
BUSS, David M. (2000). A paixão perigosa: Por que o ciúme é tão necessário quanto o amor e o sexo. Trad. Myriam Campello. Rio de Janeiro: Objetiva.
FREUD, Sigmund. (1922-1989). Alguns mecanismos neuróticos no ciúme, na paranóia e no homossexualismo. Obras Completas. Rio de Janeiro: Imago. v. 18.
GAMBAROFF, Marina. (1991). Utopia da fidelidade. Trad. E. Schultz. Porto Alegre: Artes Médicas.
GAMBAROFF, Marina. (1992). Indifelidade. In: G. P. Costa e G. Katz (Orgs.), Dinâmica das relações conjugais. Porto Alegre: Artes Médicas.
MARCUSE, Herbert. (1981). Eros e civilização: uma interpretação filosófica do pensamento de Freud. 8 ed. Trad. A. Cabral. Rio de Janeiro: Zahar.
MIRA Y LÓPEZ, E. (1947-1992). Quatro gigantes da alma: o medo, a ira, o amor e o dever. 15 ed. Trad. C. A. Lima. Rio de Janeiro: Olympio.
NASIO, Juan-David. (2003). Um psicanalista no divã. Trad. André Telles. Rio de Janeiro: Zahar.
RIBEIRO, Renato J. (1991). Hobbes: o medo e a esperança. In: F. C. Weffort (Org.). Os clássicos da política. São Paulo: Ática.





Que nunca serei uma top model, eu já sabia..

28 03 2008
 

Comportamento Por Algosobre Assinar feed do autor
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Acho que uma das grandes conquistas da mulher acontece na casa dos 20 anos, quando ela descobre e aceita que jamais será uma top model - a não ser que já seja uma.

Outra grande conquista chega junto com os 30 anos: além de não ser uma top model, ela se dá conta de que jamais será uma mulher perfeita - aquele misto de profissional competente, amante inesquecível, mãe exemplar e esposa de seu marido.

Imagino que a conquista da casa dos 40 seja admitir que, além de não ser uma top model e estar longe da perfeição, ela ainda vai envelhecer. Mas ainda não cheguei lá para saber.

Voltando aos 30 anos, parece besteira, mas é duro aceitar o fato de não ser perfeita. Eu, pelo menos, fico fora de mim quando me vejo fazendo coisas “absurdas”, como: me distrair no trabalho, morrer de preguiça de fazer amor, perder a paciência com meu filho.

Como ouso??!! Como ouso não corresponder à imagem de perfeição que criei para mim mesma? Mesmo sabendo que, depois, vou me recriminar duramente? A crítica nos olhos dos outros dói em mim. Mas nos meus próprios olhos me queima. Aliás, minha mais nova recriminação é me recriminar por querer ser perfeita. Se eu fosse realmente perfeita, me aceitaria como sou.

Olho ao meu redor para ver se sou a única a ser tão exigente. Descubro que não. Que a auto-exigência exagerada é um defeito assaz comum. E tão disfarçado que fica difícil de identificá-lo. Por exemplo, quantas vezes afastamos alguém que julgamos capazes de nos julgar de maneira negativa? Quantas vezes deixamos de fazer algo simplesmente porque duvidamos de nossa capacidade de fazê-lo “perfeitamente”?

Pior: e quando nem a gente mesmo consegue se dar conta de que está com medo de não ser perfeita? Aí, faz cada besteira, Meu Deus! Quanto tempo, energia, bons momentos perdidos! Fica escondido num canto do mundo, esperando a perfeição chegar. “Quando eu for perfeita, serei feliz como pinto na merda.”

Mentira.